
No entanto, discussão ética é outra coisa. Ela tem como foco a relação de bem/mal entre todos na empresa e fora dela. A discussão ética promove o aumento da consciência em busca de um significado maior sobre a existência. Afinal, para quê você existe? Para quê a empresa existe? A discussão ética ajudará a entender que a resposta não é apenas: ganhar dinheiro e ser feliz. Isso é uma pequena parte da postura ética. A outra parte, e a mais importante, foca na razão essencial da existência. Trata do legado que vamos deixar para as futuras gerações.
Uma empresa que discute ética de forma sistemática e estruturada não precisa criar manuais de boas práticas. Ela aposta que, ao aumentar o nível de consciência, as pessoas agirão de forma ética naturalmente com todos os agentes: acionistas, fornecedores, colaboradores, clientes, imprensa, governos etc.
Tratar as pessoas de forma ética é entender que as pessoas são sujeitos e não objetos. São fins e não meios. Essa postura mais humanística contribui para criação da imagem de marca de uma organização de forma ímpar. Organizações que assumem estrategicamente a ética como fio condutor, trilham o caminho mais difícil de se obter resultados. O mundo é formado muito mais por predadores do que por pessoas mais conscientes. Por outro lado, o fio condutor da ética gera valor perene. A empresa e seus profissionais se transformam em verdadeiros “inspiradores” para todo o entorno.
No fundo, queremos nos relacionar e fazer negócios com pessoas e companhias éticas. Prestigiaremos essas pessoas e empresas e até perdoaremos alguns deslizes, pois entenderemos que a intencionalidade dessas pessoas e empresas é a melhor para todos.
Francisco de Assis Sobrinho é filósofo, professor de ética e consultor.