Salto digital para liderar

CEO do Tribanco descreve inovações que levam às mudanças de negócios, CX e cultura interna

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Ricardo Batista
Ricardo Batista

Aproveitando-se de tecnologias já em desenvolvimento, trazendo experiências bem-sucedidas do exterior e impulsionado pelos efeitos da pandemia, o grupo Martins elevou de 10% para 50% a participação do digital no faturamento total. Incentivando e acompanhando esse ritmo, o Tribanco, seu braço financeiro, vem promovendo inovações que somam, ao marketplace B2B e outros canais, a criação de um SuperApp favorecendo os negócios do pequeno varejo e a inclusão de pessoas físicas das classes C, D e E. As minúcias dessa trajetória de mudanças foram expostas, hoje (19), por Ricardo Batista, CEO do Tribanco, ao longo da 142ª live da série de entrevistas dos portais ClienteSA e Callcenter.inf.br.

Depois de visitar o Vale do Silício, em 2016, e participar de uma expedição de visitas técnicas à China no ano seguinte, então como diretor de tecnologia do Tribanco, em 2018, o executivo se decidiu por vivenciar uma espécie de ano sabático viajando por outros países e estudando.  Ao descortinar modelos de negócios praticamente disruptivos, imaginava que logo tudo poderia estar acontecendo também no Brasil. Uma das experiências mais emblemáticas foi conhecer a indiana Paytm, considerada a maior fintech do mundo com uma base de 500 milhões de usuários. “Estudos mostram que, nesse novo modelo de gerar renda, ativar crédito, etc., tudo pelo celular, conseguiu-se incluir no sistema cerca de 200 milhões de pessoas que antes se encontravam na faixa da baixíssima renda. Ou seja, quase 20% da população”. É esse expertise que ele está trazendo ao País para contribuir com a evolução do mercado por meio do Tribanco.

Ao detalhar o processo de transformação e dos avanços do banco, Batista lembrou que o grupo Martins, fundado há quase 70 anos em Uberlândia (MG,) chega a 99,5% dos municípios brasileiros com a entrega de mais de 15 mil itens.  Para fomentar crédito, facilidades de prazos de pagamento e serviços para esse universo de pequenos e médios varejistas, criou, há exatamente 30 anos, o Banco Triângulo, ou simplesmente Tribanco. “E, graças à tecnologia, chegamos agora à distribuição também de cartões de crédito, seguros e alternativas para as classes C, D e E. Nosso foco é a base da pirâmide, uma perspectiva de escala de grande magnitude.” Nessa trajetória, ele conta que, alavancado também pelas circunstâncias da pandemia, o faturamento do grupo passou de 10% para 50% a participação dos meios digitais. Assim, na sua avaliação, com esse novo modelo e os investimentos, a meta é chegar a milhares de pequenos varejistas e milhões de consumidores de menor renda.

Ainda ao falar do início da crise da quarentena que impactou as indústrias em geral, o que parecia que seria o caos nas primeiras avaliações, para o grupo resultou no contrário. As atividades no pequeno comércio de bairro foram impulsionando os negócios, e hoje a empresa já fatura 50% mais que no mesmo período de 2019 e deverá fechar o ano com o maior lucro da sua história. “Com a percepção do aumento da base de clientes, a estratégia de defesa passou a ser de ataque”, registrou. “O maior impacto foi na nossa plataforma de marketplace B2B cuja explosão de procura pôde ser aproveitada graças ao que a empresa vinha se preparando e foi acelerado. O Tribanco acompanha o ritmo desse desenvolvimento todo atuando no apoio aos varejistas e pessoas físicas. A criação do Super App que vinha sendo gestada está ganhando velocidade através de parcerias com grandes empresas de seguros, consórcios, etc., além de mecanismos de inclusão financeira também no roadmap da organização.”

Durante a live, o CEO também detalhou que, no ano passado, foi criada a área de CX, incrementando pesquisas NPS, internalização do desenvolvimento de tecnologias, parcerias para design de jornadas e mudanças nos perfis dos colaboradores. Tudo para atender a esse modelo mais digital, mais ágil e mais focado no cliente final. “Quando falamos de plataformas de crédito ou de produtos financeiros há várias alternativas no mercado. Entretanto, quando se trata de atender às classes C, D e E é um desafio inédito e quase cultural, e é exatamente onde pretendemos exercer liderança. Hoje, através do Tricard, que está evoluindo do cartão de crédito para banco digital também, já estamos em contato com esse tipo de cliente. São 10 mil pontos de emissão de cartões de crédito, a maior operação do país em private label. Agora queremos avançar para um projeto mais ousado que pressupõe ouvir esse usuário com a obsessão de atender às suas necessidades, seja no crédito, seguros, ajudar a gerar renda através de plataformas para incluir os pequenos, entre outras.”

Respondendo à questão do desafio que representa a mudança de modelo de negócio com transformação da cultura interna, ele concordou que tem sido um esforço enorme, impactando modelos mentais e comportamentais. E, com as imposições da crise gerada pela pandemia, houve uma necessidade ainda maior de se repensar atividades, hábitos e conhecimentos em todos os níveis hierárquicos da organização. No  encerramento do bate-papo, Batista relatou também diversos eixos de transformação que passam até pela aquisição de empresas para trazer novas expertises e inovação ao grupo, além de expandir a área comercial com mais agentes de vendas. “Este momento, que nos mostra até um Banco Central inovando com o pagamento instantâneo, é cheio de desafios e de oportunidades para quem fomenta e se alimenta dos negócios”, concluiu.

O vídeo com a entrevista, na íntegra, está disponível em nosso canal no Youtube. Aproveite para também se inscrever e ficar por dentro das próximas lives. Amanhã (20), a série de entrevistas terá sequência com Marcelo Suárez, diretor de marketing das marcas BRF da Sadia, que falará das estratégias de engajamento dos clientes; na quarta, o tema “Home office: Até onde a regulamentação ameaça o modelo?” reunirá Paulo Sérgio João, advogado e professor de Direito do Trabalho, Silomar Nascimento, CEO da Virtual Connection e Warney de Araujo Silva, diretor de pessoas da AeC; na quinta, será a vez de Carlos Ferreirinha, especialista em mercado e gestão do luxo; e encerrando a semana, sexta-feira trará um debate sobre o novo RH, com Ana Marcia Lopes, vice-presidente de recursos humanos, responsabilidade social e ouvidoria da Atento Brasil e Cláudio Vinícius, CEO e fundador da Beejobs.