O furacão da transformação empresarial

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Você está preparado para a revolução da colaboração em massa? É bom que esteja pois esse fenômeno vai mudar a sua vida. Esse é o resultado de uma pesquisa que custou 9 milhões de dólares, conduzida pelo renomado autor canadense Don Tapscott. O seu novo bestseller – Wikinomics, em parceria com o inglês Anthony D. Williams, demonstra o impacto de novos conceitos como compartilhamento, comunidades e auto-organização. E prova a força das armas de colaboração em massa.

 

As empresas se organizavam em padrões rígidos de hierarquia e controle. A subordinação prevalecia em toda a cadeia – funcionários e gerentes, produtores e consumidores. Embora as hierarquias não estejam desaparecendo, as novas tecnologias, a demografia e a economia globalizada estão fazendo surgir um novo modelo. Esse é o roteiro de Wikinomics, um mapa das mudanças mais profundas na sociedade atual.

 

A “tempestade perfeita” está naufragando as velhas empresas a cada onda de mudança. A internet de ontem foi o ponto de partida para a criação da força coletiva. Turbinada com blogs, wikis, salas de bate-papo, transmissões pessoais e outras formas de comunicação peer-to-peer, a internet agrega o conhecimento coletivo e a capacidade computacional de bilhões de pessoas. Uma sociedade amorfa, descentralizada que se auto-organiza e gera o seu conteúdo de notícias, entretenimento e seus próprios serviços.

 

A democracia da internet criou o conceito de peering, ou seja, pares ou parceiros. Os pioneiros do peering provaram que milhares de voluntários espalhados pelo planeta podiam criar projetos rápidos e inovadores. Na maioria das vezes, tais projetos têm desempenho igual ou superior aos seus similares, criados com grandes investimentos das corporações. Neste grupo podemos destacar projetos como a Wikipedia e o sistema operacional Linux.

 

O mundo tornou-se um grande departamento coletivo de pesquisa e desenvolvimento. Surge um novo conceito – Ideágoras, um mercado emergente de idéias, invenções e mentes singularmente qualificadas. Basta cruzar as necessidades internas com as idéias externas disponíveis que chegaremos a um quociente correto. Investimentos de risco, redes exclusivas de fornecedores e até parcerias com clientes, enfim, um leque completo de caminhos para a inovação.

 

Surgem os prosumers – clientes que participam da criação dos produtos de forma ativa e contínua. Um dos exemplos mais conhecidos é o Second Life, onde os usuários co-produzem e inovam o produto que eles consomem. Desta forma, a co-inovação com os clientes se torna autônoma e o novo desafio é a utilização do capital intelectual das comunidades de prosumers.

 

A capacidade da humanidade de gerar novas idéias é a fonte da arte, da ciência e do desenvolvimento econômico. Os “novos alexandrinos”, ou a ciência do compartilhamento, fará a sociedade progredir mais  rapidamente. Desenvolveremos tecnologias inovadoras para o progresso da saúde, para reduzir os danos ambientais e até mesmo desbravar o universo. A ciência colaborativa é feita em grande escala nos espaços públicos de conhecimeto pré-competitivo. Um dos exemplos desse conceito é o projeto para sequenciar o genoma humano.

 

As mentes colaborativas exploram o poder de pensar diferente de forma notável. Exemplos da velha economia, como Goldencorp, Boeing e Procter & Gamble, ícones da economia digital como Yahoo e Google, ou os frutos da Web 2.0 como Flickr, Second Life e YouTube, todos têm um ponto forte em comum. São empresas que reescreveram as regras da concorrência através de reservatórios externos de talento.

 

Enfim, Wikinomics não trata apenas de redes sociais, códigos abertos ou conhecimentos coletivos de voluntários. O livro propõe a utilização sistemática dos quatro princípios básicos de Wikinomics – abertura, peering, compartilhamento e ação global. Essa é a força propulsora para a inovação e uma criação de valor em uma escala sem precedentes. Esteja pronto para a força de Wikinomics pois já não é mais uma tendência. Com um pouco de arte e ciência, a mudança já começou. E veio para ficar.

 

Marco Barcellos é diretor de marketing da Cisco Brasil. E-mail: [email protected]

 

 

Ficha Técnica do Livro

Wikinomics – “Como a colaboração em massa pode mudar seu negócio”
Don Tapscott & Anthony D. Williams
Editora Nova Fronteira – 2007 (367 páginas)