Meritocracia, a gestão por merecimento

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Autor: Charles Blagitz

 

Tema polêmico e controverso, a política de gestão humana por merecimento tem crescido nas empresas no país. Mas afinal, do que se trata o merecimento?

 

Antes, devemos abandonar paradigmas que nos forcem a pensar como funcionários ou como chefes. Devemos pensar como um todo. Esse é o desafio.

 

O merecimento trata-se da recompensa dada em relação a um esforço. Mas afinal, esse “esforço” já não deveria ser automático, embutido dentro do genoma do funcionário? Sim, e não. Quando uma pessoa consegue seu novo emprego, ela possui uma referência marcante: o não emprego ou uma situação anterior não tão propícia quanto a que agora embarca.

 

Diante disso, ela está contaminada com o “patriotismo corporativo”, ou seja, tudo eu faço e tudo quero fazer pelo bem da empresa que está acreditando em mim. Mas logo esse patriotismo se esvai, tanto pela enxurrada de problemas ou pelo monótono andar dos dias. O empregado começa a sentir, em algum tempo, que o seu esforço não vale a pena, e que não está sendo reconhecido.

 

Olhando pelo lado desta, quando se contrata um novo empregado espera-se que ele aprenda tudo em tempo recorde, para que o investimento salarial comece a valer a pena. E é nesse momento que as empresas erram: esperam que a produtividade do empregado se mantenha ou até mesmo aumente, com consequente crescimento do seu comprometimento. Esquecem que mesmo a mais simples peça de um carro, acaba sofrendo com desgaste e precisa ou ser substituída ou feita uma manutenção preventiva.

 

A gestão por merecimento pode ajudar nesse ponto, desde que muito bem planejada e devidamente implementada. As regras devem ficar claras para todos, empregados e empregador, e nunca favorecer tendenciosamente apenas a um certo grupo. Deve dar chance a todos para o crescimento. Não apenas recompensas financeiras, mas também as chances de crescimento na empresa, cursos e graduações, são formas de se recompensar o trabalho comprometido do empregado. Sabe-se que empresas que aplicam corretamente esse tipo de gestão conseguem um crescimento médio de produtividade na ordem de 30%.

 

Charles Blagitz é engenheiro e atua com marketing corporativo há mais de cinco anos. [email protected]