O potencial do cliente cada vez mais multicanal

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Aparentemente, ele está dando os primeiros passos no mercado brasileiro. Mas o mobile commerce já se mostra com enorme potencial. Os números jogam a favor. No mês de julho, o Brasil atingiu a marca de 187 milhões de celulares, de acordo com a Anatel. Mais de 80% da população brasileira possui aparelho celular. Existem perspectivas de que o acesso a Internet pelo celular vá superar o PC já em 2012. Mais. A previsão de faturamento do comércio eletrônico brasileiro para 2010 foi revista para R$ 14,3 bilhões. Junte-se a esses dados a expansão da classe C. A e-bit, empresa especializada em informações de e-commerce, calcula que, no primeiro semestre de 2010, cerca de três milhões de brasileiros passaram a utilizar a Internet e que 60% deles têm renda familiar até R$ 3 mil. São novos usuários que podem tornar-se e-consumidores.

O cenário é altamente otimista como também se revela Léo Xavier, CEO da Pontomobi, uma empresa tradicional fornecedora. “Partimos de uma base enorme de celulares no mercado. Quando o e-commerce deu seus primeiros passos por aqui, em 2000, havia algo como sete milhões de usuários de Internet discada e dez anos depois estamos falando de um mercado que movimentará R$ 14,3 bilhões. Na plataforma móvel, partimos de uma base de 22 milhões de internautas móveis (sendo 13,6 milhões já com celulares 3G) numa base de 187 milhões de linhas, das quais metade tem capacidade de acessar Internet. Ou seja, o potencial do m-commerce no Brasil é muito grande”, finaliza Xavier.

Os números demonstram grandes possibilidades. Mas para Alexandre Soncini, sócio-diretor da WX7 Solutions, isso só vai acontecer quando as empresas se voltarem para esse novo canal de vendas. “As empresas deveriam criar estratégia para o m-commerce, mas são poucas ainda as que enxergam essa disponibilidade. Suas plataformas ainda não estão preparadas para isso”, reclama. “Porém, o consumidor está se tornando cada vez mais multicanal. Ele vai exigir que as marcas estejam disponíveis pelo m-commerce”, completa o executivo. Soncini explica que a maior dificuldade para as empresas é que os celulares têm dispositivos diferenciados, não há um padrão único que funcione em todos os navegadores. “Os empresários terão de definir uma estratégia que deverá levar em conta os diversos dispositivos e navegadores no universo mobile ou o desenvolvimento de aplicativos específicos”, declara.

Quem saiu na frente e está apostando no m-commerce é o Grupo Pão de Açúcar. Nos próximos dias começará a ser veiculada uma campanha publicitária do grupo para promover o Pão de Açúcar Delivery nas plataformas mobile Android, iPhone e também iPod touch e iPad. Desenvolvido pela Pontomobi, o aplicativo permite aos usuários acessarem funcionalidades e serviços disponíveis no site, como busca de produtos, listas prontas, listas personalizadas, receitas e últimas compras realizadas, além de localizador de lojas. João Edson Gravata, diretor de operações da rede Pão de Açúcar, ainda não arrisca uma previsão do número de vendas. “Imaginamos que nos próximos meses ou anos esse modelo de negócio terá uma participação relevante nas vendas totais. Mas não temos como estimar vendas”, afirma. “Buscamos alternativas para tornar a vida do nosso cliente mais prática. Com o lançamento dessa plataforma, vamos monitorar o comportamento desse tipo de cliente e traçar uma perspectiva de evolução para o negócio”, complemente o executivo. O grupo já vinha trabalhando com iniciativas em mobile marketing, como aplicativo da rede Ponto Frio, lançado no final de 2009, com localização da loja mais próxima. Além disso, nos meses da Copa do Mundo, o Extra ganhou um aplicativo para iPhone chamado “Torcida Extra” e um site mobile que trazia uma série de ferramentas interativas.

Todo o projeto para o Grupo Pão de Açúcar levou cerca de quatro meses para ficar pronto, explica Léo Xavier. “Trata-se de algo bastante complexo, que envolveu as áreas de marketing, produto e TI do Grupo Pão de Açúcar. Iniciamos com análise de benchmarks internacionais, definição de navegabilidade e usabilidade, desenho do wireframe, criação do look&feel para partimos para o desenvolvimento propriamente dito”, diz Xavier. Esta é a primeira solução de m-commerce que empresa desenvolve. “É também a primeira multiplataforma com processo inteiro de vendas no aplicativo do País”, comemora.