O desafio de fazer a leitura do jogo!

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A Cliente SA de novembro último nos presenteou com uma matéria de capa que é pérola rara. A entrevista com Lincoln Seragini, presidente da Seragini/Farné, revela o que há de mais avançado em termos de pensamento empresarial para o futuro. Uma peça jornalística para se recortar e guardar. E consultar sempre. A menos que você esteja, ainda, com os faróis na traseira, iluminando o passado. Porque, quando ele afirma que o sucesso não está mais na dependência da gestão pela qualidade ou pelos custos, mas sim extremamente dependente da inovação, é algo para ser refletido muito seriamente.

Vou me dirigir aqui, tomando por base esta entrevista – assim como a brilhante participação de Lincoln Seragini no V Encontro de Presidentes, também em novembro – aos que pretendem desenvolver uma bela carreira profissional, não só no setor de Relacionamento com Clientes, mas em qualquer outro. E irei utilizar, para tornar mais fácil a compreensão, dois exemplos mais prosaicos, singelos – com o perdão dos que não gostam de esportes – que são o futebol e o vôlei brasileiros.

O São Paulo Futebol Clube acaba de se tornar indiscutível campeão brasileiro de 2006. E o vôlei nacional, vem de se tornar bi-campeão mundial. Mas o que me importa neste momento é verificar a razão desse sucesso. E assistir constrangido às análises dos “especialistas” nos meios de imprensa. Segundo parecer unânime da crônica esportiva – e dos próprios técnicos e jogadores – em ambos os casos o êxito é filho do planejamento. Aquelas equipes se tornaram vitoriosas em virtude da equilibrada visão dos planejadores. Nada mais míope que isso!

É evidente que o bom planejamento ajudou. Não há dúvida que a preocupação com a qualidade e a boa administração financeira – junto com estruturas muito bem montadas, etc – tudo isso contribuiu para o sucesso. Mas o que foi decisivo mesmo, em ambos os casos, é algo que as pessoas relegam a um segundo ou terceiro plano em suas análises: a inovação. É ela que permitiu ao São Paulo criar uma marca forte, tanto que agora todos os craques que não são vendidos para o exterior querem jogar no tricolor do Morumbi. A marca forte atrai clientes e talentos. Só se consegue agregar valor, edificando um branding robusto, com a inovação.

Ou vocês acham que o São Paulo planejou a atuação de um goleiro-artilheiro. Rogério Ceni reinventou a função. Faça isso também. Ou planejou um volante (Mineiro) hoje disputado a peso de ouro no mercado internacional? Que finge ser um simples marcador e aparece de repente na frente do goleiro para finalizar (só para lembrar, foi dele o gol que deu o último título mundial à equipe). Será que o técnico Bernardinho, da seleção de vôlei, planejou um levantador (Ricardinho) que praticamente também reinventou a função? Ou ele planejou um Giba, capaz de saltar muito acima da rede, saindo da linha dos três metros?

É por isso que, de maneira provocativamente radical, Tom Peters dizia sempre: “Demitam os planejadores, contratem os loucos”. São esses “loucos” que acabam criando uma Microsoft, um Google, etc, e que depois saem correndo atrás de outros “loucos” como eles para avançar no mercado. “Nós não sabemos agregar valor, criar marcas fortes”, afirmou Seragini. Portanto, precisamos mudar essa cultura. Por exemplo, quando perguntaram ao técnico Murici Ramalho, do São Paulo, porque o jogador Mineiro era tão importante na equipe, este respondeu: “Ninguém sabe fazer uma leitura do jogo como ele”. Viram só? Sabe o que isso quer dizer? Que de nada adianta o planejamento se, na hora do jogo, você não inovar. Uma compreensão clara daquilo que está acontecendo, para então surpreender, encantar, deixar os adversários (concorrentes) tontos.

Por isso insisto que os currículos – para os que almejam o sucesso completo na carreira profissional – devem estar recheados de projetos inovadores. “Criei, inovei, reinventei…”, esses são os verbos que tornarão você uma pessoa disputada no mercado. A sociedade globalizada está doida para fazer o enterro dos conservadores. Fazer o quê? O mundo ficou assim.

Claudir Franciatto, autor de nove livros, é sócio-diretor de Hunting e Pré-Certificação da KS Consulting, professor da Franciatto Consulting e parceiro da ClienteSA e da Bolsa de Empregos do Callcenter.inf.br. Email: [email protected]