Vem mais algum alienígena por aí?

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Volta e meia aparece um neologismo no mundo corporativo e que, por reverberação se candidata ao título de bola da vez. É difícil enxergar com nitidez as expressões que estão muito próximas de nós – sobretudo as importadas – uma vez que muitas se encontravam aqui desde que nascemos, fazendo parte da nossa rotina e compondo o cenário do nosso cotidiano. Pelo fato de convivermos intimamente com elas o tempo todo, as encaramos equivocadamente como naturais, raramente questionando suas origens, as razões de ser e a quem podem estar beneficiando.

Sem xenofobia e nada contra downsizings, contact center, frequency marketing, friendship marketing, outplacement, expertises, coaching e outros quetais. Mas é certo que esta invasão concebida e planejada, aos poucos, vai asfixiando nossas consciências, amortecendo nossos sentimentos e desfocando nosso modo genuíno de pensar, com os erros e acertos inerentes à uma nação quase sem modelos e referenciais e com a síndrome de evasão da realidade.

Se há algo que podemos admirar em nossa cultura, além de nossas belezas naturais, de nossa música e alegria incompreensível de nosso povo, é a sonoridade de nossas palavras. Fruto do cruzamento radical de raças nativas, européias e africanas, a miscigenação de raças e a convivência harmoniosa entre estas diferentes culturas geraram expressões de rara musicalidade e tão propalada entre nossos intérpretes e escritores, tais como Drummond que dizia que … “lutar com as palavras é a luta mais vã, enquanto lutamos mal rompe a manhã…”.

Felizmente já começamos a descobrir – e principalmente outras nações -, que o brasileiro é mais facilmente mobilizável para mudanças e envolve- se em nível emocional maior com a empresa do que muitos outros povos. Esse dado é positivo quando, internacionalmente, se fala da necessidade de os colaboradores estarem com o coração na empresa e não apenas com os braços e cérebro.

Mas falta ainda grandes pontes a serem erigidas, pois com o viés parcial apenas da redução de custos, pequenas e grandes empresas eliminaram diversas manifestações, nas quais somos the best – veja-se a manifesta ação de esconder o atendimento humano num menu eletrônico enorme e confuso, que evidencia- se como um exemplo sublime de miopia de marketing.

O que mais coopera para a erosão no atendimento brasileiro não são as grandes mazelas, mas os pecadilhos diários no atendimento, as pequenas incompetências, descortesias, intransigências absurdas, erros e cobranças injustificadas – que poderiam ser facilmente resolvidas.

Ainda assim, acredito que, com nosso aprendizado e convívio com tantos problemas, somos um sério candidato assaz apto a promover mudanças significativas para a humanidade.

Kendi Sakamoto é diretor da Kendi Sakamoto Contact Center Consulting (www.kendisakamoto.com.br)