Home office impõe desafios

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Paula Popovic, 24 anos, administra a área de seleção, recrutamento e Recursos Humanos da Virtual Call há um ano. Formada em Marketing, ela seria uma funcionária como qualquer outra se não fosse sua rotina. De segunda a sexta-feira, Paula acorda às 8h40, toma o café da manhã e, às 9h, já está no trabalho. Isso só é possível, porque trabalha no esquema de home office. “Com a qualidade de vida que eu tenho hoje, eu não conseguiria voltar a trabalhar em um escritório”, diz.


Ela é responsável por receber currículos, analisá-los, selecionar as vagas mais adequadas a cada perfil profissional e enviar para os candidatos. “Os interessados entram em contato por VoIP, que possibilita conversar pelo computador, permitindo que eu faça uma pré-seleção antes de encaminhar para a entrevista”, explica.


Paula é um exemplo do modelo de trabalho que muitas pessoas gostariam de adotar: trabalhar na própria casa, com um salário fixo, registro em carteira e treinamentos constantes. E, como todo profissional, mesmo trabalhando em casa, ela cumpre metas e participa de reuniões pessoais periódicas com os superiores.


“Para a tendência ganhar força no Brasil, os empresários precisam quebrar os tabus e apostar mais no conceito de home office, como já acontece nos Estados Unidos. Além disso, os profissionais que quiserem trabalhar dessa forma, devem ficar atentos ao perfil exigido, que requer uma grande dose de organização, disciplina e auto motivação”, explica a especialista em gestão de talentos, Angela Mota Sardelli, uma das sócias do CLIV Solution Group.


De acordo com a executiva, hoje um operador de telemarketing pode perfeitamente trabalhar em casa, porém o perfil deste profissional é totalmente diferente daquele recrutado para trabalhar dentro das empresas. “A seleção será o diferencial para uma operação dar certo ou não. A gestão de pessoas será a grande chave do sucesso do negócio do contact center virtual, porque os funcionários serão monitorados à distância, mas nem por isso deixarão de cumprir as metas da empresa”,explica.


O contact center virtual já é comum nos Estados Unidos e na Europa, onde algumas empresas flexibilizam as estruturas, especialmente para atrair talentos femininos. No Brasil, o home office é utilizado por algumas empresas, mas o modelo tem potencial para beneficiar, principalmente, mães com filhos pequenos, professores com horário flexível, e portadores de necessidades especiais. “No entanto é importante lembrar que o modelo, apesar de ser atraente, exige maior maturidade, capacitação e investimentos por parte da empresa na atração e no desenvolvimento desses profissionais”, analisa a especialista.