Narcotraficantes são empreendedores natos

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Autor: Federico Vega
Quando decidi iniciar meu primeiro negócio, comecei por construir uma rede de mentores integrada por empreendedores bem-sucedidos e que eu admirava profissionalmente. Após formar essa estrutura, percebi que existia um conselho consensual entre cada mentor. Todos eles me disseram algo parecido com “você não precisa ser inteligente, educado, nem experiente para se tornar um empreendedor de sucesso, mas se você não está realmente empenhado naquilo que você está fazendo, é melhor nem começar, pois você vai perder tempo, dinheiro e irá fracassar”.
 
Os empreendedores bem-sucedidos são geralmente obcecados e focados ao ponto que nada mais no mundo importa para eles. Eles desistem de suas vidas pessoais pela causa, o que significa perder finais de semana e feriados, colocando sua família e amigos em uma segunda prateleira de prioridades. Estes tipos de pessoas sabem que a queda não é uma opção e os  planos B não são aceitáveis. Este alto grau de responsabilidade combinada com um comportamento obsessivo para ganhar a todo custo pode resultar em um empresário solitário e deprimido. Isso se reflete, por exemplo, a grande quantidade de CEOs e fundadores de empresas que cometem suicídio na indústria da tecnologia. 
 
Durante a semana passada estive lendo “Killing Pablo”, o livro sobre a vida de um dos maiores narcotraficantes do mundo: Pablo Escobar. Naquele momento comecei a relacionar o conselho que recebi de meus mentores à personalidade e a vida de Escobar. Neste momento uma pergunta veio até mim: “se Escobar tivesse decidido concentrar suas energias na construção de um império legal, e não ilegal, teria sido bem-sucedido?”. Pablo e sua equipe, estavam obsessivamente focados em sua causa. O Pablo esteve cercado de pessoas talentosas que compartilhavam de sua visão e seus valores. Todos no império do narcotráfico de Escobar abraçaram uma quantidade elevada de risco sabendo que falha significaria a morte, não havia um plano B, eles iriam suceder ou perecer.
 
Mesmo quando a causa de Escobar parecia insanidade, ele ainda conseguiu encontrar pessoas talentosas que realmente acreditavam em sua visão. Todos acreditavam na possibilidade de construir o maior império de drogas do mundo, que se tornaria legal e sustentável a longo prazo. Escobar conduziu sua equipe com regras claras por meio da implementação de mecanismos transparentes de compensação e penalização. Em outras palavras, ele contratou os mais inteligentes, mais duros e cruéis criminosos, deu-lhes grandes coisas para fazer e apoiou-os com um sistema verdadeiramente meritocrático. Isso fez com que esses criminosos trabalhassem harmoniosamente em direção a um objetivo comum. 
 
Escobar também teve a coragem de colocar seu império da droga diante de sua família e a sua vida pessoal. Seus melhores amigos eram seus colaboradores. Quando todo mundo estava dormindo, passando tempo com a família ou amigos, de férias ou relaxando, ele estava trabalhando. Pablo estava obsessivamente concentrado em vencer. 
 
Quando Escobar foi morto em 1993 ele estava lutando sozinho contra a polícia. Seus milhares de colaboradores teriam sido mortos ou enviados para cadeia, mas ele continuou lutando para reconstruir seu império. Pablo poderia ter desistido e deixado a polícia prendê-lo vivo, mas Escobar estava tão comprometido, tão confiante e cego, ao mesmo tempo, que pensou que ele poderia lutar e derrotar centenas de policiais em torno de sua casa. Escolheu morrer a desistir. Pablo tinha decidido que só existiam duas possibilidades, ganhar ou morrer, se dar por vencido, na cabeça do Pablo nunca foi uma opção. 
 
Esse foco e idealização são evidentes em uma entrevista concedida por ele. Na oportunidade foi perguntado a ele, qual era o segredo de seu êxito, então ele respondeu: “sou gordo e pouco atlético, mas se a gente subir em uma esteira e começar uma disputa, você desce primeiro ou eu morrerei, mas pode ter certeza que não vou desistir, esse é o segredo”.
Federico Vega é CEO da CargoX.