Ckapt: dos desafios ao reconhecimento

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Deixando o cargo de analista financeira para o setor de marketing da Johnson & Johnson, Maria Inês Moraes transferiu-se para um banco inglês. Mas, não se adaptando ao esquema de serviço do banco, abandonou-o e passou 40 dias pensando em criar um negócio próprio. Incentivada pelo amigo de faculdade Jordi, Maria Inês decidiu criar a Ckapt, que inicialmente prestava serviços de mala direta. “Na época foi uma loucura, porque eu não havia feito nenhum tipo de pesquisa ou análise de mercado”, recorda a empresária.

A entrada da Ckapt no setor de telemarketing e callcenter aconteceria algum tempo depois. Tudo começou com um conhecido que lhe entregou um cadastro de noivos e noivas, para que ela desenvolvesse um sistema de contato através de banco de dados, destinado a oferecer os serviços de seu bufet. “Foi nesta ocasião que comecei a perceber o que era a análise de informação, a personificação e sua importância no mercado”, afirmou Maria Inês.

A empresária então determinou-se a investir no negócio que, anos mais tarde, iria transformar sua empresa numa das grandes do mercado direcionado à comunicação cliente/empresa. Nos Estados Unidos, ela assistiu cursos e palestras para compreender o sistema de telemarketing e callcenter que implantou com sucesso na sua empresa. “Na época em que fui buscar tais informações, o mercado de telemarketing e callcenter era uma tendência muito forte na América do Norte”, explicou.

Foi quando a Ckapt apresentava um crescimento sustentável que surgiram os primeiros problemas. A crise gerada pelo Plano Collor levou a empresa a perder toda a sua carteira de clientes. Durante quase três meses sem realizar trabalhos para uma única companhia, a Ckapt conseguiu contornar a situação através de um reequilíbrio do mercado. “Foi terrível para a empresa, pois tivemos uma série de problemas, mas conseguimos nos erguer e continuar os trabalhos. Com os investimentos, continuamos a crescer beneficiados pelo próprio desenvolvimento do setor”, lembrou Maria Inês.

A empresa também enfrentou maus momentos em 96. Num projeto de reposicionamento dos negócios, no qual a Ckapt desligava-se de clientes que não geravam o lucro esperado, a situação agravou-se. O quadro de funcionários, que à época possuía 200 pessoas, foi reduzido para 130. “Apesar de causar as demissões, a ação era necessária para que a empresa pudesse solidificar sua posição diante das concorrentes”, justificou.

Em março de 1999, a empresa mudou sua razão social para Ckapt Teleperformance, após a sua fusão com a francesa Teleperformance. Essa associação trouxe novo fôlego, e a Ckapt começou a investir mais em tecnologia, recebendo uma aplicação de capital de R$ 4,5 milhões.

Há quase 13 anos no setor, a Ckapt atualmente possui uma carteira de clientes fortes no mercado, entre os quais a Editora Abril e American Express. Definindo o desenvolvimento da empresa, a sócia-diretora disse: “O crescimento é resultado de muito trabalho e empenho, não só meu como de todos os funcionários que trabalham comigo, com os quais raramente tive decepções. Outro ponto que devo destacar é a propaganda boca-a-boca integrada, porque, realizando um trabalho digno, somos indicados pelas empresas a quem prestamos serviço para novos contratos”, conta Maria Inês Moraes.

O callcenter da Ckapt responde por 60% do faturamento da empresa. Este ano, vários ajustes posteriores à fusão estão sendo concluídos, sendo que a área de tecnologia deverá receber a maior parcela dos investimentos de capital. A empresa também planeja contratar mais pessoal e dobrar a sua capacidade de atendimento.