Pedro Venturini, country manager da Bare International Brasil

IA ainda não aparece como parte integrante da jornada de compra

Estudo da Bare mostra que os brasileiros reconhecem o potencial da tecnologia para facilitar escolhas, mas ainda buscam mais segurança na hora da compra

A inteligência artificial já conquistou espaço no dia a dia do brasileiro, mas esse entusiasmo ainda é tímido na hora de decidir o que comprar. É o que mostra a pesquisa exclusiva da Bare International, que mapeou a relação do consumidor com a ferramenta no processo de compra, uma etapa em que razão, segurança e clareza ainda pesam mais do que inovação.

Mesmo com o uso crescente da tecnologia, 73,9% dos entrevistados afirmam não utilizar IA ao pesquisar, comparar ou definir uma compra. O levantamento aponta que, embora presente na rotina, a ferramenta ainda não se consolidou como parte integrante do e-commerce. O consumidor reconhece o valor, mas não enxerga a IA como ponto de partida para suas decisões.

Entre os 26% que já usam IA na hora de comprar, a experiência traz benefícios claros: encontrar promoções é o principal benefício (28%); comparar preços aparece logo atrás (26%); buscar informações técnicas (21%); e procurar recomendações (16%).

O estudo também mostra que a IA atua, hoje, como parceira, mas não é responsável por toda a jornada de compras. Mais da metade dos consumidores (56%) combina buscas tradicionais com ferramentas de IA mantendo Google e Bing como principais fontes de informação.

Os dados revelam que ao comprar, o consumidor espera da ferramenta facilite a comparação de preços, de forma clara e objetiva (40%), recomendações mais detalhadas (21%) e que solucionem dúvidas automaticamente, sem burocracia ou perda de tempo (20%).

Para Pedro Venturini, country manager da Bare International Brasil, esse comportamento reflete um consumidor que valoriza autonomia, mas que quer decisões mais completas. “A IA é vista como aliada da racionalidade de compra, não como substituta da interação humana. O desejo por clareza, comparações objetivas e praticidade mostra uma demanda por tecnologia que simplifique escolhas”.

Apesar da curiosidade e do reconhecimento dos benefícios da IA, o consumidor ainda tem dúvidas ao utilizar a ferramenta. Os principais receios são os seguintes: medo de golpes e links falsos (23%); dúvidas sobre a precisão das informações (22%); e preocupação com privacidade (19%).

A percepção de risco supera barreiras técnicas ou econômicas. A rejeição não nasce da falta de acesso, mas da falta de confiança. Mesmo com 17% de respondentes que afirmam não ter restrições, sem segurança, transparência e confiabilidade, a IA ainda não assume papel decisivo na experiência de compra.

O levantamento mostra um cenário de familiaridade quase total: 99% dos entrevistados afirmam saber o que é IA e que mais de 90% já experimentaram mais de uma ferramenta, sendo a combinação ChatGPT + Gemini a mais frequente.

A maioria usa versões gratuitas (72%), o que confirma um público curioso, em fase de experimentação e sensível à facilidade de acesso. As opções pagas, ainda restritas a poucos, dependem de percepção clara de valor — seja ganho de produtividade, recursos exclusivos ou maior segurança de dados.

A IA também ultrapassa fronteiras: 72% afirmam utilizá-la tanto na vida pessoal quanto no trabalho. Entre quem usa apenas no ambiente profissional, o ChatGPT é dominante (75%), praticamente o mesmo índice de quem utiliza somente no dia a dia pessoal (76%). Entre os que combinam os dois contextos, o uso ultrapassa 90%.

Ao analisar os dados, as principais finalidades do uso da IA no dia a dia são pesquisa e respostas rápidas (23%) e produção ou revisão de textos (16%). Mas as possibilidades são mais amplas: criação de imagens (14%), aprendizado (14%) e tradução (11%). Essa apuração mostra que a ferramenta já evoluiu para um parceiro criativo, educativo e multifuncional, cada vez mais presente em diferentes aspectos da vida moderna.

“A apuração da Bare International revela um consumidor em transição: curioso, aberto às possibilidades da inteligência artificial, mas ainda cauteloso quando o assunto é decisão de compra. A tecnologia já faz parte da rotina, organiza tarefas, amplia o repertório criativo e acelera a busca por informações, mas ainda precisa provar que pode oferecer segurança, clareza e precisão no momento da compra. O interesse existe, o uso cresce e os benefícios são reconhecidos”, complementou o executivo.

O estudo indica que o avanço da IA no varejo dependerá menos de novos recursos e mais da capacidade de oferecer experiências confiáveis, comparações objetivas e respostas transparentes. Superadas essas barreiras, o consumidor tende a evoluir do uso experimental para uma relação mais sólida com a tecnologia. Até lá, a IA permanece como um suporte importante, mas ainda não assume, sozinha, o protagonismo na jornada de compra.

Metodologia 

Pesquisa quantitativa, feita on-line com 919 pessoas, no período de 10 a 20 de outubro, com perguntas abertas ou de múltipla escolha.

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