Afinal, o que é empresa holística?

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Tornou-se moda, como temos visto em eventos sobre callcenter e telemarketing, a utilização do conceito “holístico” desacompanhado de uma explicação elucidativa. Mas, afinal, o que uma coisa tem a ver com a outra?

As aceleradas mudanças deste final de milênio estão amadurecendo uma nova visão de realidade, na qual a expansão dos meios de comunicação espelha a nossa incansável busca por horizontes mais amplos. Na ordem globalizada, o ser humano entende que sua ação local tem efeitos de dimensões globais, pois sabe que a interconectividade é inerente a todos os processos de relacionamento.

Isto tem a ver com o pensamento holístico, que é o modelo para a compreensão desses novos parâmetros. A raiz “holos” quer dizer completo, inteiro. Assim, a abordagem holística desperta no ser humano a consciência da sua ligação com o todo, com uma ordem muito maior e mais abrangente, subentendendo uma rede invisível e harmoniosa que envolve os mais diferentes setores da nossa existência.

O conceito holístico ensina a sabedoria cósmica que nos desvenda o todo contido na parte, e a parte indispensável à integridade do todo. Nos faz descobrir o lado fantástico de se poder identificar a presença do maior no menor (e vice-versa), tal como a estrutura do átomo (com seu núcleo e elétrons orbitando ao redor) reproduz o nosso sistema solar.

Os ecossistemas que compõem a natureza também nos mostram as virtudes da unidade na diversidade, justificando as influências da ecologia na moderna procura por qualidade de vida, que deriva da interação de um leque de fatores essenciais ao nosso bem-estar.

Todo esse movimento pelo resgate da inteireza não poderia estar desvinculado das empresas, que são movidas basicamente por indivíduos. Pois a maior ou menor integração entre eles é que determinará o grau de sucesso ou fracasso de uma organização.

A empresa holística se caracteriza por ter uma direção e gerência participativas, ao mesmo tempo em que valoriza a máxima atenção à pessoa e à produção. Ela mantém uma cultura participativa porque está consciente de que, se quiser sobreviver no mercado de alta concorrência e crescente nível de exigência dos clientes, necessita desenvolver não só a si própria como também os seus funcionários e clientes.

A noção do todo interconectado, cujas partes só podem ser entendidas através da dinâmica do conjunto, estimula a revalorização do coletivo. Assim, cresce a importância de aspectos como união, cooperação, solidariedade, co-responsabilidade, respeito pelas diferenças. O pensamento competitivo é substituído pelo pensamento sistêmico, destacando-se as estruturas integrativas, com espaço para equipes de trabalho, parcerias ou alianças entre indivíduos e empresas.

No modelo holístico, as empresas percebem a necessidade de adotar a transparência como elemento para a gestão do seu negócio, de modo que o discurso deve seguir com a prática. E por saber que a organização não está separada das pessoas que dela fazem parte, a empresa considera os efeitos de toda e qualquer mudança organizacional também nos seus indivíduos, dedicando tempo e recursos para a melhoria da postura interna dos seus componentes. No fundo, ela se empenha para alcançar a convergência entre os seus propósitos organizacionais e os pessoais.

No modelo antigo, a empresa era vista como uma máquina e as pessoas como engrenagens. Sob o enfoque holístico, a empresa é um sistema dinâmico que se desenvolve e evolui, no qual o cuidado com a educação representa um grande diferencial, inclusive no que diz respeito à qualidade, produtividade e competitividade.

Àqueles que desacreditam do lado prático dessas idéias podemos dizer que já existem bancos americanos de investimento ético condicionando seus empréstimos ao desenvolvimento social, dando um valioso exemplo de postura holística da parte de uma instituição financeira.

Entretanto, em face da atual realidade brasileira, cabe questionar: será que as nossas empresas estão abertas aos primeiros sinais dessas mudanças?