Luciana Minev e Suelen Scop

Governança de IA: sua empresa pode estar correndo risco

Não se trata apenas de fazer projetos de IA, mas de contar com lideranças que entendem e guiam a transformação

Autoras:  Luciana Minev e Suelen Scop

Temos sido muito questionadas sobre o uso de IA nas empresas e o real potencial do Brasil para se estabelecer como uma referência global. A resposta não é tão simples quanto parece, mas costumamos dizer que nosso país, com sua afinidade natural por tecnologia e experimentação, está um passo à frente dos demais.

No entanto, é importante ter em mente que a concretização desse futuro depende de uma abordagem estratégica e robusta, que precisa ser orquestrada por um C-Level verdadeiramente informado e engajado.

A grande barreira que observamos hoje não é puramente técnica, mas sim a falta de letramento e governança em IA, assim como o desconhecimento de determinados problemas e de como a tecnologia pode ajudar a solucioná-los. 

Ou seja, os principais entraves na liderança executiva estão profundamente enraizados em questões de cultura e mentalidade, não técnicas. O medo de “emburrecimento” e a preocupação de que as pessoas deleguem o pensamento à máquina estão entre os principais desafios a serem superados.

Neste ponto, entendemos que o letramento funciona como uma proteção, ensinando a discernir quando a IA substitui o pensamento e quando ela o amplia. A liderança precisa incentivar o pensamento analítico, a resiliência e o aprendizado contínuo para que a IA possa florescer. Simples atitudes podem fomentar uma cultura de experimentação e uso responsável, que serão fundamentais para o sucesso dessa jornada.

Superar esses desafios exige uma mudança de mentalidade. Não se trata apenas de fazer projetos de IA, mas de ser uma liderança que entende e guia a transformação. A capacitação é essencial, tanto para a base de funcionários quanto para a liderança, para que todos possam conhecer as possibilidades, os riscos e ter a capacidade de identificar problemas que a IA pode resolver. 

Neste contexto, a governança também é indispensável. Sem políticas claras e documentação robusta, e sem a compreensão do ciclo de vida e dos aspectos éticos da tecnologia, a tomada de decisões estratégicas se torna inadequada.

Por isso, se sua empresa não está atenta a essas questões, ela pode estar correndo risco. É preciso superar medos, entender que a IA é conversacional e para todos.  Fica claro para nós, como consultoras, que o que realmente falta para o C-Level é a coragem estratégica de sair do hype, investir em treinamento direcionado e desenvolver uma mentalidade de aprendizado contínuo para guiar a adoção da IA de maneira ética e com profundidade. Ao fazer isso, as organizações não apenas desbloqueiam o potencial transformador da IA, mas também se posicionam para o sucesso a longo prazo.

Luciana Minev e Suelen Scop são sócias e cofundadoras da Singulari Consultoria.

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