ICC sobe 2,2% em novembro

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O Índice de Confiança do Consumidor (ICC), calculado em conjunto pela Fecomercio (Federação do Comércio do Estado de São Paulo) e pela Fundação Getúlio Vargas, registrou aumento pelo quinto mês consecutivo em novembro. O indicador ficou em 145,6 pontos na região metropolitana de São Paulo, com elevação de 2,2% em relação a outubro. O ICC varia de 0 a 200 pontos, indicando pessimismo abaixo de 100 pontos e otimismo acima desse patamar.
A assessoria econômica da Fecomercio ressalta que o resultado é decorrente mais da expectativa da população quanto ao futuro do que da percepção quanto à situação presente. Prova disso é que o Índice das Condições Econômicas Atuais está em 113,5 pontos (alta de 0,4%), enquanto o Índice de Expectativas do Consumidor registra 167,0 pontos (aumento de 3,0%). Por isso, de acordo com os economistas da entidade, esse otimismo não deverá incentivar o consumo de forma acentuada.
Quando se olha para a camada de renda menor, a situação é ainda mais contrastante. A confiança dos consumidores com renda inferior a dez salários mínimos subiu 3,0% em relação ao mês passado, atingindo 136,9 pontos. A avaliação quanto à situação presente, no entanto, ficou em 97,7 pontos, registrando leve queda (0,5%) ante outubro. Entre todos os segmentos avaliados, é o único que permanece dentro da faixa de pessimismo. Já em relação ao futuro, esse grupo está mais otimista, apresentando 163 pontos, com aumento de 4,4%.
Na faixa superior a dez salários mínimos, verifica-se satisfação tanto quanto ao presente quanto ao futuro da economia. A confiança dessa camada da população subiu 0,7% no geral, atingindo 162,1 pontos, um patamar expressivo. Em relação à situação presente, alcançou 143,6 pontos e, considerando o futuro, 174,4 pontos, o mais alto índice, entre os segmentos pesquisados.

Para a Fecomercio, a continuidade do crescimento do ICC também reflete o fim do processo eleitoral, que demonstrou um forte equilíbrio, sem centralização do poder. Em outubro, o índice subiu 10,7%, em comparação ao mês anterior.

Copom
O ICC de novembro demonstra que as recentes altas na taxa básica de juros Selic, determinadas pelo Banco Central, ainda não se refletiram sobre o ânimo do consumidor, que deverá ampliar suas compras neste Natal, em relação ao mesmo período de 2003. A Fecomercio avalia que o efeito dos aumentos da Selic deverá ocorrer nos primeiros meses de 2005, quando se iniciarem seus reflexos sobre o crédito, tornando-o mais caro e menos abundante.
Para Abram Szajman, presidente da entidade, é bastante preocupante a possibilidade de o Banco Central ampliar ainda mais a taxa de juros na reunião de amanhã do Copom. “Com o aumento, teremos maior restrição de crédito no futuro, o que poderá frear as vendas no comércio e a produção industrial voltada para o mercado interno e, em conseqüência, a geração de emprego e renda”, afirma.