Giovana Giroto

Um terço dos super-ricos compram pouco ou nada on-line

Pesquisa da Serasa Experian revela, ainda, que um a cada quatro dos super-ricos tem até 39 anos de idade

Apesar da alta renda e da forte presença digital, 34% dos brasileiros que ganham acima de 20 salários mínimos compram pouco ou nada no ambiente on-line. O dado faz parte do “1º Anuário Mosaic Insights”, estudo da Serasa Experian que analisa o comportamento dos chamados “super-ricos”. O dado indica que, para parte relevante do topo da pirâmide, a jornada pode até começar no digital, mas a conversão do consumo frequentemente se consolida em canais físicos e de relacionamento.

“O estudo do Anuário, material desenvolvido pela área de marketing solutions da datatech, reforça que não existe uma estratégia única para grupos definidos por um só critério, que nesse caso, é a renda. Mesmo em menos de 1% da população, temos nuances importantes a serem consideradas pelas marcas que querem se comunicar com o público de maneira eficaz. Quando a leitura fica só em ‘renda alta’, a estratégia tende a virar estereótipo. O Mosaic permite enxergar múltiplas elites e diferentes jornadas, inclusive aquelas em que o digital é porta de entrada, mas não é o ponto final”, detalhou a Giovana Giroto, CMO e vice-presidente de marketing solutions da Serasa Experian.

O estudo também dimensiona esse universo: no Brasil, os “super-ricos” representam um recorte ainda mais estreito dentro do 1%. Cerca de 0,40% está acima de 30 salários mínimos mensais, dos quais o comportamento premium, em volume, se conecta mais a conveniência e à continuidade da rotina do que a ostentação, com destaque para categorias como eletrônicos, delivery, farmácia, cosméticos, casa e mercado.

Múltiplas elites: por que o recorte por clusters importa

Para aprofundar a análise desse público, o Mosaic Insights segmenta os super-ricos em grupos com padrões semelhantes , de comportamento, momento de vida e estabilidade financeira. Nesse modelo, renda é uma variável relevante, mas não é a única: a segmentação considera um conjunto de sinais que ajuda a explicar diferenças de consumo e jornada dentro de um mesmo patamar de renda.

A concentração do público super-rico aparece majoritariamente no grupo de “Alta Renda e Executivos Consolidados”, que reúne 68% desse universo. Ainda assim, o anuário aponta participação relevante em outros perfis, reforçando que não existe uma “elite única”. Entre eles, destacam-se a “Classe Média Urbana Estruturada” (12%); perfis urbanos com maior previsibilidade e vida financeira organizada, além de “Empreendedores em Crescimento” (4%) e “Autônomos e Pequenos Empreendedores” (4%), grupos que, apesar da renda, tendem a ter rotinas e jornadas mais sensíveis a fluxo de caixa e dinâmica de negócio. Os demais clusters somam 12%, completando um retrato mais diverso do que o senso comum costuma sugerir.

Essa diversidade também aparece quando o anuário cruza o recorte de renda com o perfil etário. Entre os super-ricos, um em cada quatro tem até 39 anos, indicando um retrato jovem, mas com a riqueza se consolidando ao longo da vida. “Quando a gente cruza idade com a formação dos grupos, a leitura fica mais completa e entendemos que a elite brasileira não é só herdeira, ela também reflete trajetórias profissionais aceleradas e empreendedorismo, o que muda repertório, canais e a própria lógica de decisão”, finalizou a executiva.

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