Crédito sim, mas com inteligência

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A inadimplência do consumidor registrou crescimento de 4,8% em abril de 2012, na comparação com março, segundo Serasa Experian. Essa foi a maior variação mensal para esse mês desde 2002. Na relação anual, o indicador teve alta de 23,7%. E no fechamento dos quatro primeiros meses do ano, o índice aponta alta de 19,6%. Estamos perto de uma crise? Não. Essa é a opinião de Fernando Manfio, presidente da GoOn, consultoria de risco de crédito.  “É uma questão de safras. Demos muito crédito no passado, em alguns setores mais que outros, como automóveis. Mas isso não significa que é preciso parar de ofertar crédito”, explica. Tanto que cientes do cenário, o mercado já vem estruturando ações, principalmente apoiados em inteligência, como ficou claro nos cases apresentados no Fórum GoOn, realizado no final de maio em São Paulo. Segundo Manfio, a inadimplência tende a diminuir a partir do momento em que a empresa faz uma oferta de crédito com critério, aumentando a carteira com qualidade. “E o mercado já vem percebendo que a saída é o crédito inteligente. Ou seja, ter ferramentas e estratégias para conceder de uma maneira consciente.”


Quem já está seguindo essa cartilha é a Rede de Lojas Marisa, que revisou a plataforma de concessão de crédito. Com o projeto a empresa conseguiu atender as diferentes estruturas de lojas que possui, além de centralizar a decisão de crédito. Hoje, são 200 mil novas propostas por mês e participação de 46% do cartão nos negócios da Marisa. Mas os principais benefícios, apresentados no Fórum, são a criação de modelos flexíveis de decisão, maior participação da área comercial nas vendas e aumento de 50% na produtividade e no Tempo Médio de Atendimento da mesa de crédito. Quem também vem colhendo bons números após levar inteligência para a concessão de crédito é a White Martins, que, com investimento em pessoas, processos e tecnologia, chegou a um processo de venda e cobrança mais rentável e controlado. A indústria automatizou a análise de risco, estabeleceu limites diferentes para cada cliente e passou a monitorar o crédito e inadimplência. Na prática, as mudanças resultaram em crescimento de 75% nas vendas e queda de 62% na inadimplência. Já a Cyrela está em pleno processo de transformação da área de crédito. O crescimento do mercado imobiliário nos últimos cinco anos exigiu uma profissionalização da área de gestão de risco. Em 2010, a empresa renovou a equipe de gestão estratégica de crédito. No ano seguinte, revisou as políticas de crédito, cobrança e repasses, e agora, implementou um modelo de credit score interno. “É importante agir com consciência e inteligência. A empresa pode até não crescer tanto a carteira quanto acha que deveria, mas cresce com consistência e inadimplência controlada”, conclui Manfio.