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Roubo de contas e fraudes: por que o Brasil é tão arriscado?

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Pedro Chiamulera, fundador da ClearSale

Resposta está no que foi mostrado durante o MRC 2022, evento mundial de prevenção e combate a fraudes

Autor: Pedro Chiamulera

De volta a sua versão presencial após dois anos, o MRC 2022, que aconteceu entre os dias 7 e 10 deste mês, em Las Vegas (EUA), mostrou, desde os seus primeiros workshops e conteúdos, que a gestão de risco e o combate a fraudes nunca estiveram tão em voga no mundo todo como neste momento.

Grandes vazamentos de dados, roubos de contas e uma reveladora equação da fraude estiveram no cerne das apresentações de praticamente todos os speakers do evento, trazendo uma reflexão importante a nós, brasileiros presentes no evento, sobre alguns dos motivos que explicam um Brasil tão arriscado, com uma fraude voraz e cada vez mais sofisticada.

Segundo especialistas que se apresentaram no palco do MRC 2022, incluindo investigadores do FBI que mostraram como as autoridades devem atuar junto às empresas no combate a este tipo de problema, a matemática da fraude funciona como uma espécie de equação, chamada por eles de Índice de Incentivo de Ataque, que leva em consideração fatores como quanto dinheiro o fraudador consegue obter com a fraude, quanta dificuldade ele encontra para isso, situação econômica do país em que ele está, força da moeda local, média salarial da população, etc.

De acordo com o apresentado, se a matemática destes fatores trouxer um resultado positivo, o cenário será sedutor para o fraudador, e provavelmente o local em questão será muito convidativo à fraude e arriscado, exatamente como acontece no Brasil atual.

Além de problemas que são comuns ao mundo todo neste momento, como a instabilidade econômica motivada pela pandemia e, mais recentemente, pelo confronto entre Rússia e Ucrânia, uma moeda desvalorizada, o alto índice de desemprego, a imaturidade digital de parte de população e a alta liquidez conseguida com alguns tipos de fraude são fatores que mostram o quanto é importante ter o trabalho de empresas totalmente focadas em proteger pessoas e empresas para movimentar o mercado com segurança, como é o caso da ClearSale, inclusive.

Outro ponto importante bastante abordado no evento é o roubo de contas e dados, conhecido no mercado como account takeover. Apesar da ressalva de ser um tema já bastante comum aos envolvidos com gestão de riscos e combate a fraudes, a crescente ocorrência de grandes vazamentos de dados em todo o mundo liga um alerta constante sobre o quanto é preciso ter expertise para barrar fraudes consequentes deste tipo de acontecimento.

Afinal de contas, é inegavelmente desafiador prevenir e combater a fraude quando os criminosos têm acesso a dados verdadeiros de bons consumidores. Pense que, se um fraudador conhece seus dados e sabe as suas senhas, o acesso dele a uma conta é feito de maneira ‘limpa’, dificultando o trabalho de sistemas antifraude que, idealmente, deveriam identificar tal acesso como indevido.

E o desafio não está somente nisso, mas sim em como fazê-lo mantendo a empatia e preservando a experiência do bom consumidor, que não pode ter sua jornada prejudicada pela premissa equivocada de que a maioria não é confiável, quando a realidade é exatamente o contrário: a maioria é boa. Tratar com cuidado não apenas a autenticação, mas a jornada inteira. Afinal de contas, muitas empresas previnem fraude, mas não se preocupam em gerar confiança.

Em tempos de grandes vazamentos de dados no mundo todo, sem falar na explosão do digital durante a pandemia, o simples batimento de dados não é o jeito mais eficiente de combate a fraudes. A abordagem tem que ser multicamadas, com diferentes expertises, com equilíbrio entre tecnologia avançada e inteligência humana especializada, pois somente assim será possível entregar às empresas um trabalho amplo, capaz de evitar que o fraudador consiga efetivar fraudes a partir dos dados e contas que teve acesso.

Impossível não falar, também, da importância da retomada presencial deste tipo de evento. A fraude é um mal comum a todas as empresas, e, em seu combate, a colaboração é fundamental. Quando se reúne tantos profissionais do ramo para a troca de conhecimento e experiências, há o fomento de um efeito de rede que ajuda a garantir a proteção e a prosperidade do mercado, e talvez nunca tenha havido um momento de tamanha necessidade disso no mundo.

Como há muito tempo não se via, o MRC 2022 não foi um evento exclusivo para combate a fraudes em pagamentos no varejo, abrindo a discussão para bancos e até mesmo para o poder público, por meio da forte presença do FBI no evento.

Falou-se muito sobre o avanço das criptomoedas como as bitcoins, e como essa modalidade, por ser tão nova, ainda não tem uma legislação e regras claras, fazendo com que a autorregulação do mercado seja fundamental.

E isso, obviamente, só é possível por meio da colaboração entre empresas, governo e Receita Federal, principalmente por ser um meio que já tem sido utilizado para lavagem de dinheiro em diversas esferas e em todo o mundo. Tudo isso com o grande desafio de oferecer segurança sem criar burocracia e fricção na operacionalização das transações via bitcoins.

Por fim, e como nem poderia deixar de ser, fica uma mensagem clara sobre o quanto o avanço tecnológico constante também é utilizado por fraudadores, que buscam formas criativas de inovar e automatizar a fraude por meio de bots. Atualmente, é simplesmente impossível pensar em um trabalho eficiente de prevenção e combate a fraudes sem uso maciço de tecnologia avançada, mas sem deixar de fazer a ressalva que o toque humano especializado é quem deve operacionalizar isso.

Pedro Chiamulera é fundador da ClearSale.

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