A gestão de dados no setor de consumo

Conhecer o cliente e a concorrência, estabelecer ecossistemas amplos e fornecer informações ao backoffice estão entre os principais desafios

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Com base no seu estudo “Governança de dados nas empresas do setor de Consumo”, a Minsait aponta que ao setor precisa crescer na implementação de estratégias de transformação e tratamento de dados, bem como rever políticas orçamentárias das organizações, de forma a consolidar uma cultura de dados. Segundo a análise, ao contrário dos Bancos e das Telcos, o setor do Consumo precisa estabelecer desafios de negócios, para poder crescer no mundo dos dados. O ambiente de grande competitividade, a falta de estratégia que defina a promoção das iniciativas de transformação de dados, assim como a ausência de ferramentas em tempo real para a simulação de decisões comerciais, são obstáculos à consolidação da gestão de dados no setor.

No Brasil, as empresas têm conhecimento da importância e do diferencial competitivo que a Governança de Dados agrega. Porém, organizações com um legado representativo bem estabelecido, demonstram que esse tema ainda é um grande desafio. Principalmente com o cenário de pandemia, diversas organizações começaram a buscar iniciativas de transformação digital, com o propósito de adaptar os negócios e estar de acordo com a mudança de comportamento dos consumidores. Comparado com a América Latina, o cenário brasileiro ocupa um posição de destaque, visto que há um mercado composto por grandes empresas e, ao mesmo tempo, um ecossistema de startups extremamente ativo. As empresas nacionais enxergam claramente que os novos modelos de negócio e a necessidade de adaptação têm a Governança de Dados como um diferencial.

DESAFIOS
O primeiro desafio para o setor do Consumo na sua gestão de dados citado pela Minsait na análise é sobre conhecer o cliente e a sua intermediação. Por existir uma quantidade elevada de intermediários, as empresas de consumo acabam por conhecer melhor o distribuidor do que propriamente o consumidor. Para chegar ao cliente, é necessário apostar em estratégias Sell-In e Sell-Out, com recurso a informações em tempo real, para aprimorar processos de reabastecimento e reduzir a falta de estoque nas prateleiras. Desse modo, evita-se a perda de vendas e é possível obter uma melhor rentabilidade e presença no mercado. Ademais, deve-se predominar as estratégias onde seja possível captar dados diretamente do consumidor e recorrer a ferramentas de monitoramento e análise de dados.

Conhecer a concorrência e realizar ações de inteligência competitiva é o segundo desafio apontado pelo estudo da Minsait. No e-commerce, por exemplo, são poucas as organizações que possuem soluções de análise de dados próprios, da concorrência e de venda confiável. O grande número de players no setor origina um ambiente muito competitivo, onde é constante surgirem novas referências para assegurar a contínua presença e consolidação da marca no mercado. É importante procurar o equilíbrio entre o market share, maximizar a demonstração de resultados e otimizar o sortimento. Para solucionar este terceiro desafio, é necessário realizar uma análise detalhada dos custos sobre a distribuição por marca e tipo de venda, tendo em conta as diferenças de sortimento e promoções.

O estudo da Minsait aponta também para a importância do desenvolvimento de políticas dinâmicas de preços, para garantir que diferentes promoções proporcionem um retorno no volume de vendas e na margem de referência da marca e ponto de venda. Por último, a otimização do sortimento passa por apostar em soluções de execução de vendas que identifiquem o posicionamento dos produtos nas prateleiras de acordo com a estratégia comercial para o linear. Assim, o cliente acaba por encontrar o produto rapidamente e levar outros que não estavam na lista. “É a loja perfeita”.

Muitas empresas têm informação da entrega no ponto de venda, mas poucas têm a informação em tempo real para análise do cumprimento dos acordos do serviço ao cliente, com o distribuidor nas rotas de reabastecimento. O desafio de estabelecer ecossistemas amplos com gestão de dados leva à necessidade de compartilhar informação do produto que facilita a manutenção de dados para todos os formatos e embalagens de produtos com potencial. A atualização de estoques em tempo real promove a colaboração entre fabricantes e varejistas na melhoria do abastecimento, sendo a coleta de dados essencial para garantir a informação adequada sobre unidades de venda.

O último, dos cinco desafios apontados pela Minsait, é o fornecimento de informações internas no processo do backoffice, agregando vários departamentos, desde os recursos humanos, financeiros, comerciais, industriais à logística. A solução passa por disponibilizar dados para aplicar corretamente incentivos e comissões aos vendedores com objetivos dinâmicos. Ao conseguir simular os dados em tempo real é possível verificar o efeito de certas decisões comerciais no cumprimento dos objetivos.