Como contornar a fadiga digital

Executivos de Raia Drogasil, YPF Brasil e Vitalk falam das estratégias para combater o esgotamento no trabalho

0
35
Fernanda Caracciolo, diretora de gente e cultura da Raia Drogasil, Fábio Sato, diretor de novos negócios da Vitalk, e Graciele Fagundes do Nascimento, head de RH da YPF Brasil
Fernanda Caracciolo, diretora de gente e cultura da Raia Drogasil, Fábio Sato, diretor de novos negócios da Vitalk, e Graciele Fagundes do Nascimento, head de RH da YPF Brasil

A aceleração das transformações tecnológicas operadas nas organizações de todos os segmentos, juntamente com a adoção de um novo modelo de trabalho, têm conseguido contornar os empecilhos da crise sanitária, mas não sem efeitos colaterais. Entre estes se destaca a fadiga digital, um transtorno na saúde mental causado pelo excesso de cobranças e reuniões virtuais, falta de conexão humana e melhores condições para a descompressão. A saída, então, tem sido embarcar conhecimento, com ajuda de especialistas, envolvendo as lideranças e seus colaboradores em programas e jornadas de acolhimento, pausas estratégicas e uma comunicação menos estressante. Este e outros caminhos adotados diante dessa nova realidade foram debatidos, hoje (02), ao longo da 278ª live da série de entrevistas dos portais ClienteSA e Callcenter.inf.br, com as presenças de Fernanda Caracciolo, diretora de gente e cultura da Raia Drogasil, Fábio Sato, diretor de novos negócios da Vitalk, e Graciele Fagundes do Nascimento, head de RH da YPF Brasil.

Depois de parabenizar os profissionais de RH pelo seu dia, que será comemorado amanhã, quinta-feira (03/06), e confirmar as evidências de uma certa fadiga mental generalizada, a head da YPF Brasil disse não considerar o modelo de home office como o grande vilão dessa história. No seu entender, pesa mais na balança todo o contexto de uma crise sanitária prolongada, o que afetou a rotina anterior de momentos permeados de encontros e relaxamento depois do expediente, nos fins de semana, nas academias, etc. O que se soma, explicou, à insegurança geral quanto à manutenção dos empregos e o receio permanente de contrair a Covid-19.

Para amenizar esse problema, depois de uma pesquisa interna específica sobre os efeitos do teletrabalho, Graciele contou que foi adotada na empresa a “quinta-feira sem reuniões”. “Porque essa sondagem nos mostrou que a grande maioria dos colaboradores prefere trabalhar nesse modelo, mas se ressente do excesso de compromissos virtuais”, detalhou a executiva, complementando: “a decisão foi tomada com apoio da alta direção, o que é fundamental para as iniciativas na gestão de recursos humanos. Essa redução nas chamadas de vídeo tem sido uma providência muito bem-sucedida e nos levou a arquitetar, por exemplo, os ‘Cafés com o RH’ por meio dos quais pretendemos ampliar os insights obtidos nos levantamentos realizados”. Tudo visando melhorar as adaptações a um sistema de home office mais confortável e ergonômico. Além disso, a companhia deverá continuar promovendo encontros virtuais para debater assuntos de interesse mais pessoal que profissional. Na programação, consta um churrasco de retorno no ambiente pós-pandemia. “O que responde a um certo paradoxo: as pessoas, ao mesmo tempo em que defendem a manutenção do trabalho à distância, manifestam a falta que faz o contato humano mais frequente.”

Por sua vez, a diretora de gente e cultura da Raia Drogasil ressaltou o desafio que representa, na empresa, olhar para as necessidades de 45 mil colaboradores, a grande maioria nos ambientes físicos das lojas e requerendo cuidados redobrados. Nesse aspecto, ela ressaltou que a organização se pauta na visão de pessoas, negócios e planeta mais saudáveis. “Então, para sermos efetivamente uma referência, temos que abraçar essa filosofia de dentro para fora. Algo sobre o qual nos debruçamos há muito tempo, buscando ações estruturantes. E tendo como fundo a preocupação com a saúde integral das pessoas, ou seja, saúde física, mental, social, espiritual e ambiental.” No entendimento da executiva, o esforço se resume a olhar para essas dimensões e ajudar na escolha de hábitos saudáveis. O que, na sua concepção, é desejável, mas nem sempre fácil de efetivar. Levando a organização à concretização de parcerias com especialistas e empresas que ajudassem com os projetos dentro das cinco dimensões mencionadas.

