Ewerton Camarano, CEO da Uliving

Por que dar voz ao jovem cliente é essencial para criar experiências que funcionam

Nem toda sugestão do jovem será implementada, mas toda manifestação precisa ser considerada dentro de um contexto maior, que equilibre viabilidade, impacto e propósito

Autor: Ewerton Camarano

Ouvir o cliente sempre foi um princípio básico de qualquer negócio orientado à experiência. O que mudou, especialmente quando falamos da Geração Z, é a forma como essa escuta acontece e o peso que ela assume nas decisões. Para os jovens, feedback não é um formulário pontual nem um canal distante. É diálogo contínuo, expectativa de resposta e, sobretudo, sinal de respeito.

Essa geração cresceu em ambientes digitais colaborativos, onde opiniões moldam produtos, serviços e comunidades em tempo real. Aplicativos, plataformas de streaming e redes sociais ensinaram desde cedo que sugerir, avaliar e comentar faz parte da experiência. Quando esse jovem ocupa espaços compartilhados, seja para estudar, trabalhar ou morar, ele carrega consigo a mesma lógica: quer ser ouvido, quer participar e espera ver suas percepções refletidas em melhorias concretas.

Nos ambientes coletivos, essa escuta ativa se torna ainda mais relevante. Espaços compartilhados são, por natureza, dinâmicos e diversos. Pequenos ajustes na convivência, na organização dos fluxos ou na oferta de serviços podem gerar impactos significativos no bem-estar coletivo. O feedback deixa de ser apenas uma ferramenta de satisfação e passa a funcionar como insumo estratégico para inovação, antecipando conflitos, ajustando expectativas e criando soluções mais aderentes à realidade do dia a dia.

O diferencial está em como as organizações lidam com essas informações. Coletar dados é apenas o primeiro passo. Transformar percepções em ação exige método, sensibilidade e capacidade de priorização. Nem toda sugestão será implementada, mas toda manifestação precisa ser considerada dentro de um contexto maior, que equilibre viabilidade, impacto e propósito. Quando o jovem percebe que sua voz é tratada com seriedade, o vínculo se fortalece, mesmo diante de decisões que não atendem integralmente às suas expectativas individuais.

Outro ponto central é a transparência. A Geração Z valoriza processos claros e comunicação direta. Explicar por que algo foi ou não implementado, compartilhar aprendizados e mostrar evolução contínua cria uma relação de confiança que vai além do serviço em si. O ambiente deixa de ser apenas um espaço funcional e passa a ser percebido como uma comunidade em construção, onde todos têm algum grau de protagonismo.

No contexto atual, marcado por mudanças rápidas de comportamento e novas formas de viver e conviver, transformar feedback em inovação não é apenas uma boa prática. É uma necessidade para quem deseja criar experiências relevantes e sustentáveis. Ambientes compartilhados que entendem essa lógica não apenas atendem melhor seus usuários, mas constroem relações mais duradouras, baseadas em escuta, colaboração e senso de pertencimento.

No fim, dar voz ao jovem cliente não significa abrir mão de decisões estratégicas, mas reconhecer que inovação real nasce do encontro entre quem projeta o espaço e quem vive nele todos os dias. É nesse diálogo constante que surgem soluções mais humanas, eficientes e alinhadas ao futuro que essa geração espera e ajuda a construir.

Ewerton Camarano é CEO da Uliving.

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