Prefeituras investem pouco em websites

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O TecGov – Centro de Estudos em Tecnologia de Informação para Governo, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), lança o 1º Ranking Nacional de Websites Municipais, pesquisa que avalia os serviços, conteúdos e informações disponibilizados pelos sites das prefeituras de cerca de 300 cidades brasileiras. O projeto tem o patrocínio da Software AG, empresa global em tecnologia de informação, que visa a desenvolver o estudo de e-government na América Latina e Espanha por meio da Cátedra e-Government Software AG, coordenada, no Brasil, pela FGV.

O objetivo era analisar o estado atual de avanço do governo eletrônico em municípios brasileiros, por meio de uma amostra representativa. A pesquisa constatou que o Brasil está significativamente atrasado no uso de tecnologias de informação e comunicação no governo. Além disso, mostra o grande distanciamento entre o que as empresas privadas e os governos em países desenvolvidos já exploraram das tecnologias de diversas gerações e a situação de seu uso nos municípios brasileiros.

“Os investimentos no Brasil têm sido feitos em tecnologias já ultrapassadas, gastando-se recursos limitados em soluções que inviabilizam o salto para um nível mais avançado de serviços à sociedade. Este salto poderia ser dado com o uso das novas tecnologias”, explica Norberto Torres, professor do TecGov/FGV e responsável pelo projeto. Ele comenta ainda que, ao deixar de adotar e explorar tecnologias de formas mais amplas e mais estrategicamente aplicadas, o governo acaba operando com baixa eficiência interna nas relações com a sociedade e nos serviços prestados, com altos custos econômicos. Esta situação leva à baixa competitividade da economia brasileira, com impactos sobre a renda e do nível de qualidade de vida de seus cidadãos.

Os resultados da pesquisa serão discutidos no próximo dia 21 de junho, das 10h às 13h, na Escola de Administração de Empresas de São Paulo (FGV – EAESP) – Rua Itapeva, 432, Salão Nobre, 4º andar. O evento contará com a presença de Norberto Torres e Eugênio Martinez, acting country manager da Software AG Brasil.

Média muito baixa – Para efeito de comparação, o TecGov estipulou a nota máxima de 10 pontos, que representa o website ideal, contemplando satisfatoriamente todas as variáveis analisadas na pesquisa. No entanto, a média geral dos municípios brasileiros atingiu apenas 1,3 pontos, nota muito distante do ideal e que mostra o tamanho do atraso do País no uso de tecnologias no governo. A cidade de São Paulo, que ocupa o 1º lugar do ranking, apresenta nota de 3,29, considerada insatisfatória.

“Os administradores públicos municipais, mesmo em um estado mais desenvolvido como São Paulo, ainda têm uma visão muito limitada das possibilidades que as novas tecnologias de informação podem proporcionar”, conclui Norberto Torres, afirmando que os gestores investem muito menos do que seria necessário para acompanharem o ritmo das transformações das novas soluções tecnológicas, com alto impacto sobre os serviços ao cidadão, empresas e organismos.

Os melhores em E-Gov – As cidades foram listadas em um ranking geral de acordo com a média das notas obtidas em cada categoria da pesquisa: grau de relacionamento com o cidadão, nível de e-democracia, nível de governo eletrônico, nível detalhado de governo eletrônico, papéis estratégicos da Tecnologia de Informação, tipo de conteúdo ou serviço e usabilidade.

No ranking geral dos 10 primeiros colocados, a cidade de São Paulo está em 1º lugar, com 3,29 pontos, seguida por São Carlos (SP) – 2,61, Curitiba (PR) – 2,59, Ipatinga (MG) – 2,58, Jaraguá do Sul (SC) – 2,44, Foz do Iguaçu (PR) – 2,40, Esteio (RS) – 2,36, Navegantes (SC) – 2,32, Bauru (SP) – 2,30 e Cachoeiro de Itapemirim (ES) – 2,26. Já os 10 municípios que obtiveram as piores notas são: Riacho de Santana (BA) – 0,42, Macapá (AP) – 0,56, Astorga (PR) – 0,58, São Gonçalo do Amarante (CE) – 0,61, Barnabuiú (CE) – 0,61, Entre Rios (SC) – 0,62, Piripiri (PI) – 0,62, São Gotardo (MG) – 0,63, Santarém (PA) – 0,63 e Victor Graeff (RS) – 0,64.

A pesquisa constatou que as prefeituras estão muito aquém dos estágios viáveis de serviços de alto impacto para suas comunidades. “Um dos principais problemas na administração pública de forma geral, e mais acentuada ao nível dos municípios, é a morosidade e a burocracia nos processos administrativos e de atendimento ao cidadão”, identifica Torres.