Quem bate?

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Autor: Edilson Menezes
Mantenha-se em total estado de desmotivação. Motivar-se é coisa de palestrazinha, de blá blá blá. O negócio é arregaçar as mangas e trabalhar à base de estresse, pois a beleza do mundo apresentada pelos motivadinhos de plantão só existe mesmo em filmes e contos.
Mantenha-se em total estado de desmotivação. Afinal, motivação não leva alimento para casa e não paga as contas que todos os meses chegam através de um pedaço de papel deixado na caixa do correio. Seu credor não quer saber se você está ou não motivado, desde que liquide a fatura dentro do vencimento.
Mantenha-se em total estado de desmotivação. Quem te dá um emprego pode até dizer que deseja você motivado (a), mas no fundo quer mesmo é que você produza ao máximo e custe o mínimo. Patrão quer resultado e para ele pouco importa se os colaboradores estão motivados ou deprimidos e além disso, mesmo muito motivados, os colaboradores que não derem resultado serão demitidos. Então, o negócio é trabalhar, cobrar resultado e gerar excelência.
Será?
Se a motivação é coisa de palestrazinha, como se explica o fato de o Brasil registrar palestras todo dia em incontáveis segmentos e ainda ser considerado um dos países que mais recebem eventos corporativos?
Os tempos de estresse como combustível para resultados surpreendentes chegaram ao fim, pois o que se busca hoje é viver com qualidade dentro e fora da empresa, o que resulta num novo motivo (e permita-me provocar, uma nova motivação) para aqueles que ainda não acordaram e continuam vivendo do estresse por imaginar que “não tem outro jeito”, que na nossa empresa “sempre foi assim”.
A vida pode até não ser um conto de fadas, mas é fruto do que se deseja contar. Narrado com a caneta da desmotivação, talvez não seja lido por ninguém. Ou seja, poucas pessoas se interessarão por acompanhar ou participar de uma vida desmotivada.
A motivação em si não leva dinheiro para casa, é um fato. Saiba, porém, que até mesmo o dinheiro, por sua poderosa energia de atrair ou repelir, distancia-se de quem não se motiva.
O credor que bate à porta todo mês não quer mesmo saber do nosso estado emocional. Porém, à luz da desmotivação, pagaremos despesas fixas, colaboradores e despesas supérfluas de toda sorte. Enquanto fazemos isso, pagar, pagar e pagar serão os verbos de nossa vida financeira. O verbo poupar se fará presente, tão e somente, quando a motivação fizer parte da essência de vida.
Muito empregador ignora mesmo o estado emocional dos colaboradores, é um fato. Quem nos emprega, entretanto, não tem papel de protagonista em nossa vida. Atua como mero cumpridor burocrata a quem devemos respeito e reciprocidade.
Patrão não existe
Esteja você trabalhando em regime CLT ou assumindo o próprio negócio, quem manda é você. O empregador faz a gentileza de carimbar a carteira profissional e providenciar um fundo de garantia que nos sirva de amparo financeiro. Só isso. O restante é conosco. Eis as provas:
O poder de decidir manter-se em altíssima e diária motivação é de quem mesmo?
O poder de escolha em relação a produzir muito ou fazer corpo mole é de quem mesmo?
O poder de investir cada vez mais esforços para ser reconhecido e promovido, sem desculpinhas do tipo “não adianta, aqui ninguém me reconhece”, é de quem mesmo?
O poder de ser uma pessoa de desejável convívio, dócil, terna e respeitosa com os pares e líderes é de quem mesmo?
O poder de motivar ou espezinhar quem convive muitas horas por dia ao seu lado é de quem mesmo?
No fim, a decisão de manter-se no emprego ou provocar a demissão, de produzir mais ou menos, de ser feliz ou infeliz no trabalho e de motivar-se ou desmotivar-se, é nossa.
Cuidado com aqueles que insistentemente tentarão convencer você de que motivação, livros, palestra ou treinamento não funcionam. Cada vez mais, quem pensa assim vai ficando sozinho, isolado e precisa angariar novos desmotivados. Se esta pessoa bater em sua porta, sugiro que ignore o chamado e nem pergunte “quem bate”. Ou a deixe entrar, mas saiba que sua motivação sairá pela janela.
A escolha, como sempre, é apenas sua!
Edilson Menezes é treinador comportamental e consultor literário. Atua nas áreas de vendas, motivação, liderança e coesão de equipes. ([email protected])

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