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Negócio bem-sucedido de mobilidade com propósito real

Tatiana Mattos, head Brasil para a BlaBlaCar

Executiva da BlaBlaCar expõe os pormenores das vantagens trazidas pela plataforma de compartilhamento de viagens

A cultura da carona sempre respondeu a uma dor comum na questão da mobilidade, principalmente em longas distâncias. E, tal como em todos os problemas, potencializava soluções passíveis de se constituírem em oportunidades de negócio. Foi assim que nasceu, há 16 anos, na França, a ideia da BlaBlaCar, plataforma que viabiliza, com segurança, o compartilhamento de viagens, proporcionando melhoria na gestão individual de custos e consumo, menos fluxo de trânsito e comprovada contribuição para o conceito de mobilidade sustentável. Após superar os entraves culturais da desconfiança dos brasileiros quanto ao hábito da carona, a startup conseguiu expandir as atividades, desde 2015, quando chegou ao país. Inclusive durante o período da pandemia, se reinventou com a inclusão do de um marketplace de ônibus na comunidade de mais de 12 milhões de usuários que compõem atualmente a plataforma. Dando detalhes desse desenvolvimento e de que forma a resiliência da organização frutificou nessa transição, Tatiana Mattos, head Brasil para a BlaBlaCar, foi a convidada da 527ª edição da Série Lives – Entrevista ClienteSA, realizada hoje (26).

Apaixonada pelo tema da mobilidade, com carreira desenvolvida em startups como Uber e Zé Delivery, e, recentemente, promovida à liderança da BlaBlaCar no país, Tatiana destacou, logo de início, o encontro de propósitos desde sua chegada à organização. Ao falar do modelo do negócio, ela retrocedeu à história da empresa, surgida em 2003. O então estudante universitário francês Frédéric Mazella, ao tentar realizar uma viagem de Paris para o interior da França para visitar a família no Natal, por diversos motivos não conseguia fazê-lo pelos meios de transporte existentes. Sua irmã precisou fazer, então, o longo trajeto para ir buscá-lo. Na volta, ambos perceberam que havia diversos automóveis no percurso com apenas o condutor ocupando o veículo, detectando uma dor que poderia ser solucionada com a otimização do uso dos carros. Depois de uma maturação de três anos em cima da ideia, em 2006, ele funda a BlaBlaCar, plataforma com a missão de conectar os condutores dos veículos com passageiros, proporcionando o transporte individual compartilhado.

Após receber aportes de investidores e se expandir por outros países, em 2015, a startup chega ao Brasil, ainda com o conceito de gestora de caronas, mas já estudando a ampliação para um modelo de multimodalidade. Depois de enfrentar e quebrar aos poucos a natural resistência inicial dos brasileiros não acostumados à cultura do compartilhamento de viagens como na Europa, a empresa hoje já se configura em uma comunidade de mais de 12 milhões usuários cadastrados, que ocuparam mais de 70 milhões de assentos oferecidos. Segundo a executiva, algo que aconteceu também nessa trajetória foi a criação de um marketplace de ônibus, em função das circunstâncias adversas surgidas durante a pandemia ao modelo de negócio primordial. Ou seja, a empresa oferece agora, também, a intermediação entre as empresas de transporte rodoviário de passageiros e os interessados nas viagens.

De acordo com a executiva, o propósito dessa inflexão no modelo é o de não só ampliar, mas, também, empoderar essa comunidade conquistada. “Trata-se do objetivo de colocar na palma da mão do usuário a simplicidade de, com alguns cliques, escolher a sua forma de mobilidade, horários e preços de melhor conveniência. Com isso, expandimos também o impacto social causado pela conexão entre as pessoas nas viagens.” Em síntese, na sua avaliação, a empresa superou o momento com muita resiliência ao entender a necessidade de todos se reinventarem em termos de mobilidade no novo quadro trazido pela crise sanitária global. Como resultado, até de forma paradoxal, o negócio, em plena fase de isolamento social, de 2020 para cá, cresceu cerca de 40% na comparação ao ano anterior e mais 30% no período subsequente. A ideia do ecossistema junto às operadoras regulares de ônibus surgiu, nesse ínterim, ao perceber que as buscas de compartilhamento de viagens estavam visando rotas não atendidas pela empresa.

Além desse propósito de encontrar uma solução coletiva para dores individuais, que explica a crescente adesão à comunidade, Tatiana mencionou outros impactos positivos ocasionados nessa esteira. De acordo com pesquisa encomendada pela BlaBlaCar, com sua dinâmica, a startup consegue provocar uma redução de 1.6 milhão de toneladas na emissão de CO2 no planeta, anualmente. “Sem contar os benefícios para a sociedade em termos de diminuição de engarrafamentos no trânsito, economia de tempo das pessoas por meio da redução de veículos em movimento e esforços de deslocamentos. O que envolve, agora, também os ônibus, o transporte coletivo compartilhado.” Para ela, além dessa contribuição para o inevitável caminho da mobilidade sustentável, a economia individual de custos proporcionada aos condutores e viajantes acaba permitindo fomentar gastos em outros setores produtivos da sociedade.

Sobre as barreiras culturais à viagens compartilhadas, principalmente sob o ponto de vista da segurança individual, a executiva explicou que a plataforma conta com diversas ferramentas que ajudam a eliminar essa desconfiança por meio da construção de uma comunidade e uma experiência mais segura. Ela explicou como se dá o cadastramento dos componentes dessa comunidade – até chegar à concessão do “selo de perfil verificável” -, bem como esclareceu como se desenvolve a parceria com as operadoras de ônibus, além de dar detalhes de como a empresa mapeia e acompanha as jornadas dos usuários e parceiros, verificando o nível de satisfação em todas as pontas da coletividade envolvida.

O vídeo, na íntegra, está disponível em nosso canal no Youtube, o ClienteSA Play, junto com as outras 526 lives realizadas desde março de 2020. Aproveite para também para se inscrever. A Série Lives – Entrevista ClienteSA prossegue amanhã (27), recebendo Rodrigo Tozzi, diretor de customer experience da Kavak, que falará da aposta no Brasil, a partir dos clientes; na quinta, será a vez de Vitor Bertoncini, diretor executivo de marketing e clientes da RaiaDrogasil; e, encerrando a semana, o Sextou analisará o tema “Relações de consumo: Impactos das novas regras do SAC e do telemarketing”, com o convidado  John Anthony von Christian, presidente da ABT – Associação Brasileira de Telesserviços.

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