A eterna busca por talentos

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Autora: Daniela Barbará



Descobrir talentos é uma missão árdua, que exige uma pitada de sorte e um tantão de esforço. Os últimos anos, trabalhando com grandes equipes, mostraram-me que nem sempre temos o privilégio de contar com pessoas talentosas. Por outro lado, quando bem treinados e motivados, alguns profissionais são capazes de surpreender e melhorar o desempenho de qualquer empresa.


Lógico que tive o prazer de contar com pessoas capazes de absorver as orientações e desenvolver um excelente trabalho em comunicação. Mas a parte mais triste é lidar com jovens profissionais que se acomodam em uma posição de assessor de imprensa, que executam ordens sem entender todo o processo ou sequer questionar e, para piorar, utilizam ferramentas de internet como única opção de pesquisa e checagem de informações.


Sinto que o mesmo acontece quando penso nas demandas que recebemos dos repórteres. Nada mais é investigado ou simplesmente questionado. As solicitações de imprensa são cada vez mais superficiais e buscam o óbvio. Para os clientes, sobram as perguntas de sempre e o pobre pensamento linear de alguns jornalistas.


No final do ano passado, o editor do site Observatório da Imprensa, Alberto Dines, escreveu poucas, mas sábias, palavras sobre a falta de talentos na imprensa atualmente. De acordo com Dines, nossos jornalistas tentam o melhor, a imprensa não reflete este esforço porque é uma corporação e comporta-se como corporação, nem sempre atenta aos seus deveres institucionais. Este ano de 2010 foi especialmente ruim. A cobertura eleitoral foi deplorável. Não vi virtudes. Esperançoso sempre fui: precisamos de mais diversidade de conteúdo, mais títulos, mais criatividade. Esqueçam as tecnologias, voltem a apostar nos talentos.


É difícil ter que buscar a agilidade com excelência do time quando temos pressão constante e necessidade de decisões rápidas, em especial na atuação em setores dinâmicos, como economia e aviação. Nem sempre o olhar diferenciado ou mesmo a sagacidade necessária para executar um trabalho que surpreenda o cliente, ou mesmo o jornalista, estão disponíveis. Concordo com Dines e sinto que devemos buscar cada vez mais talentos. Talentos não só no jornalismo, mas em todos os setores do mercado e, por que não, da vida. Essa seguirá como uma missão dura para os anos que seguem.


Daniela Barbará é diretora de operações da Evcom