Preocupações de uma economia em crescimento

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O debate do terceiro painel do IX Encontro com Presidentes trouxe discussões calorosas. Michael Ceitlin, presidente da Mundial, disse que a preocupação com a tarifa alfandegária é fundamental para o desenvolvimento econômico do Brasil. “Vivemos em uma ilha e muitas vezes esquecemos do preço relativo dos produtos. O brasileiro se conforma ou desconhece os preços relativos dos produtos e serviços. Certa vez ouvi dizer que no país pobre as coisas são caras e as pessoas são baratas, enquanto no país rico acontece o contrário”, esclarece Ceitlin.

 

O presidente da Reader´s Digest no Brasil, Luis Henrique Fichman, conta que, como gestor de uma empresa internacional, reconhece que esse é um dos melhores períodos da economia brasileira. “Estamos na crista da onda e muitos investimentos estão surfando no desenvolvimento. Mas existem alguns gargalos importantes que se não forem resolvidos causarão problemas mais tarde, como o setor de portos e o segmento de logística. Está cada dia mais difícil manter a qualidade das entregas, e isso implica em custos maiores”, constata Fichman. Para ele, a pergunta principal é se existem condições políticas para suportar os gastos públicos.

 

O presidente da Commodity, Jorge Tena, lembra da importância dos recursos naturais. Em muitos países esse tipo de escassez compromete o desempenho econômico, mas no Brasil isso não é, por enquanto, um problema. “Além de grandes reservas aqüíferas, logo disporemos de uma das maiores bacias petrolíferas mundiais. O problema a curto prazo é mesmo a educação”, explica. Ele lembra do modelo sul coreano que hoje é um exemplo competente de desenvolvimento. “Temos que dar ênfase na educação, pois estamos pobres de recursos humanos no Brasil. Existem muitos interesses trocados que têm que corresponder”, enfatiza.

 

O presidente da At Kearney, Raul Aguirre, lembra que devido à rápida atratividade brasileira de empresas e empreendimentos, o Brasil deve se preocupar com a inflação. Rubens Sardenberg, presidente da Febraban, lembra que embora a China cresça muito, os salários são muito baixos, diferente do Brasil, em que o contrato social é um pouco mais forte e o salário mínimo é crescente. “A carga tributária é diferente. O problema é que gastamos mal em educação. Aqui existe inflação de serviços”, complementa Sardenberg.

 

O moderador do painel e presidente da Graber, Antonio Cruz, conta que as oportunidades dependem do grau de confiança depositado na equipe. “Se o governo fizesse uma boa previsão fiscal poderíamos investir mais, as empresas estariam mais seguras”, recomenda Cruz.