A transformação, puxada pelo mercado

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Um ideal quebrando estereótipos. Essa foi a motivação para a criação da Commodity Systems. Especializada em tecnologia na área de telecomunicações e informática há mais de 20 anos, a empresa direcionou ao longo do tempo suas soluções para a área de atendimento a clientes. O presidente Jorge Tena acredita que enxergar as necessidades do mercado, fornecendo tecnologias e oportunidades, é o caminho para quem busca valores para as próximas gerações. Graduado em Economia com extensão em Administração, respectivamente pelo Mackenzie e Universidade de São Paulo, o executivo conta que, embora a empresa tenha nascido com a proposta de venda de produtos, transformou seu portfólio agregando a oferta de serviços como diferencial. Em entrevista exclusiva, Tena discute o panorama do Brasil em referência tecnológica, as necessidades atuais do mercado e a participação dos profissionais na construção do país.

Como nasceu a ideia da empresa?
A Commodity desenvolve há 24 anos um trabalho muito diferenciado que a fez ser respeitada no mercado. O DNA da empresa possui um diferencial focado em oferecer produtos tecnologicamente perfeitos e os melhores em custo-benefício. A história da Commodity traz a superação de conseguir enfrentar a discriminação que o Brasil sofria por não possuir tecnologia, profissionais que a desenvolvessem e infraestrutura. Por isso nós assumimos a área de tecnologia, basicamente. Posso afirmar que, mais que a visão de empresa, a Commodity é um conjunto de pessoas, algumas que nos acompanham há mais de 15 anos. A empresa tem objetivos muito fortes com os funcionários, a tecnologia e a engenharia financeira. E os números que nos dão tanto orgulho são frutos de uma equipe que nasceu e vem sendo criada no Brasil, que luta de maneira digna junto aos maiores players do mercado, que nutrem por nós grande respeito. Recentemente um presidente de uma grande empresa da área de telecomunicações me disse que a Commodity é um modelo impressionante, que não precisa promover a marca para obter notoriedade. Penso que isso se deve, principalmente, ao fato de que jamais deixamos de respeitar o ser humano, lutar para construir uma empresa diferenciada, uma boutique de customizações e soluções e nunca deixou de se orgulhar por ser brasileiro e de lembrar da história tão rica que nosso país tem.

Como os produtos conseguiram destaque?
Na época do surgimento da empresa foi criado um produto chamado DDA, discagem direta automática, que depois se transformou em discagem direta apartamento, sinônimo de atendimento e subproduto de inúmeras empresas como Alcatel e Siemens, por exemplo. E esse produto foi homologado pela Bell Laboratories, da AT&T. Por isso temos orgulho de termos começado como pioneiros, saindo de números inexistentes para poderosos, contando com a ajuda de empresas companheiras que acreditaram na nossa tecnologia. E essa parceria foi possível porque atendíamos o cliente criando uma nova forma do mercado ver que existiam variáveis e possibilidades de fazer coisas melhores, checando as vontades do mercado e, sobretudo, atendê-las.

Quando começou a aposta na diferenciação?
Além da área de tecnologia o Brasil tinha outras fraquezas. As empresas não tinham funding, recursos para comprar soluções de maneira parcelada ou um serviço em vez de um produto. Isto é, exceto as grandes empresas estruturadas, que eram minoria. A própria Commodity nasceu vendendo produtos, mas depois buscou ser pioneira, enfrentando desafios tecnológicos que, até o momento, não geravam grandes perspectivas. Conseguimos criar modelos financeiros que suportavam a necessidade do cliente de ter uma solução tecnológica competente. Temos uma grande força de desenvolvimento tecnológico e enfrentamos as grandes multinacionais, objetivando concorrer com elas também no exterior. E foi o próprio mercado que mais ensinou que tínhamos que deixar de entregar o produto propriamente dito para entregar o serviço, acompanhar o SLA do cliente. Porque, mais do que nunca, o cliente do nosso cliente começou a exigir que houvesse desenvolvimento mais forte e profundo em todas as operações. Nosso desenvolvimento, que começou com uma simples placa de atendimento, uma URA de baixa intensidade que atendia um canal, evoluiu a ponto de hoje termos uma plataforma composta de URAs atendentes,com discadores preditivos e gravadores. Mais do que isso, a Commodity se preocupou em fazer diferente, não só no produto, na forma de colocação financeira ou de relacionamento.

