Cuidado com a polícia!

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Autor: Edilson Menezes

Baseado na vida real…
A utopia, ou aquela nuvem que paira entre o desejo de realizar um sonho e a sua execução, não vai te presentear. Ao contrário, vai fazer o possível para coibir a concepção dos seus maiores sonhos.
Nesta semana, peço permissão para apresentar uma analogia. O nosso cérebro funciona como se desse emprego para duas forças policiais.
O lado esquerdo é o policial responsável por nossa segurança física e o lado direito, responsável por nossas realizações emocionais. Entretanto, o policial do lado esquerdo normalmente tem jurisdição sobre o que acontece no território do seu vizinho.
Vamos entender, como exemplo, uma mulher que está há alguns anos sem assumir um relacionamento sério, até que conhece alguém que a encanta. Uma parte dela quer fugir e a outra quer mergulhar. Ou seja, quando ela decide amar, a polícia do lado direito investiga com pouco rigor as possibilidades de sofrimento, pois seu papel é permissivo.
Já a polícia do lado esquerdo invade o território. Para simplificar, chamarei neste artigo PE (polícia do lado esquerdo do cérebro) e PD (polícia do lado direito do cérebro). Nesta situação exemplificada, a conversa ocorreria mais ou menos da seguinte maneira:
PE – Escuta aqui, PD, que história é esta de permitir a aproximação deste cara? Ela tava muito bem, até alguém que chegasse para estragar tudo!
PD – Ora, PE, lá vem você de novo com esta mania de policiar sentimentos. Ela só vai crescer se encarar o amor. Vamos deixá-la. Se der errado, ela vai sofrer, eu vou apoiá-la na recuperação e você pode distraí-la chamando sua atenção para coisas da rotina. O que não dá para admitir é vê-la passar um final de semana após o outro sozinha.
PE – Ela tá feliz assim. Você é que coloca estas ideias revolucionárias na cabeça dela. Pense, ela trabalha, lê, assiste à televisão, fica deitadinha, relaxando, se alimenta e no fim, dorme para o próximo dia. Qual é o problema de se viver assim?
PD – O problema é a sua visão lógica sobre tudo. Na realidade, ela enfia o rosto no trabalho para esquecer a vida pessoal, assiste à TV para se distrair e não ficar triste, deita-se para lamentar a solidão, nunca relaxa porque a ansiedade que sente não permite, se entope de doces e no fim, dorme entediada por mais um dia pouco aproveitado!
PE – Não me venha com velhos argumentos psicológicos, PD! E se você insistir em incentivá-la neste relacionamento, eu vou fazer com que ela sinta medo de sofrer, de ser abandonada, traída e ridicularizada!
PD – Eu não quero brigar contigo, PE. Quero um acordo. Juntos, somos mais fortes para fazê-la feliz. Mas, caso ela passe a vida inteira sem amar, de que valerá ter existido? A minha proposta é a seguinte: eu continuo motivando-a para que se permita amar e se entregar a esta relação que bate à sua porta e me comprometo a evitar que se comporte como uma menininha ingênua a sonhar com o príncipe encantado. Aqui e ali, vou deixando brechas para ela entender que a emoção do amor também exige maturidade. Neste ponto, você entra em cena e vai mostrando que é importante ir devagar, com segurança. Que tal o meu plano de aliança?
PE – O problema, PD, é que a gente já fez este acordo no passado e ela sofreu. Você sabe muito bem que o meu papel na vida dela é gerar segurança. Já o seu é colocá-la em risco e isso você faz muito bem!
PD – Vamos lá, PE. Não seja ranzinza. Eu sei que você é um policial competente, mas também sei que só deseja o bem. Encare o fato de que a felicidade dela não precisa ser a solidão. Abra sua guarda!
PE – Uma chance. Eu vou dar uma chance! Vou calcular, que é minha melhor aptidão, 30 dias. Você tem exatamente um mês para fazer isso dar certo. Se neste período o intruso que tenta fazê-la sair da zona de conforto machucá-la, acabou. E neste caso, vai sobrar até para você. Se ela sofrer por causa deste seu plano amoroso, vou calar a sua voz na cabeça dela por muito tempo e você sabe que eu tenho este poder!
PD – Ok, eu assumo o risco, PE. Acordo fechado. Obrigado pela oportunidade. Não vou te decepcionar!
O acordo entre as partes do cérebro responsáveis pela segurança e pelo amor garantiram a felicidade da pessoa, que se casou e é feliz até hoje. Esta analogia foi baseada nas vivências de uma pessoa das minhas relações que autorizou a transformá-la em artigo.
Todos os dias, há um duelo entre a razão e a emoção. Somos e vivemos esta dualidade neurológica no amor, no trabalho e no convívio social. Daí a necessidade de programar nosso cérebro para que cumpra nossa vontade e não decida de forma autônoma, atendendo a padrões criados por nós ou pela cultura.
A polícia do lado esquerdo do cérebro é mais poderosa e de fato tem armas para nos impedir de amar, de ousar no trabalho e pode até mesmo nos impedir de fazer novas amizades, mantendo-nos numa concha, numa redoma protegida. Seu lado positivo é a dedicação intensa para evitar nosso sofrimento.
A polícia do lado direito, sem programação, pode nos deixar devaneando, planejando sem nunca realizar e imaginando sem jamais ter coragem de concretizar. Seu lado positivo é a função competente de nos emocionar, nos fazer confiar nos outros, nos permitir vibrar, acreditar no próprio potencial, no amor, no sucesso e, por fim, nos fazer voar ao alcance do que desejamos.
Não há jeito certo de se viver. Não há polícia melhor ou pior. Ambas cumprem o papel para o qual foram criadas, mas deixam para quem lhe programa a possibilidade opcional de assumir o alto comando desta maravilhosa força policial do cérebro.
A escolha, como sempre, é apenas sua!
Edilson Menezes é treinador comportamental e consultor literário. Atua nas áreas de vendas, motivação, liderança e coesão de equipes. ([email protected])