Cinemas, bares e restaurantes vão liderar consumo no pós-pandemia

Sondagem revela também que 40% dos brasileiros pretendem voltar a pagar por vôos e estadias, animando o turismo

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Federico Eisner, líder da prática de Bens de Consumo da Bain & Company na América do Sul

Com o fim das restrições impostas pela pandemia, os brasileiros ficarão mais propensos a ir aos cinemas (57%),  frequentar bares e restaurantes (65%) e fazer compras em lojas físicas (40%). Os dados fazem parte de pesquisa realizada pela Bain & Company, junto a 2 mil pessoas, apurando a intenção de hábitos dos consumidores uma vez que o risco da Covid-19 esteja controlado.De acordo com a estudo, o montante de respondentes que não realizaram essas atividades desde o início da pandemia foi de, respectivamente, 79%, 65% e 60%. E o levantamento também traz um alento para o setor de viagem e turismo. Quase 40% dos brasileiros pretendem viajar de avião e se hospedar em um hotel. Para pouco mais da metade dessas pessoas, isso ocorrerá dentro de poucos meses. 

A pesquisa da Bain & Company mostrou que a forma com que os brasileiros gastam passou por grandes alterações. O foco esteve em supermercado, delivery e saúde. Mas o estudo apontou que há uma demanda reprimida por várias categorias nas quais os consumidores esperam gastar mais no futuro, principalmente em viagens, comida, bebida e beleza. 

Comer, beber, viver
Embora a comida caseira tenha vindo para ficar, espera-se que os gastos em restaurantes aumentem quando a pandemia passar, chegando a níveis mais altos que o pré-pandemia. O consumo de álcool fora de casa igualmente será retomado, devendo aumentar em 30% após a Covid. Espera-se, conforme apontou a sondagem, que os gastos com produtos de beleza em casa e serviços de beleza aumentem em cerca de 20%.

Em termos de entretenimento, 72% dos brasileiros aumentaram o tempo gasto em serviços de streaming e 78% elevaram o tempo gasto em mídias sociais – uma tendência que deve se manter. O tempo despendido com videogames provavelmente será reduzido. Enquanto os exercícios ao ar livre devem aumentar quando a pandemia acabar. A excitação para retornar às academias é alta e cerca de 50% das pessoas pretendem fazê-lo imediatamente após as restrições serem suspensas.

Situação financeira, provável obstáculo
Embora o estudo projete as atividades que o brasileiro mais quer fazer assim que a pandemia estiver controlada, a Bain & Company notou que a situação financeira pode ser um dificultador, uma vez que a renda em geral foi mais impactada do que a de outras economias. No Brasil, o número de pessoas que guardaram menos dinheiro foi 28% maior do que o de entrevistados que pouparam mais. Nos Estados Unidos, por sua vez, o número de pessoas que guardaram mais ou muito mais dinheiro foi 16% maior. 

“Nos EUA e Europa, as pessoas conseguiram poupar mais. Já no Brasil, houve o contrário. Isso em razão do impacto da menor atividade econômica, do emprego e da renda. Um dos elementos relevantes dessa tendência é indicar quanto o poder aquisitivo irá diminuir, e como as pessoas estão saindo dessa pandemia com dinheiro no bolso”, destacou Federico Eisner, líder da prática de Bens de Consumo da Bain & Company na América do Sul.

Comportamento no pós-pandemia
A pandemia da Covid-19 impactou a maneira como o consumidor se relaciona com seus hábitos de compra, e muitos desses comportamentos adquiridos devem se prolongar após o fim da pandemia, mostrou o estudo. De acordo com a Bain, hábitos relacionados ao ambiente doméstico, com as pessoas realizando atividades em casa, ainda devem permanecer relevantes mesmo após o fim da pandemia. Dentre elas, a pesquisa indicou que cozinhar (84%), assistir televisão (77%) e cuidar do lar (64%) foram as principais razões mencionadas pelos consumidores durante a pandemia. Também houve um aumento em atividades relacionadas à saúde, como a prática de exercícios (56%) e de aulas fitness virtuais (54%).