Exportação de serviços: Brasil precisa investir nessa área

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(*)por Fábio Marchiori

Muito se tem falado sobre offshore no segmento de serviços. A maioria das previsões indica que o Brasil será uma potência, ainda não plenamente ´acordada´, para integrar-se no mapa dos grandes exportadores nessa área. Realmente isso é verdade. Estamos caminhando fortemente para elevar o Brasil no ranking de serviços internacionais.

Temos condições, flexibilidade e a maior parte da iniciativa privada, que busca o compartilhamento de recursos – pessoas, hardware, software e facilities – para melhor competir em sua indústria. Mas isso não é suficiente.
A Índia, por exemplo, fez um grande investimento na preparação das pessoas, das instituições públicas e privadas para receber as centenas de milhares de empregos offshore que existem atualmente. Isto não se cria da noite para o dia e muito menos sem o planejamento adequado. O Brasil tem um enorme potencial de atrair investimentos em serviços de várias indústrias que buscam maior competitividade. E nós já estamos no caminho para que isso se torne uma realidade, entretanto temos que ser mais velozes no planejamento e ações.

O Governo Federal incentiva fortemente a produção e exportação de produtos, mas é preciso que esse mesmo Governo olhe com muita atenção as empresas que exportam serviços, e que necessitam igualmente de incentivos fiscais para essa atividade. Esses incentivos não se referem apenas aos serviços de mão-de-obra, que geram empregos diretos, mas envolvem toda a cadeia.
Hoje quando uma empresa decide investir na prestação de serviços off shore, ela precisa pensar no terreno, edificação, hardware, software, telecomunicações, mobília e pessoas. Em todos estes itens as empresas pagam diversos impostos como ICMS, PIS, CONFINS, ISS e IPTU sem nenhum incentivo fiscal. Comparados com a Índia, por exemplo, não somos mais tão competitivos. Há muito o que ser feito neste sentido.

Também no que se refere à preparação das pessoas para o atendimento a clientes internacionais, não existe uma estrutura nas Universidades e Escolas voltada especificamente ao treinamento da força de trabalho para os serviços internacionais. O que as empresas fazem são acordos com Universidades e outras entidades acadêmicas para empregar os melhores alunos nos serviços de off shore, assim como criar seu próprio treinamento interno para desenvolver algumas aptidões requeridas. Também neste item, acredito que podemos melhorar bastante.
Outro requisito é que além de termos os melhores alunos, das mais renomadas escolas, é preciso que eles tenham dicção e pronúncia perfeita – native speaker – da língua estrangeira que será utilizada nesse serviço. Nossos clientes internacionais exigem que sejamos totalmente transparentes a mudança de localidade na prestação de serviços com relação à pronúncia, ou seja, eles querem que o consumidor final não note que está sendo atendido por um operador de São Paulo, Nova York ou Malásia.

Sou otimista por natureza e continuo acreditando que o Brasil está muito bem posicionado para absorver novos serviços de off shore, mas não estará por muito tempo, se nós não mudarmos os dois pontos principais avaliados internacionalmente:
1) competitividade de custos e cadeia de impostos, o grande diferencial para que o país continue crescendo e ganhe espaço internacionalmente para não perder para os países com menores custos;
2) preparação de profissionais para competir no mercado internacional, aprimorando nosso sistema educacional.

Logo, a tendência de off shore no Brasil é crescente, mas precisamos fazer bem nossa lição de casa… já estamos atrasados.

*Fábio Marchiorié vice-presidente de Infra-estrutura da EDS para a América Latina