Como as expectativas do consumidor estão reescrevendo as regras do varejo para 2026

Segundo estudo, oito em cada dez tomadores de decisão reconhecem estar sob forte pressão para reduzir rupturas de estoque e melhorar a visibilidade em tempo real

O consumidor latino-americano está mudando mais rápido do que muitas organizações. Em um contexto de inflação persistente, maior comparação de preços e expectativas por experiências fluidas, as empresas enfrentam uma pressão crescente para operar com mais precisão, velocidade e visibilidade. O varejo, por seu contato direto com o cliente final, tornou-se um dos principais indicadores de como a tecnologia e a inteligência artificial estão redefinindo os modelos de negócio na região.

As constatações fazem parte do 18º Estudo Global Anual do Consumidor da Zebra Technologies, informando também que 60% dos compradores na América Latina afirmam ter saído de uma loja nos últimos três meses sem concluir a compra. Embora o índice represente uma melhora em relação ao ano anterior, ele ainda é o mais alto entre as regiões analisadas. Para analistas do setor, esse dado vai além do varejo: reflete fricções operacionais que afetam a confiança do consumidor e evidenciam os limites dos modelos tradicionais diante de um ambiente cada vez mais competitivo.

Um consumidor mais racional, exigente e menos fiel

O levantamento confirma uma mudança profunda no comportamento do consumidor: 78% afirmam que buscar promoções ou descontos é hoje mais importante do que antes, enquanto 81% dizem ter maior probabilidade de comprar quando recebem uma oferta personalizada. A sensibilidade ao preço se combina com uma expectativa clara de relevância, obrigando as empresas a repensar como utilizam dados, analytics e inteligência artificial para competir e proteger margens.

Esse novo contexto está transferindo a pressão diretamente para a operação. Mais de oito em cada dez tomadores de decisão reconhecem estar sob forte exigência para reduzir rupturas de estoque e melhorar a visibilidade em tempo real. A capacidade de antecipar a demanda, sincronizar canais e responder com agilidade tornou-se uma prioridade estratégica — não apenas tecnológica.

A lacuna entre estratégia e execução

Um dos achados mais relevantes do estudo é a distância entre o que as empresas acreditam oferecer e o que os clientes realmente vivenciam. Em processos-chave como disponibilidade de produtos, devoluções ou velocidade no pagamento, os executivos tendem a superestimar a satisfação do cliente em até 13 pontos percentuais. Essa desconexão, comum em organizações em processo de transformação digital, ajuda a explicar por que muitas iniciativas de crescimento não alcançam os resultados esperados.

O relatório “Dentro do varejo: o impulso do progresso” mostra que fechar essa lacuna é possível quando a tecnologia é integrada de forma efetiva à operação do dia a dia. As organizações que otimizaram significativamente seus fluxos de trabalho nos últimos dois anos registraram, em média, um aumento de 20% na produtividade dos colaboradores, ao reduzir tarefas manuais e melhorar o acesso à informação em tempo real.

Na América Latina, a percepção sobre a inteligência artificial é especialmente positiva: 95% dos colaboradores acreditam que a IA vai ajudá-los a ser mais produtivos — uma das taxas mais altas em nível global. Para especialistas em transformação digital, esse dado revela não apenas adoção tecnológica, mas também uma mudança cultural fundamental para a região.

Tecnologia, produtividade e vantagem competitiva

Longe de substituir o talento humano, a tecnologia está redefinindo seu papel dentro das organizações. Isso porque 71% dos consumidores afirmam ter uma experiência melhor quando os colaboradores utilizam ferramentas tecnológicas avançadas. Isso reforça a ideia de que o investimento em inteligência artificial, automação e dispositivos conectados vai além da eficiência operacional e se torna um fator de diferenciação competitiva e fortalecimento da marca, aplicável a múltiplos setores orientados ao cliente.

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