Vamos ao que interessa!

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Não conseguiremos mudar a situação geral do país sem a geração acelerada de novos empregos. Anualmente mais de 1 milhão de jovens chega ao mercado de trabalho sem a menor perspectiva de conseguir uma colocação remunerada, um trabalho, um emprego. Para agravar este quadro, ressalte-se que por conta de diversos fatores, este jovem chega com pouca qualificação para enfrentar o competitivo e restrito mercado de trabalho existente.

Some-se a estes jovens o exército de pessoas na faixa de 30 a 40 anos, que por diversos motivos estão fora do mercado, a procura de emprego, poderemos ter uma noção do caos social que se avizinha, traduzido em índices de desemprego superior a 13% da população economicamente ativa do Brasil.

De quem é a culpa?

Desnecessário discutir esta questão. A resposta, caso exista, não nos levará a lugar nenhum e só fará com que percamos o foco do real problema: precisamos gerar mais oportunidades de trabalho para as pessoas. Não podemos passar para a história como a geração que desconsiderou a necessidade básica do ser humano pela liberdade e auto-sustento. Claro, pois é isto que representa o emprego, o maior exercício de liberdade que o ser humano pode experimentar. Ter sua própria renda, definir seu futuro, fazer suas escolhas, tornar-se um cidadão.

O setor de contact center vem dando sua contribuição de maneira eficiente e eficaz para a questão da geração de oportunidades de trabalho no Brasil. Estruturado profissionalmente há pouco mais de 10 anos no país, as operações de contact center em todas as suas formas, desde o telemarketing até as centrais de relacionamento com clientes, vêm crescendo a taxas próximas de 20% ao ano nos últimos 5 anos, fazendo com que se atinja uma massa de empregos diretos próximos de 500 mil trabalhadores.

São 500 mil empregos dentro do que há de mais moderno e atual em termos de ocupação para o ser humano: utilização intensiva de tecnologia, aprendizado para o trabalho em equipes, desenvolvimento das habilidades de comunicação, capacitação e treinamento constante e exercício de questões éticas ligadas ao trabalho.

Anualmente as empresas do setor recrutam, selecionam, treinam e contratam milhares de novos colaboradores. Em especial dois perfis são preponderantes: Jovens em seu primeiro emprego (atualmente representam mais de 40% da mão-de-obra do Setor) e cidadãos na faixa de 30 a 40 anos (na sua maioria mulheres) que querem retornar ao mercado de trabalho ou buscam novas perspectivas para reposicionamento pessoal e profissional.

Dando um exemplo ao país, o setor de contact center vem cada vez mais contribuindo para a formação de uma nova geração, participando na formação integral do ser humano. Muitas das empresas do setor desenvolvem programas de responsabilidade social e cada vez mais, as empresas estão implantando Universidades Corporativas com o objetivo de dar oportunidade para que seus colaboradores façam cursos universitários, conquistando o direito a um diploma de nível superior e certificando-se como profissionais de primeira linha.

Esta é a realidade de um setor que cresceu e se desenvolveu sem verbas públicas, sem benefícios fiscais e sem nenhum subsídio de qualquer espécie. Pelo contrário, é um setor muito pouco conhecido pelo poder público, obrigado a seguir legislações caducas e sem sentido, feitas para a velha economia, não para a economia digital de resultados, como a atividade de contact center.

Mas não vamos ficar aqui reclamando! Ate porque isto não nos levará a lugar algum e não podemos perder tempo procurando culpados. Vamos trabalhar! A recém empossada Diretoria da Associação Brasileira de Telemarketing (ABT), fundada em 1986 quando a atividade de contact center era traduzida de maneira simplista pelo nome de telemarketing, já tomou a firme decisão de reposicionar o setor como uma dos mais importantes do país no que diz respeito à geração de emprego e renda. As oportunidades existem e poderão, se bem aproveitadas, viabilizar um forte crescimento do setor, inclusive com a exportação de serviços de contact center para outros países, a exemplo do que hoje fazem as Filipinas, Índia e países da América Central.

Temos convicção de que o plano de trabalho que está sendo desenvolvido pela ABT, com o apoio de outras entidades, será capaz de demonstrar à sociedade que o setor está cada vez mais se profissionalizando, aprimorando as questões éticas no relacionamento com os clientes e buscando sempre novas formas de continuar gerando empregos para a população brasileira.

Topázio Silveira Neto é Presidente da ABT e vice presidente da Softway