Executivos de DEA Design, Nice House e IN Digital fazem um balanço do que foi apresentado no evento, destacando a IA como aliada, a convergência de áreas e um consumidor que busca equilíbrio entre hiperconexão digital e experiências humana
A tecnologia vem avançando rapidamente. Porém, é preciso olhar para ela como algo que amplia — e não reduz — o papel humano na experiência do cliente. Há a necessidade de profissionais assumirem protagonismo estratégico, indo além da execução para transformar culturas e ambientes de trabalho. Nesse cenário, a inteligência artificial é posicionada como ferramenta complementar. Esses foram alguns dos destaque do SXSW 2026 levantados pelos convidados, de hoje (20), da Série Entrevista ClienteSA, assim como a percepção de que sinais de cansaço digital indicam uma revalorização de experiências off-line e mais significativas e que a convergência entre diferentes áreas do conhecimento reforçou o valor de conexões multidisciplinares. O bate-papo reuniu Mariana Caram, sócia fundadora da DEA Design, Mari Galindo, cofundadora e CEO da Nice House, e Rodrigo Tavares, partner na IN Digital.
Iniciando a troca de insights, Tavares registrou que voltou do evento trazendo na bagagem a certeza de que, apesar do avanços da IA, o espaço para o ser humano é imenso, embora com diferenças também grandiosas de atuação e importância. “Nosso papel não é o de sermos táticos e operacionais, mas de assumirmos o protagonismo na construção de soluções, mudando ambientes, culturas, transformando completamente o jeito de trabalhar.”
Já Galindo, em seu destaque inicial, comentou que os brasileiros interessados em conhecer muitas novidades no SXSW se frustraram, pois a distância do que acontece aqui com o que ocorre lá encurtou demais. “Na minha opinião, o SXSW não é, neste momento, um lugar onde vamos ver algo que nunca havíamos visto. Vamos, na verdade, para calibrar o que já está sendo visto por todos, porém em percepções individuais. Essa questão de narrativa é muito forte.” Nesse sentido, ela constatou que os brasileiros não estão muito atrás, inclusive com participação efetiva dentro do evento mostrando a importância do País com sua contribuição em termos de infraestrutura tecnológica. “Apenas sinto que ainda participamos desse festival falando com os próprios brasileiros ali presentes e não de uma forma mais global.”
Complementando essas colocações, Caram afirmou que a riqueza do SXSW está no cruzamento das áreas e das informações. “Já não estamos olhando apenas para a criatividade no nosso setor, mas mirando também a saúde, a tecnologia, etc. O evento, neste ano, se reinventou, sendo obrigado a se espalhar por toda a cidade de Austin (em função da remodelação do Centro de Convenções), permitindo-nos caminhar mais, olhando com as ofertas de conteúdos ao redor com muita variação, indo de palestras de astronáutica e Força Aérea, até de áreas de saúde, arte, como Steven Spielberg. Isso tudo nos leva a refletir e realizar trocas, com grande permeabilidade de áreas.” Inclusive, a grande lição deixada por Spielberg, na concepção da executiva, foi a de ele ser o condutor da IA e não o contrário. “Ele a usa não como uma protagonista, mas como um elemento complementar, acessório e invisível.”
Sobre uma questão trazida pela audiência, sobre a geração Z, Galindo se propôs a opinar. “Desde o ano passado, a Nice House estuda muito essa geração e já havíamos notado uma tendência reversa à da hiperdigitalização. Cada vez mais vemos, nas redes sociais, pessoas afirmando que se encontram em um período sabático ou detox digital.” Nesse sentido, cabe, às marcas, segundo ela, encontrarem formas de chamarem a atenção e serem impactantes também no off-line.
Em cima de uma outra provocação da audiência, sobre o que mais os impressionou no SXSW, Rodrigo apontou o fato de sair da “bolha” de CX, e se deparar com temas muito distintos que acabam se conectando com a área. Além disso, impressionou o executivo também a apresentação de um brasileiro que cria cérebros artificiais para realizar pesquisas na área de saúde. Galindo se impressionou com uma palestra da psicoterapeuta Esther Perel, que levou um estudo de caso de uma pessoa que se relacionava com uma IA. E Caram destacou um painel sobre a decodificação dos sons da natureza.
O vídeo, na íntegra, está disponibilizado no nosso canal do YouTube, o ClienteSA Play, junto com as outras 1300 lives realizadas desde março de 2020, em um acervo que já passa de 4,1 mil vídeos sobre cultura cliente. Aproveite para também se inscrever. A Série Entrevista ClienteSA volta, na segunda-feira (23), trazendo Leonardo Guedes, gerente executivo de marketing da Cantu, que falará da tecnologia e experiência do cliente como pilares do crescimento; na terça, será a vez de Deborah Mechi, gerente de marketing da HOYA Vision Care Brasil; e na quarta, Luiz Gonzaga Foureaux Neto, vice-presidente de estratégia e marketing da Rede Américas.
Já na quinta, em comemoração aos seis anos do programa, um encontro debate “Cultura cliente: O legado de uma transformação”, reunindo Cezar Taurion, CEO da Redcore, Adriana Frantz, lead analyst da TGT ISG, Celso Tonet, diretor de experiência do cliente da Claro, José Nery, head de inovação e transformação digital da HPE Automotores (Mitsubishi Motors e Suzuki Motor), e Marcos David Santos, diretor de operações na Positivo Tecnologia. E, encerrando a semana e dando continuidade na comemoração, um bate-papo com o tema “Cultura cliente: O legado com resultados práticos”, reunindo Betania Gattai, gerente de Consumer Engagement Centre da Unilever para Latam e Brasil, Eduardo Morelli, sócio e COO da Marisa.Care, Rafael Lindemeyer, diretor sênior de clientes da Ipsos, Rodrigo Padilha, vice-presidente de negócios e serviços ao consumidor LATAM do Electrolux Group, e Rodrigo Tavares, partner na IN Digital.





















