Segundo estudo, oito em cada dez tomadores de decisão reconhecem estar sob forte pressão para reduzir rupturas de estoque e melhorar a visibilidade em tempo real
O consumidor latino-americano está mudando mais rápido do que muitas organizações. Em um contexto de inflação persistente, maior comparação de preços e expectativas por experiências fluidas, as empresas enfrentam uma pressão crescente para operar com mais precisão, velocidade e visibilidade. O varejo, por seu contato direto com o cliente final, tornou-se um dos principais indicadores de como a tecnologia e a inteligência artificial estão redefinindo os modelos de negócio na região.
As constatações fazem parte do 18º Estudo Global Anual do Consumidor da Zebra Technologies, informando também que 60% dos compradores na América Latina afirmam ter saído de uma loja nos últimos três meses sem concluir a compra. Embora o índice represente uma melhora em relação ao ano anterior, ele ainda é o mais alto entre as regiões analisadas. Para analistas do setor, esse dado vai além do varejo: reflete fricções operacionais que afetam a confiança do consumidor e evidenciam os limites dos modelos tradicionais diante de um ambiente cada vez mais competitivo.
Um consumidor mais racional, exigente e menos fiel
O levantamento confirma uma mudança profunda no comportamento do consumidor: 78% afirmam que buscar promoções ou descontos é hoje mais importante do que antes, enquanto 81% dizem ter maior probabilidade de comprar quando recebem uma oferta personalizada. A sensibilidade ao preço se combina com uma expectativa clara de relevância, obrigando as empresas a repensar como utilizam dados, analytics e inteligência artificial para competir e proteger margens.
Esse novo contexto está transferindo a pressão diretamente para a operação. Mais de oito em cada dez tomadores de decisão reconhecem estar sob forte exigência para reduzir rupturas de estoque e melhorar a visibilidade em tempo real. A capacidade de antecipar a demanda, sincronizar canais e responder com agilidade tornou-se uma prioridade estratégica — não apenas tecnológica.
A lacuna entre estratégia e execução
Um dos achados mais relevantes do estudo é a distância entre o que as empresas acreditam oferecer e o que os clientes realmente vivenciam. Em processos-chave como disponibilidade de produtos, devoluções ou velocidade no pagamento, os executivos tendem a superestimar a satisfação do cliente em até 13 pontos percentuais. Essa desconexão, comum em organizações em processo de transformação digital, ajuda a explicar por que muitas iniciativas de crescimento não alcançam os resultados esperados.
O relatório “Dentro do varejo: o impulso do progresso” mostra que fechar essa lacuna é possível quando a tecnologia é integrada de forma efetiva à operação do dia a dia. As organizações que otimizaram significativamente seus fluxos de trabalho nos últimos dois anos registraram, em média, um aumento de 20% na produtividade dos colaboradores, ao reduzir tarefas manuais e melhorar o acesso à informação em tempo real.
Na América Latina, a percepção sobre a inteligência artificial é especialmente positiva: 95% dos colaboradores acreditam que a IA vai ajudá-los a ser mais produtivos — uma das taxas mais altas em nível global. Para especialistas em transformação digital, esse dado revela não apenas adoção tecnológica, mas também uma mudança cultural fundamental para a região.
Tecnologia, produtividade e vantagem competitiva
Longe de substituir o talento humano, a tecnologia está redefinindo seu papel dentro das organizações. Isso porque 71% dos consumidores afirmam ter uma experiência melhor quando os colaboradores utilizam ferramentas tecnológicas avançadas. Isso reforça a ideia de que o investimento em inteligência artificial, automação e dispositivos conectados vai além da eficiência operacional e se torna um fator de diferenciação competitiva e fortalecimento da marca, aplicável a múltiplos setores orientados ao cliente.





















