Pegos de surpresa com a Covid-19

Para nove em cada dez executivos, empresas não estavam preparadas para uma crise de grandes proporções

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Pedro Melo
Pedro Melo

O Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) realizou a pesquisa “Covid-19 (coronavírus) – Gerenciamento de Crises e o Papel dos Administradores nas Organizações”, que mostra como os administradores estão lidando com a pandemia e o que as empresas em que atuam têm feito para enfrentá-la. Ao olhar para o mercado, 90,2% dos respondentes acreditam que as empresas não estavam preparadas para lidar com crises de grandes proporções, como a da atual pandemia, que exijam o isolamento social e a paralisação total ou parcial das operações.

Quando questionados sobre o nível de preparo das organizações em que atuam, o cenário foi mais positivo. Para 28% dos administradores, suas empresas estavam preparadas, mesmo que muitas não tenham um plano estruturado de gerenciamento de crises. Outros 32% dos entrevistados indicaram estar parcialmente preparados e quase 40% reconheceram que não estavam prontos para lidar com um cenário tão adverso.

Além da percepção sobre impactos negativos, a pesquisa revela que, para 22% dos respondentes, a crise também pode gerar oportunidades de inovação e novos negócios. Eles consideram que o cenário atual trará efeitos positivos, de modo que possam rever suas estratégias e processos, bem como considerar a implementação de uma governança voltada à gestão de crises, maiores investimentos em tecnologia e segurança cibernética e mudanças nas rotinas de trabalho.

“Já estamos vendo algumas dessas consequências. As empresas estão investindo em tecnologia, estão implantando projetos que antes caminhavam a passos mais lentos. São transformações ágeis e, ao mesmo tempo, profundas”, diz Pedro Melo, diretor geral do IBGC. Segundo ele, a pesquisa é um foco de luz para administradores neste momento de tanta incerteza. “É hora de sermos resilientes, mas também transformadores. Não sabemos qual é a extensão da crise e a pesquisa nos traz informações norteadoras”, afirma.

A pesquisa também buscou aprofundar com os respondentes sua visão sobre o nível de preparação das organizações em quatro áreas: saúde e segurança das pessoas, tecnologia, obrigações legais e reserva financeira. Em relação a colaboradores, fornecedores e terceiros, 15% dos respondentes afirmaram estar despreparados, com plano de gerenciamento de crises que não prevê procedimentos que visem a saúde e a segurança das pessoas. O mesmo percentual foi registrado em relação ao preparo financeiro. 15% dos participantes da pesquisa informaram que suas empresas não têm reserva financeira para suportar a interrupção ou a paralisação de suas atividades por mais de dez dias.

“Não à toa, as principais preocupações apresentadas pelos participantes da pesquisa foram a avaliação dos possíveis impactos econômico-financeiros e os planos de proteção à saúde das pessoas, questões fundamentais à continuidade dos negócios e ao que se espera de uma empresa responsável e consciente de seu papel na sociedade. Outro tema que se mostrou relevante é comunicação, pois em momentos de crise é fundamental manter todos os públicos, internos e externos, adequadamente informados, e muitas vezes isso exige que as organizações revisem tanto a estratégia quanto seus planos de comunicação”, observa Luiz Martha, gerente de Pesquisa e Conteúdo do IBGC.