Cadê os clientes 3.0?

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Em seu último livro, “Marketing 3.0”, Philip Kotler comenta sobre a nova postura das empresas frente ao mercado. Os clientes modernos não compram apenas pelo valor pago ou pela marca. Eles comprarão os “valores” gerados pelas empresas que os fabricam e comercializam. Por isso, é preciso que as empresas tratem os clientes como seres humanos, dotados de corpo, mente e espírito. Não basta ter o melhor produto, é necessário agora uma postura frente ao planeta e ao futuro.

Recomendo fortemente a leitura, que já esta modificando a maneira das empresas se comunicarem com os clientes. Os conceitos refletem uma mudança na maneira de pensar (e de ser influenciado a comprar) dos consumidores nos últimos anos. Antes, o principal na decisão de compra era a “marca” (marketing 1.0) e a força desta na decisão de compra. É fácil lembrar-se de campanhas publicitárias como “Não é uma Brastemp” e de como as empresas alinhavam as estratégias de marketing às marcas.

Com a alta pressão dos genéricos e a facilidade de clonar produtos, a onda mudou para intimidade com os clientes e gestão dos relacionamentos (marketing 2.0). Com ela veio a busca desenfreada de fidelizar por aproximação, “falar a língua dos clientes”. Passou-se a desenvolver produtos que na visão dos clientes são importantes e, sobretudo, na linguagem deles, que atendam seus anseios e necessidades, muitas vezes na nova forma de viver.

Agora que todas as empresas conversam com seus consumidores (pelo menos tentam), elas começaram a descobrir que a cabeça deles também mudou. A moda é sustentabilidade, valores pessoais e proteção ao meio ambiente. O pensamento está voltado para o futuro. Lembro que essa onda iniciou-se alguns anos atrás no sistema financeiro com um banco (que por sinal, já foi comprado e está sumindo, infelizmente) que não realizava empréstimos a empresas madeireiras na região amazônica. E recentemente vi a nova propaganda da Coca-Cola e seu apelo de sustentabilidade. Porém, cabe as empresas identificarem o limite de exposição. O novo consumidor também tem a capacidade de perceber quem faz de coração e quem está fazendo de conta.

O discurso de todas as empresas é que vão plantar árvores e não irão mais poluir o planeta. No entanto, será que as empresas não estão refletindo nossa postura enquanto consumidores? Na minha opinião, a sacolinha plástica é a invenção mais inovadora já encontrada pelas empresas para o auxilio no transporte dos produtos da loja a casa do cliente. Que culpa elas têm se o consumidor as reutiliza de forma errada. O que falta ao povo é cultura ambiental e a culpa não é das empresas, afinal “educação é um direito de todos”. Basta enviar para reciclagem ao invés de usar como saco de lixo: menos poluição ambiental e mais empregos diretos e indiretos. Isto é sustentabilidade!

Precisamos mudar nossa cultura pessoal e nos tornarmos verdadeiros clientes 3.0. Chega de coloca a culpa nos outros. Vamos fazer a nossa parte, começando com gestos simples.


Marcos Fabio Mazza é gerente de projetos de integração Supply & Business na Syngenta.

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