Estudo internacional de foresight sociocultural The Shifts revela tendências que vão orientar branding, inovação e packaging
A agência Extreme Brasil, grupo francês de consultoria em design, experiência e reputação, apresentou pela primeira vez no país o estudo de foresight sociocultural The Shifts, antecipando sete tendências com impacto em branding, design e inovação. Em um encontro exclusivo para executivos e imprensa na Câmara de Comércio França-Brasil, em São Paulo, Sarah Lacariat, strategic planner do Grupo Extreme em Paris, detalhou cada um dos movimentos e trouxe cases reais do mercado que já refletem esses sinais, revelando um cenário marcado por contrastes entre essencial e expressivo, silêncio e estímulo, humano e tecnologia.
Com eficácia comprovada ao longo de três décadas, o The Shifts é desenvolvido a partir de uma metodologia própria de análise sociocultural criada por Sophie Grenier de Warrens, chief strategy & innovation officer do Grupo Extreme. A partir do mapeamento de mudanças de comportamento, valores e códigos criativos, o estudo busca antecipar, entre dois a quatro anos, sinais que podem influenciar o desenvolvimento de marcas, produtos e experiências, especialmente nos mercados de alimentos, bebidas e cosméticos. O estudo é revisado regularmente e atualizado completamente a cada 18 meses.
As tendências identificadas nesta edição partem de um contexto sociocultural marcado por sobrecarga de estímulos, aceleração constante e transformações profundas nas relações entre indivíduos, tecnologia e sociedade. Nesse cenário, emergem movimentos que revelam novas formas de buscar sentido, expressar identidade e se relacionar com o consumo, muitas vezes a partir de tensões aparentemente opostas, mas que passam a coexistir.
No eixo da busca por sentido e desaceleração, tendências como Osoi, Sileo e Hushhh apontam para um movimento de introspecção e reconexão, seja com o essencial, com dimensões mais amplas da existência ou com espaços de silêncio e pausa em resposta a um mundo saturado de estímulos. O minimalismo da Osoi já encontra reflexo em movimentos como a escolha da Cor do Ano Pantone 2026, por exemplo, com uma proposta mais equilibrada e refinada. “Percebemos que o desejo por experiências mais conscientes, que valorizam clareza, profundidade e bem-estar ganham cada vez mais força”, analisou Sarah Lacariat.
Como um contraponto, surgem movimentos que exploram novas formas de expressão e impacto. Tendências como Extravaganza e Giggleboo revelam uma busca por linguagens mais marcantes e emocionais, seja por meio de elementos singulares e exuberantes que capturam o olhar, seja pela leveza, humor e códigos lúdicos que aproximam marcas e consumidores. No universo das marcas, o movimento Giggleboo se traduz em estéticas mais coloridas, narrativas irreverentes e uma criatividade que flerta com o surreal. “Observamos um retorno do lúdico e da imaginação como elementos estratégicos de conexão. Em meio a tanta sobrecarga de estímulos, experiências que despertam curiosidade, humor e emoção tendem a gerar identificação mais imediata com os consumidores”, afirmou Mariela Basile, business director da Extreme Brasil.
Já no campo da tecnologia, tendências como Me.IA.More e Haptik indicam uma transformação na relação entre humano e digital, com uma valorização da sinestesia, das texturas e do toque humano. Em um contexto em que a inteligência artificial ganha cada vez mais protagonismo, o caminho apontado pelo The Shifts não é a substituição, mas a integração. O caminho apontado pelo The Shifts é o equilíbrio entre a criação humana e tecnológica, posicionando a IA como uma extensão da identidade e da criatividade, não como protagonista.
“O que observamos não são tendências isoladas, mas tensões que estruturam o comportamento contemporâneo. As pessoas buscam, ao mesmo tempo, reduzir e intensificar, se proteger e se expressar, se desconectar e se expandir por meio da tecnologia. É nesse equilíbrio que surgem novas oportunidades para as marcas”, afirmou Sarah durante a sessão.
A conferência da Extreme Brasil em São Paulo evidenciou como essas dinâmicas globais podem orientar decisões estratégicas no contexto brasileiro, especialmente em setores de Fast-Moving Consumer Goods (FMCG), nos quais narrativa, percepção e experiência têm papel determinante na construção de valor. Para as marcas, essas tendências indicam a necessidade de atuar com mais precisão e sensibilidade, construindo propostas que vão além da estética e se conectam a novos critérios de valor, o que se traduz em plataformas mais claras, sistemas de design mais consistentes e experiências capazes de equilibrar funcionalidade, emoção e relevância cultural.
A apresentação marca um novo passo da operação brasileira, criada como parte da expansão internacional do grupo francês Extreme. Para Mariela Basile, a leitura apresentada pelo The Shifts ganha ainda mais relevância quando conectada às particularidades do mercado local. “O Brasil é um mercado extremamente criativo, diverso e em constante transformação. Quando cruzamos essa complexidade com uma leitura estruturada de tendências, conseguimos traduzir sinais globais em estratégias mais aderentes à realidade das marcas que atuam aqui”.





















