TV Digital – Vai ser bom, não foi?

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A maioria de nós não tem idade para lembrar quando a TV apareceu no Brasil. Mas parece que foi ontem. De repente, o rádio deixou de ser o centro das atenções e a máquina de fazer doido, como dizia o imortal Stanislaw Ponte Preta, assumiu o lugar de honra da casa, como o rei ou a rainha dos eletrodomésticos, criando categorias novas, que logo seriam substituídas por outras, cada vez mais velozmente. Alguém lembra do televizinho? Houve um tempo, sim senhor, em que as pessoas assistiam os programas da televisão na casa dos vizinhos mais afortunados. Tempos do Repórter Esso, das Festivais da Record, pouco antes que a Globo começasse a montar seu império monopolístico, sua audiência acachapante.


 


Piscamos e o televizinho sumiu. No lugar dele, vieram os “couch potatoes”, com a televisão na contramão da geração saúde, jogando o telespectador no sofá, passsivo, mexendo apenas o dedo da mão direita para trocar de canal no controle remoto e a mão esquerda para pegar mais uma batatinha. E agora, com a interatividade de um lado, a TV tomando o lugar do computador, do vídeo-game, integrando funções, e a portabilidade do outro, os programas passando nos palms, nos celulares e sabe-se mais lá aonde, o que virá? E o que virá depois disso, que certamente passará tão rápido que talvez nem nos demos conta?


 


Com esse raciocínio, fiz a introdução da palestra. O objetivo era chamar logo de cara a atenção da platéia para a velocidade louca em que vivemos. Em seguida, tratei de apresentar a agenda. Para melhor compreensão de todos, inclusive a minha, dividi o assunto em 6 partes: 1. Alguém tem um mapa?, 2. Forças em Ação, 3. O que define a TV Digital, 4. A Era da Convergência, 5. Obstáculos a Superar e 6. De Volta para o Futuro. Vou tentar resumir os principais pontos de cada um desses capítulos.


 


Alguém tem um mapa? Não, ninguém tem um mapa. Ninguém sabe exatamente o que vem pela frente. Como diria o grande poeta espanhol José Machado, “camiñante no hay camiño, ele camiño se hace al andar”. É bem verdade que há forças econômicas e políticas, lutando bravamente para controlar este admirável mundo novo que a TV digital permite vislumbrar. A luta pelo padrão é a ponta do iceberg dessa tentativa desesperada de manter as coisas sob controle. Em vão, porém. Toda inovação traz em si uma expectativa de comportamento. Que é logo desmentida pela realidade. Esperava-se que o carro simplesmente substituísse a carruagem. A tal ponto que um estudo nos primeiros anos do século XX dizia que o mercado tinha capacidade de absorver apenas um milhão de automóveis. Pois esse era o número de famílias com capacidade de contratar um chauffeur, o substituto do cocheiro. O autor do estudo simplesmente deixou de considerar a possibilidade de milhões de pessoas dirigindo seus próprios veículos. Essa não era sua expectativa de comportamento.


 


Quanto às forças que impulsionam o surgimento da TV digital e a direção que deve tomar nos próximos anos, podemos listar as quatro principais: Instantaneidade, Interatividade, Informação e Identidade. Falarei sobre elas no próximo artigo.


 


Aviso – Interrompo temporariamente a série Memórias de Um Sargento para apresentar o resumo de palestra proferida dia 26 de abril último, no 3º. Simpósio de Comunicação da Universidade Católica de Santos, e que deverei repetir em 18 de maio na Faculdade de Arte e Comunicação, da Universidade de Passo Fundo, RS, sobre o tema Publicidade e TV Digital.


 


Até lá.

Fernando Guimarães, sócio-diretor da M4R Marketing For Relationship. Email: [email protected]

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