Ugo Roveda, head comercial e especialista em crédito com garantia de imóvel do Bari

O impacto da digitalização na concessão de crédito com garantia real

Os ganhos da digitalização são maior velocidade de análise e aprovação, custos operacionais menores e inclusão de clientes

Autor: Ugo Roveda

Nos últimos anos, a digitalização vem transformando profundamente o setor financeiro, e um dos segmentos que mais se beneficia dessa revolução é o crédito com garantia real. Ao integrar tecnologia, dados e automação a modelos tradicionais de concessão, instituições financeiras e fintechs estão não apenas ampliando o acesso ao financiamento, mas também reduzindo riscos, otimizando processos e ampliando a eficiência do mercado como um todo.

No Brasil, o ecossistema de crédito digital tem mostrado crescimento consistente ao longo dos últimos anos, mesmo em um ambiente econômico desafiador. Dados da Pesquisa Fintechs de Crédito Digital 2025, realizada pela PwC Brasil e pela Associação Brasileira de Crédito Digital (ABCD), revelam que as fintechs concederam R$35,5 bilhões em 2024, um aumento de 68% em comparação com 2023. Esse crescimento sólido não é apenas reflexo de um ambiente de maior demanda por crédito, mas também da adoção intensiva de ferramentas digitais para análise e concessão.

Um aspecto particularmente interessante dessa evolução é a maior incorporação de garantias nas operações: ainda segundo a pesquisa, em 2024, 77% das fintechs aceitam garantias, um salto significativo frente aos 34% registrados em 2021. Essa tendência indica que, à medida que os modelos digitais amadurecem, a utilização de garantias reais se torna um pilar estratégico para reduzir o risco das carteiras e oferecer condições mais competitivas aos tomadores.

Tecnologia redefinindo a avaliação de risco

A digitalização também tem impactado a forma como o risco de crédito é avaliado. Modelos tradicionais, baseados em histórico cadastral limitado e análise manual de documentos, estão sendo substituídos por sistemas automatizados que combinam inteligência artificial (IA), aprendizado de máquina e análise de dados alternativos. Relatórios internacionais como o da Industry Research que abordam o mercado global de digital lending, mostram que cerca de 67% das instituições financeiras usam IA e automação para acelerar processos de crédito, além de implementar plataformas digitais que reduzem a necessidade de intervenção humana e aumentam a assertividade das decisões.

Para o crédito com garantia real, isso significa que a tecnologia não apenas agiliza a concessão, como também refina a precificação do risco do colateral, permite prever potenciais inadimplências e ajusta as condições de crédito em tempo real conforme o perfil do tomador. Uma evolução que seria impraticável sem sistemas digitais avançados.

Os ganhos da digitalização são claros: maior velocidade de análise e aprovação, custos operacionais menores e inclusão de clientes tradicionalmente excluídos pelos modelos convencionais. Além disso, o uso de garantias reais, como imóveis, bens ou recebíveis, incorporado a plataformas digitais robustas, permite melhores taxas de juros e maior segurança para os credores, equilibrando risco e retorno.

Entretanto, esse avanço não está isento de desafios. A digitalização expõe instituições a maiores riscos de segurança cibernética e requer investimentos contínuos em proteção de dados e compliance regulatório. Além disso, a integração de sistemas e a harmonização de normas jurídicas para registro e execução de garantias ainda demandam evolução, especialmente em mercados emergentes como o Brasil.

Por fim, não podemos discordar que o impacto da digitalização na concessão de crédito com garantia real é, sem dúvida, um dos pilares da modernização do sistema financeiro contemporâneo. Ao mesmo tempo em que aumenta a eficiência e a acessibilidade, a tecnologia redefine a forma como o crédito é avaliado, concedido e gerido, com garantias reais desempenhando um papel central na mitigação de riscos.

Em um cenário em que fintechs e instituições tradicionais competem e colaboram pelo protagonismo no mercado de crédito, a tecnologia não é apenas uma vantagem competitiva, é uma condição necessária para a sustentabilidade e expansão do setor, beneficiando tanto credores quanto tomadores e contribuindo para um ecossistema financeiro mais robusto e inclusivo.

Ugo Roveda é head comercial e especialista em crédito com garantia de imóvel do Bari.

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