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Amizade e negócios combinam?

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Tem sido bastante comum, principalmente entre jovens recém-formados, a intenção de abrir seu próprio negócio. Esta tendência foi identificada pela qualificação que o Brasil atingiu como o terceiro país com maior índice de empreendedorismo, segundo o Global Entrepreneurship Monitor (GEM) 2009.

Além disso, nos bancos universitários, cada vez mais as disciplinas acadêmicas expõem essas aspirações e colocam os alunos em uma dimensão pró-ativa. É aí que nasce a pergunta: abrir um negócio próprio sozinho ou com sócio(os)? Será verdade o dito popular: amigos, amigos, negócios à parte?

A sociedade entre amigos tornou-se muito comum. No entanto, é preciso ficar atento para que o sonho de trabalhar com um velho conhecido não se torne pesadelo. Esse tipo de sociedade é como se fosse um casamento, mas com dinheiro. Se a parceria não estiver sólida, mas a empreitada der certo, o pensamento será: por que preciso de um sócio? Agora, caso dê errado, a culpa será do outro.

Por essa razão, é necessário conhecer realmente a pessoa com a qual se dividirá o empreendimento. Para isso, analise os comportamentos de seu amigo. Na maioria das vezes, o lado pessoal se reflete no ambiente de trabalho.

Pergunte a si mesmo se seus amigos estão aptos a se tornarem sócios, analisando: Quais as minhas competências e as do meu colega? Como lidamos com problemas? Qual é o nível de confiança que deposito nele? Estas são só algumas das questões a serem avaliadas antes de decidir algo.

Passado esse item, é hora de deixar claro, desde o princípio, quais são as expectativas de cada um em relação ao negócio. A fim de que o negócio alcance sucesso, o ideal é que os sócios tenham habilidades profissionais complementares, para se comprometerem formalmente com cada decisão. Assim, as chances são maiores. Não adianta ter dois sócios que vendam muito bem e ninguém que entenda de produção, por exemplo. Todavia, é positivo que as habilidades se complementem desde que não haja conflito devido à valorização de uma determinada área em detrimento da outra.

A questão mais delicada em uma empresa, o investimento, também pode ser alvo de atritos. O mais recomendado é que a responsabilidade seja meio a meio. Caso contrário, um sócio acaba se sentindo mais dono que o outro. Entretanto, se por algum motivo, um dos sócios investir mais na abertura da empresa, ambos terão de combinar uma maneira para que tenham poderes iguais no comando do negócio, senão a sociedade afunda antes mesmo de começar. Outro ponto que merece cuidado é a maneira pela qual será feita a administração financeira, pois o caixa é da empresa e não do bolso dos sócios.

Nessa questão vem o alerta máximo: o ingresso de familiares e agregados é sempre motivo para dores de cabeça. Há necessidade de ficar claro entre os sócios se familiares poderão trabalhar na empresa ou, até mesmo, se haverá espaço para o palpite de cônjuges, que, geralmente, só atrapalham o desenvolvimento do trabalho.

Vencidas estas questões e diante de tais situações, o que se espera é que haja desprendimento entre as partes, capacidade de compreensão, ética no relacionamento, conversas abertas e maduras, e muito trabalho. Dessa maneira, a sociedade dá certo, os negócios dão certo e a amizade estará preservada. Por muito tempo… e com dinheiro no bolso.

Lívio Giosa é presidente do Cenam; vice-presidente da Advb e coordenador-geral do Pnbe. E-mail: [email protected]

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