Como é o compromisso com o mercado?
A empresa jamais brincou ou fez experiências ineficientes com o mercado, pois sempre fomos comprometidos. É evidente que as pessoas erram, tanto que nós já pagamos muita conta por termos sidos atrevidos até demais. Mas hoje somos mais cautelosos, lidamos com projetos que envolvem mais detalhes e demandam maior tempo de planejamento e análise, além de integrações com várias plataformas que nos acompanham. Principalmente nos últimos anos, ocorre que a Commodity esteve em um momento de crescimento de processos, controles, qualidade e volume, tornando-nos mais exigentes, já que antes não recebíamos tantas cobranças. Desenvolvemos características que são consideradas diferenciais. A percepção que associamos com o fato de estarmos nos preparando para grandes parcerias está fazendo com que selecionemos grandes profissionais para a nossa empresa.

E com a sociedade?
Existem muitas empresas que praticam um alto comprometimento profissional e social para fazer do Brasil um exemplo. E isso não apenas em produtos manufaturados e de exportação básicos, mas fazer a diferença em prestação de serviços, venda de softwares, de soluções e de diferenciações. E tal desempenho é visto, por exemplo, no fato do Brasil conseguir viver sem temer a variação abrupta da Bolsa de Valores. O mercado e a indústria têm que se preocupar em desenvolver pessoas honestas e sérias e acabar com qualquer tipo de corrupção ou manipulação. Digo que há um grupo do bem do qual participo, que visa ajudar pessoas que estão desempregadas, empresários que tiveram problemas durante a carreira e pessoas que não estão encontrando o melhor caminho profissional a seguir. Não se trata de uma ONG, mas de um grupo solidário com estrutura informal que engloba mais de 100 participantes e que já ajudou a recolocar mais de sete mil pessoas em 20 empresas. Meu combustível principal é saber que estamos fazendo o bem pelo bem, sem quaisquer interesses. Afinal, qual é o Brasil que queremos para as próximas gerações se não nos posicionarmos de maneira correta? Os empresários têm que dar o exemplo, fomentando não só produtos, soluções e resultados para suas empresas, mas ajudando a sociedade a ser melhor. E tento desempenhar isso com humildade, inspirando-me em profissionais exemplares.

Existe um planejamento de internacionalização?
Para mim é motivo de muito orgulho, como empresário fornecedor do mercado de call center, emprestar meu nome para a vice-presidência da Associação Brasileira de Telesserviços, sendo que foram os líderes desse mercado que pediram pelo meu nome. Há quem não entenda o porquê, mas a Commodity fez parte dessa história quando ajudou a criar muitas empresas e empregos e a disseminar a ideia mundo afora. Vi empresas nascerem com capital minúsculo e atingirem o porte de 100 mil funcionários. Penso que as empresas não podem ser medidas apenas pelo seu faturamento, mas pelo todo. Temos empresas parceiras que nos acompanham há bastante tempo e clientes que estão conosco há mais de 10 anos. E tal reconhecimento e confiança nos mostrou que é possível enfrentar os gigantes. O nosso trabalho é muito mais que matar um leão por dia, mas vários leões. Diferente dos que pensam que pela empresa já ter demonstrado potencial um dia não há mais a necessidade de se provar, eu discordo totalmente. Até pelo fato de não termos um sobrenome corporativo, temos que nos provar cada vez mais. Resumindo, a Commodity é um exemplo de empresa nacional que quer ser, no mínimo, um modelo. Não em números, mas em qualidade. É óbvio que faturamento, receita e retorno do capital são importantes, mas o patamar que estamos discutindo é sobre diferencial. Pode até parecer um discurso idealista, mas foi assim que conseguimos desenvolver sonhos em realidade. A Commodity é uma opção necessária e importante no mercado. Infelizmente ou felizmente, depende do ângulo de análise, a Commodity não briga com os pequenos, mas com multinacionais líderes no mundo, de igual para igual. A Commodity está viva e quer participar.