Clientes de bancos querem ofertas de seguro baseadas em dados

Pesquisa mostra que consumidores de serviços bancários são mais atraídos por seguros e garantias oferecidos com contexto e conveniência 

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Julio Castellon, vice-presidente sênior e chefe de Parcerias na América Latina da Cover Genius
Julio Castellon, vice-presidente sênior e chefe de Parcerias na América Latina da Cover Genius

Realizada pela Momentive.ai, empresa de pesquisa da SurveyMonkey, e encomendada pela Cover Genius, junto a 535 correntistas no Brasil, sondagem buscou entender como clientes de bancos, neobancos e fintechs reagiriam a opções de seguro integradas e baseadas em dados de transações em tempo real. À pergunta sobre se estariam interessados em receber as sugestões dentro do app do banco, 72% dos clientes de bancos digitais e 64% de bancos tradicionais responderam que estariam muito interessados. “Conveniência” é a principal razão desse interesse, citada por 53% no geral.

“Temos visto um aumento significativo na demanda por opções de seguro integrado em nossa rede de parceiros globais – um crescimento que se intensificou nos últimos 15 meses, devido à mudança de fazer tudo on-line. De fato, o Brasil é o quarto país do mundo em crescimento de vendas no e-commerce, o que em parte vem do impacto que a pandemia teve no país”, afirma Julio Castellon, vice-presidente sênior e chefe de Parcerias na América Latina da Cover Genius. “Os dados mostram que os clientes valorizam a conveniência e confiam muito em seus bancos ou neobancos e em seus apps de fintech para serem engajados com sugestões, hiper-relevantes e baseadas em dados, de produtos que façam sentido a partir de seu histórico de consumo.”

A pesquisa ratifica sondagens encomendadas pela Cover Genius e publicadas no mês passado com 3.551 norte-americanos e em 12 outros países, em que foram analisados 14 acontecimentos pessoais, atividades e grandes aquisições que fazem as pessoas pensarem em seguro, tais como: nascimento de filho; compra de carro, imóvel, animal de estimação e outros itens caros; contratação de empregado; e tornar-se locatário ou locador. Em todo o mundo, os dados apontam para uma demanda significativa por opções de seguro que sejam oportunas e relevantes de acordo com transações passadas. Com preferência destacada entre os que fizeram uma compra grande ou tiveram um acontecimento importante na vida recentemente, usaram uma seguradora tradicional nos últimos 12 meses ou adquiriram seguro em seu banco. Os autores ressaltam a discrepância entre uma abordagem de insurtech e a realidade do bancassurance, na qual bancos tradicionais se juntam a seguradoras tradicionais para oferecer produtos normalmente dissociados de suas respectivas atividades.

O levantamento junto a clientes brasileiros confirma que há ampla sustentação para integrar à conta bancária opções de seguro imobiliário. E detectou, por exemplo, locatários, proprietários e/ou locadores (41% dos entrevistados estão muito interessados), seguro comercial para quem lida com caução de aluguel de curto prazo (22%), seguro auto (22%) e uma variedade de garantias para itens pessoais e domésticos de alto valor (42%).

O papel e a natureza das seguradoras tradicionais, que atuam como “segundo passo” no processo de compra, também são analisados no estudo. Correntistas digitais e grupos mais jovens estão mais propensos a adquirir seguros, mas os dados também indicam um bom futuro para os bancos como distribuidores de seguros: 53% dos brasileiros que escolheram uma seguradora ou corretora tradicional nos últimos 12 meses preferem ter opções integradas à conta corrente da próxima vez.

Embora a experiência recente de aquisição de seguro seja uma forma de identificar os adeptos pioneiros, existe outra: identificar usuários de apps de fintech populares. Os resultados podem ser considerados surpreendentes, já que 74% dos 345 clientes que usam carteira digital, 73% dos usuários de plataformas de meios de pagamento, 92% dos usuários de software contábil e 81% dos usuários de conta investimento estão muito interessados em receber ofertas de seguro. O interesse também é alto entre os operadores de pequenas empresas (73%).

“A pesquisa ressalta mais uma vez que os fornecedores tradicionais – operadoras e corretoras de seguros – não estão conseguindo anteder à demanda dos clientes por cobertura para uma ampla gama de categorias”, acrescenta Castellon. “O clamor por um atendimento integrado fez com que adicionássemos parceiros como Wayfair e eBay no varejo, diversas linhas áreas e agências on-line de viagem, como Despegar (da Decolar.com) e Booking Holdings, empresas de automóveis, economia gig e mobilidade, fintechs como a Intuit e outras, e muito mais.”

É possível baixar o relatório completo, intitulado The Embedded Insurance Report: A consumer-focused case for transaction-based offers from Banks, Neobanks and Fintechs (Relatório sobre seguro integrado: demonstração focada no consumidor para opções baseadas em transações oferecidas por bancos, neobancos e fintechs), ou o relatório da pesquisa no Brasil.