Edson Lopes, CEO da FlixBus

A experiência do cliente como alavanca de transformação do transporte rodoviário

CEO da FlixBus expõe a proposta de valor da empresa alemã com inovação e os desafios de evolução do setor diante dos entraves regulatórios

Apesar de ser um setor essencial para a mobilidade no Brasil, o transporte rodoviário brasileiro ainda carece de maiores avanços em inovação na experiência do cliente. Foi a partir dessa constatação que a FlixBus, empresa fundada na Alemanha há 12 anos, decidiu apostar no Brasil. Ao chegar ao País, em 2019, eles identificaram um mercado de grandes dimensões e muitas oportunidades, inclusive de digitalização. Seis anos depois, mesmo diante de resistências e entraves regulatórios, a empresa já conecta mais de 100 cidades em 15 estados, transportando milhões de brasileiros com foco em eficiência, sustentabilidade e liberdade de escolha, conforme quadro traçado por Edson Lopes, CEO da FlixBus, hoje (26), na 1268ª edição da Série Entrevista ClienteSA.

Iniciando pelo o que levou a empresa alemã a vir ao Brasil, ele explicou que foram três fatores. O primeiro é por ser um dos maiores mercado de transporte rodoviário do mundo, seja pela dimensão do País, como por não ter uma malha ferroviária desenvolvida, e por ser caro o transporte aéreo ou a aquisição de um automóvel. “Em segundo lugar, havia um processo de abertura de mercado com poucos players ainda competindo. E, um terceiro ponto, é que, na época, 90% das passagens de ônibus ainda eram feitas presencialmente nas rodoviárias, abrindo um espaço enorme para a entrada da digitalização.” Seis anos depois, a aposta se mostra acertada. Edson conta que, apesar de enfrentar mais dificuldades do que esperava, em função do protecionismo praticado pela influência política no setor, a empresa já está presente em mais de 100 cidades, em 15 estados brasileiros. “Já transportamos milhões de brasileiros, com um serviço seguro e sustentável.”

Indagado se encontraram dificuldade para adaptação à realidade no País, o CEO informou que houve uma preocupação de fazer uma gestão de clientes o mais próximo possível do praticado na Europa. “Somos a maior empresa de transporte rodoviário do mundo, mas em um modelo asset-light, ou seja, sem possuir um único ônibus. Fazemos toda a parte de vendas das passagens, planejamento de rotas, precificação, marketing, interface com o poder público, traçamos toda a estratégia, cabendo aos operadores de transporte, nossos parceiros, ficarem com a responsabilidade de fazer aquilo que fazem muito bem, que é gerir a garagem, a manutenção, os motoristas e a frota.”

Com esse modelo de negócio, assegurou o executivo, a Flixbus consegue expandir e escalar mais rápido, trazendo qualidade para as empresas parceiras. “Tentamos capturar o modelo europeu e trazer 100% para o Brasil, mas fomos obrigados a inserir algumas diferenças. Por exemplo, nos métodos de pagamento. Pois, surgimos juntamente com o Pix. E, principalmente o parcelamento no cartão de crédito. Algo que é inimaginável para os alemães, mas, aqui, responde já por 20% do nosso faturamento. Além de questões regulatórias que demandam adaptações.” Em resumo, ele pontua que foi possível trazer a essência do modelo, que é a liberdade de escolha para o consumidor, oferecendo preços mais baratos, além do que chamou de DNA da empresa que é ter padrões de sustentabilidade.

Houve tempo ainda para responder às questões da audiência, aproveitando para contar que a Flixbus faz questão de inspecionar e acompanhar a qualidade e a segurança dos serviços prestados pelos parceiros. “Por tudo isso, somos muito mais do que um marketplace de vendas de passagens.” Ainda falou sobre a série de exigências que são feitas junto às operadoras de transporte em favor da experiência do passageiro, como conseguem feedback dos clientes, as vantagens do uso de IA em questões como precificação, marketing e otimização de rotas, além de fazer previsões sobre o futuro do setor.

O vídeo, na íntegra, está disponível no nosso canal do YouTube, o ClienteSA Play, junto com as outras 1267 lives realizadas desde março de 2020, em um acervo que já passa de 4 mil vídeos sobre cultura cliente. Aproveite para também se inscrever. A Série Entrevista ClienteSA terá sequência amanhã (27), recebendo Alessandro Oliveira, CMO do Grupo Zelo, que abordará a quebra de tabu com cultura de CX no setor funerário; na quarta, será a vez de José Ernesto Marino Neto, sócio-gestor do Kempinski Laje de Pedra; na quinta, Giulliana Guazzelli, diretora comercial da Caju; e, encerrando a semana, o Sextou debaterá o tema “Cliente Global: Inteligência artificial ainda domina previsões de CX em 2026?”, reunindo Camila Ferreira, CEO e fundadora da Rise UP, e Ladislau Batalha, CEO e fundador do LAB Experience.

Deixe um comentário

Rolar para cima