No trabalho, amor ao que se faz é pouco!

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Autor: Edilson Menezes
O amor é utópico por conceito, subjetivo pela impossibilidade de medição e condutor da vaidade por seu poder emblemático. Mas, combinado com uma missão, torna-se imbatível.
Deixei você a refletir com o primeiro parágrafo? Então, é minha responsabilidade explicar como o amor, desacompanhado de algo maior, pode ser até mesmo prejudicial para a carreira.
A sociedade enxerga o sentimento através do viés romântico, como de fato deve ser. Quando sentimos uma decepção amorosa, corpo e mente são acionados para proteger e reduzir os efeitos em caráter de urgência, para deixarmos o luto do amor que não deu certo.
Já ao contrário, se vivenciamos o amor de uma vida inteira e somos felizes, mesmo nobre, o sentimento é insuficiente. Outras qualidades se tornam fundamentais: ética, cumplicidade, respeito, gentileza, comprometimento, generosidade… A lista completa tomaria o artigo inteiro.
Ao trabalho, costumamos levar a mesma definição pessoal que temos sobre o amor, porém esquecemos de transferir outras qualidades que o permeiam.
– Eu faço o que amo! – muitas pessoas afirmam.
Em paralelo, boa parte delas trata os pares e líderes com o desprezo característico de quem odeia o que está fazendo.
Considerando as queixas dos empresários durante entrevistas que realizo antes de um treinamento ou palestra, sugiro um compromisso maior do que apenas amar o trabalho. É preciso enxergá-lo como sua temporária missão de vida, mesmo que tenha outros planos para o futuro. Eis um exemplo:
O vendedor está atuando em determinada empresa e ama vender, embora tenha outros sonhos e encare aquele trabalho pontual como um amor temporário, fugaz, que ajuda a pagar as contas e a faculdade de engenharia. Contemplando o próprio trabalho dessa maneira, vai economizar nas competências que podem fazê-lo conquistar a meta periódica.
Se vivesse a experiência específica com amor e também como missão pontual, como seria?
Futuramente, quando estiver prestes a realizar o outro sonho, basta entender a missão em vendas como cumprida e, com mais excelência ainda, dedicar-se ao que imaginou para si.
Enquanto vivencia uma carreira curta em outra área para buscar o sonho maior, podemos dizer que a pessoa está experimentando meio sonho. Não há nada de errado. Enquanto o faz, a postura de meia entrega é inconcebível, frustrante e nociva.
Voltando ao exemplo do vendedor que depende da comissão para viver o sonho de longo prazo, ele viverá um risco comum na sociedade: tornar-se mais uma pessoa que corre atrás do dinheiro e abandona seus maiores propósitos.
O dinheiro pode fazer transformar sua vida em um redemoinho. Investir energia apenas nas contas a pagar, economizando esforços pontuais, é uma receita conhecida da sociedade para sobreviver e se aposentar sem a certeza de que viveu uma vida plena.
O dinheiro pode ser como um bumerangue em sua vida. Investir no grande propósito sem economizar esforços na atividade atual é uma receita para que volte multiplicado e lhe ajude a conquistar o sonho maior.
Não caia na armadilha antropológica, segundo a qual missão de vida é uma só e não se deve mudar.
Viva a missão profissional de hoje e prepare-se para realizar o grande sonho.
Transforme o amor que diz sentir pelo exercício profissional em missão temporária ou definitiva; tanto faz, desde que você escolha e não a sociedade.
No momento certo e somente você saberá qual é, abandone o verbo imaginar. Venha para o lado de cá. Uma próspera multidão te espera para realizar.
Há quem acredite que somente vai dar tudo de si quando estiver trabalhando no exercício dos sonhos e durante este tempo, vai colhendo resultados que infelicitam.
Há quem acredite que é possível amar o que se faz, transformando atividade temporária em missão e durante este tempo, vai traçando grandes resultados, abrindo caminho para que o novo entre em sua vida.
A escolha, como sempre, é apenas sua!
Edilson Menezes é treinador comportamental e consultor literário. Atua nas áreas de vendas, motivação, liderança e coesão de equipes. ([email protected])