 

“Quando se fala em saúde emocional”, opinou Fernanda, “a primeira coisa é desmistificar o tema apor meio de palestras sobre a relevância do mesmo e o quanto pode impactar as performances,  o bem-estar, o absenteísmo, etc.”. E acrescentou a importância de envolver as lideranças em geral para disseminar esse assunto e ajudar as pessoas no dia a dia, o que conduziu à ideia de construir a Jornada de Acolhimento. Em resumo, trata-se de convidar profissionais especializados que falem sobre formas de se chegar ao equilíbrio entre vida profissional e pessoal. E, também, favorecer pausas efetivas para os colaboradores se dedicarem livremente às suas atividades pessoais e em família. “Temos, além disso, o programa ‘Vamos jogar conversa dentro’ e, mais recentemente, ao notar que esse cansaço é evidente e que a agenda das videoconferências é interminável, realizamos um esforço para organizar essa rotina. Depois de um trabalho de benchmark sobre as melhores práticas no assunto, criamos infográficos com cinco dicas para o que chamamos de uma jornada de trabalho incrível.”

Já para Fábio, da Vitalk, organização especializada nos serviços de avaliação e contribuição para a saúde mental nas empresas, muitas destas podem, por desconhecerem o tema com um pouco mais de profundidade, mais atrapalhar que ajudar a resolver os problemas. No seu entendimento, torna-se basilar a conscientização das lideranças para colocar todos os times na mesma direção, sabendo se comunicar sobre a importância estratégica desses cuidados. Conforme pesquisa realizada pela Vitalk, 41% dos colaboradores sondados afirmaram que seus gestores têm prejudicado seu estado emocional. E ele aponta como crucial nesse contexto exatamente a comunicação inadequada, com muitas chamadas sobre os assuntos de trabalho. E o quanto é desgastante mentalmente a falta de atenção ao ser humano em si e às suas eventuais dificuldades. “Existe, em meio a tudo isso, o medo natural da perda do emprego, levando os profissionais a darem o chamado gás a mais e, por isso, precisam mais do que nunca de uma boa conexão humana para aliviar a pressão.”

Na concepção do executivo, o trabalho em confinamento contínuo tem seu lado positivo, mas leva, com o tempo, à fadiga digital e ao esgotamento emocional. Nesse sentido, ele recomenda que se trabalhem melhor as agendas  e sempre iniciar as conversas fazendo um check-in informal sobre o estado psicológico e ambiental do profissional. “Isso tudo ajuda a superar melhor o estresse, algo que já é natural no dia a dia do trabalho. É preciso tempo e espaço para recarregar as baterias. Oferecer descansos além daqueles já programados. Mesmo porque, os fins de semana não têm sido mais como eram.” E chamou a atenção para a necessidade imperiosa de que a organização como um todo seja alcançada pelas ações de descompressão.

O vídeo com o bate-papo na íntegra está disponível em nosso canal no Youtube, o ClienteSA Play, junto com as outras 277 lives realizadas desde março de 2020. Aproveite para também para se inscrever. A série de entrevistas retornará na segunda-feira (07), recebendo Regina Murakoshi, Chief Product Officer (CPO) do bankQi, que falará sobre o desafio, técnico e cultural da inclusão financeira; na terça, será a vez de Luiz Piva, diretor de marketing da Sherwin-Williams; na quarta, Murilo Macedo, diretor da Prodesp/Poupatempo; e, na quinta, Pablo Satyro, diretor de marketing e e-commerce da Telhanorte Tumelero.