Brechó on-line na esteira do consumo consciente

CEO da Repassa expõe os fatores que explicam o sucesso do negócio que surgiu de um propósito

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Tadeu Almeida, CEO e fundador da Repassa
Tadeu Almeida, CEO e fundador da Repassa

Favorecido por um cenário de mais atenção aos fatores sociais e de sustentabilidade, o consumo consciente vai ganhando cada vez mais adeptos. É esse movimento que demarca o sucesso alcançado pela Repassa, startup brasileira cuja plataforma cresce três vezes ao ano em faturamento graças à sua especialização no fluxo de compra e venda de itens de moda usados. Unindo empreendedorismo bem-sucedido ao propósito social e ambiental, o brechó on-line vem provando que essa combinação é bem possível, conforme detalhou, hoje (01), Tadeu Almeida, CEO e fundador da Repassa, ao longo da 277ª live da série de entrevistas dos portais ClienteSA e Callcenter.inf.br.

Formado em publicidade e atuando no passado como diretor de arte de uma agência, Tadeu sentiu brotar uma veia empreendedora com apelo no sentido de agregar algo positivo à sociedade. Explicando de início a guinada que operou em sua trajetória profissional, ele afirmou que o objetivo era ganhar dinheiro de uma forma que contribuísse efetivamente para o bem da sociedade. Foi quando abriu sua própria agência de publicidade, tentando enveredar por caminhos mais nessa direção, até que, percebendo que, mesmo escolhendo clientes e trabalhos que possibilitassem entregar mais propósito, seu objetivo não prosperava, vislumbrou uma nova perspectiva: combinar os ganhos de escala que podiam ser vistos em disruptivos negócios digitais com esse anseio por uma contribuição social. O que o levou a utilizar todo o patrimônio conquistado até ali para investir na Repassa, plataforma fundada em abril de 2015. Em resumo, um brechó on-line atuando na intermediação de compra e venda de peças de roupa de segunda mão, mirando com isso também nas vertentes da solidariedade e da sustentabilidade.

“Percebemos que essa iniciativa atenderia minhas expectativas de atuar com valores positivos”, explicou, “e, ao mesmo tempo, representaria um potencial de bons ganhos financeiros. Pois sabemos que os negócios mais bem-sucedidos são aqueles que conseguem solucionar importantes anseios ou problemas das pessoas.” Nessa linha, a ambição do executivo era gerar impacto social e ambiental positivos que, com o crescimento, maior e mais ampla seria a contribuição. Ele atribui ao fato de, junto com sua equipe, trabalhar com um propósito desse tipo, a consolidação de uma empreitada que cresce três vezes ao ano em faturamento. “Isso depois de um início muito desafiador. O grau de incerteza estava dos dois lados do negócio: o quanto as pessoas estariam dispostas a vender on-line as roupas usadas e em qual medida o mercado responderia bem do lado da adesão nas compras. Sonhar grande dá o mesmo trabalho que sonhar pequeno. Então, acreditamos no potencial do negócio e deu certo.” E em um mercado que, segundo ele, cresce 25% a mais do que o varejo de moda tradicional.

 

Esse êxito responde com perfeição ao seu sonho do empreendedor, pois satisfaz as várias pontas envolvidas no negócio. Além de ajudar o meio ambiente ao expandir o ciclo de vida de um item usado, ajuda as ONGs que deixam de receber roupas de segunda mão para transformar em recursos e passam a contar com o dinheiro diretamente nas doações. Para quem vende, é uma forma de gerar renda com algo que não mais consome e, para quem compra, a possibilidade de pagar até 90% menos por uma peça em estado novo. Ou seja, um projeto lucrativo que ajuda também, de forma direta, mais de 30 instituições solidárias. “Trata-se de um consumo mais consciente e sustentável e em uma cadeia em que todos se sentem fazendo o bem. Um ambiente que conta com organizações cada vez mais tendo de aderir ao modelo de ESG, consumidores se engajando e uma mídia ativa nessa direção. Trata-se de um verdadeiro círculo virtuoso que se retroalimenta sem cessar provocando essa expansão de consciência. É o que se chama hoje de marketing 3.0: depois do foco no produto e na experiência, vem agora o das causas do bem.”

Dois anos depois de um início em que o modelo de negócio obrigava o vendedor do item a todo um esforço, incluindo o despacho da peça pelo correio, a Repassa deu uma guinada de profissionalização. Questionado sobre essa combinação de percepção de mercado com visão estratégica, Tadeu assegurou que foi necessário pivotar o modelo várias vezes. “É a busca constante de não fazer mais do mesmo, mas sim ganhar relevância conquistando clientes e levando-os a novas opções.” Nessa direção, observando e ouvindo os clientes, criando hipóteses e testando, a empresa chegou ao estágio de diminuir os esforços de vendedores e compradores. Também alavancando em grande proporção o crescimento da Repassa, surgiram nessa esteira as parcerias com grandes marcas, que aderem ao propósito, ganham com as recompras e permitem acesso da startup às suas significativas bases de consumidores. Entre os parceiros citados estão os varejistas de moda, ONGs e influenciadores digitais.

O vídeo com o bate-papo na íntegra está disponível em nosso canal no Youtube, o ClienteSA Play, junto com as outras 276 lives realizadas desde março de 2020. Aproveite para também para se inscrever. A série de entrevistas prosseguirá amanhã (02), na quarta especial, encerrando a semana com um debate sobre a questão da fadiga digital. Participarão Fernanda Caracciolo, diretora de gente e cultura da Raia Drogasil, Fábio Sato, diretor de novos negócios da Vitalk e Graciele Fagundes do Nascimento, head de RH da YPF Brasil.