Entre ceticismo e entusiasmo

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Diferente do que muitos pensam, o big data não deve ser encarado como um assunto da TI. Pelo contrário, ele merece a atenção de todos na empresa. Para Luiz Valentim, diretor de soluções da EMC², o conceito deveria estar na agenda tanto do CIO, quanto de todos os VPs de negócios, até do CEO, e ser pauta das reuniões de planejamento estratégico, pois trata-se de uma força que no mundo competitivo atual não pode ser desprezada. “Basta considerar a empresa com maior valor de mercado do mundo, hoje classificada como ´uma empresa de big data´”, afirma o executivo, reforçando que o big data inaugura de vez a chamada Era da Informação.
No entanto, essa ainda não é a visão de todo o mercado, que se divide em dois grupos de empresas.  O primeiro refere-se às empresas que ainda não experimentaram efetivamente big data, ou sequer tiveram contato, enquanto o segundo grupo reúne aquelas empresas que já foram devidamente expostas a esse fenômeno, tendo experimentado com casos práticos tal tendência. “No primeiro grupo, vejo muito ceticismo, desconfiança e preocupação de que este seja mais uma onda de mercado para que os fabricantes vendam suas tecnologias. Já no segundo grupo, percebe-se grande entusiasmo com o potencial de big data”, comenta. Nesse último, Valentim vê os executivos redirecionando as estratégias para fortalecer a execução de projetos e acelerar a curva de adoção de big data, buscando explorar as vantagens competitivas prometidas pelo fenômeno. “Para esses, é a corrida do ouro.”
Essa forte aceleração acontece, sobretudo, no setor de telecomunicações, a partir da análise do conteúdo das chamadas telefônicas, gravadas em arquivos de texto, para buscar o sentimento do cliente durante a interação e gerando, por meio dessa, informações que possam influenciar os modelos de churn das empresas. Ele cita um case da empresa no setor, com um projeto de análise dos registros das chamadas telefônicas, os chamados CDR´s, para formar uma rede social, ou seja, o conjunto das relações baseadas nas chamadas, duração e frequência, e a partir destes dados analisar como os clientes se interconectam e qual o poder de influência de cada um deles. “Assim, ao analisar a rede social de cada cliente, a companhia telefônica em questão calcula não somente o valor de um cliente, mas o valor de toda sua rede. Isso é trazido para a central de atendimento e para os modelos de churn. Analisa-se bases de dados com dezenas de bilhões de registros armazenados por dia”, revela.
CIENTISTA DE DADOS
Quais são os desafios para a adoção do big data? Para Valentim, essa talvez seja a pergunta mais importante que o executivo de TI deve fazer. “Sem dúvida, capital humano é o ponto crítico. O conhecimento das técnicas avançadas de análise é peça fundamental, mas big data exige ainda mais”, pontua. Ele destaca o conhecimento de novas tecnologias, principalmente aquelas que permitem a extração de valor de dados não-estruturados, métodos e ferramentas de manipulação de dados, governança de dados, linguagens de programação e, não menos importante, conhecimento da indústria específica onde se aplicará big data. “São os atributos que criam o profissional mais desejado da próxima década, o cientista de dados. Acredito, portanto, que formar esse centro de inteligência é o maior desafio das empresas, e por que não, de nosso país”, reflete.