Kleiton Franciscatto, sócio-fundador do escritório Franciscatto & Advogados Associados

Relacionamento com o cliente começa pela mente

Como a escuta consciente e a reprogramação mental transformam vínculos profissionais e constroem confiança duradoura

Autor: Kleiton Franciscatto

Ao longo da minha trajetória profissional, aprendi que o relacionamento com o cliente vai muito além de contratos, entregas ou soluções técnicas. Ele começa, quase sempre, na mente: na forma como escutamos, interpretamos e acolhemos as dores de quem se senta à nossa frente. 

Durante mais de duas décadas de atuação no campo jurídico, me acostumei a ouvir todo tipo de problema. Não eram apenas conflitos legais, mas também medos, inseguranças e crenças limitantes que os clientes carregavam. Essa escuta constante, tão necessária para um atendimento de qualidade, acabou impactando minha própria saúde emocional.

Em determinado momento, percebi que estava cercado por pensamentos negativos e que isso afetava não apenas a vida pessoal, mas também a forma como me relacionava profissionalmente.

Essa virada de consciência é um ponto crucial quando falamos de relacionamento com o cliente. Não é possível oferecer acolhimento genuíno, clareza e confiança se o profissional não cuida da própria mentalidade. Foi buscando ressignificar meus pensamentos que mergulhei nos estudos de Programação Neurolinguística (PNL), neurociência, psicologia positiva e mindfulness. 

Ao conhecer os princípios da autoconsciência, autorresponsabilidade, intencionalidade, resiliência e fé inabalável, ficou evidente para mim o quanto eles se aplicam diretamente à construção de relações saudáveis com clientes. A autoconsciência, por exemplo, nos ajuda a identificar reações automáticas, julgamentos precipitados e posturas defensivas que muitas vezes sabotam o atendimento. Já a autorresponsabilidade nos convida a assumir uma postura mais madura, sem transferir frustrações ou expectativas para o outro.

A intencionalidade, outro pilar do método, me parece essencial no contato com o cliente. Ela nos faz refletir sobre como queremos conduzir cada conversa, cada reunião e cada entrega. Os problemas estão mais no imaginário das pessoas do que nos fatos em si. Saber escutar com presença, acolher sem julgamento e orientar com clareza fortalece vínculos e gera confiança, algo cada vez mais raro e valioso.

Essas técnicas também oferecem aprendizados práticos para o dia a dia profissional. Ressignificar pensamentos ajuda a lidar melhor com conflitos e objeções. A dissociação permite analisar situações difíceis com mais racionalidade, sem se deixar dominar pela carga emocional. A visualização criativa e a modelagem reforçam a importância de observar profissionais que constroem relações sólidas e humanas, aprendendo com seus comportamentos e estratégias.

No fundo, o que essa abordagem deixa claro é que o relacionamento com o cliente não se sustenta apenas em técnicas de comunicação ou estratégias de venda. Ele exige um trabalho interno contínuo. A reprogramação mental leva tempo, pede foco e disposição para identificar crenças limitantes, tanto nossas quanto dos clientes. Mas é justamente esse processo que transforma atendimentos comuns em relações de confiança duradoura.

Hoje, tenho convicção de que profissionais que cuidam da própria mente conseguem cuidar melhor das relações que constroem. E, em um mercado cada vez mais automatizado e impessoal, essa consciência pode ser o maior diferencial competitivo de todos.

Kleiton Franciscatto é sócio-fundador do escritório Franciscatto & Advogados Associados, CEO da Homesilk Aluguel de Temporada e autor do livro “Do caos à consciência – Reprogramando a mente para o sucesso pessoal”.

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