Mudança radical no modelo operacional dos bancos até 2024

Perda de receita e gerenciamento de custos estão entre as principais preocupações, segundo sondagem da KPMG

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Cláudio Sertório, sócio-líder de serviços financeiros da KPMG no Brasil
Cláudio Sertório, sócio-líder de serviços financeiros da KPMG no Brasil

Para enfrentar o desafio da transformação de custos em resposta à pandemia da Covid-19, 28% dos executivos de alguns dos maiores bancos do mundo, entrevistados pela KPMG na pesquisa “Novos imperativos de novos custos no setor bancário”, disseram que estão visualizando uma mudança radical no modelo operacional dentro do setor nos próximos três anos. O relatório da consultoria apontou, ainda, que essas instituições precisam, urgentemente, desenvolver estratégias de transformação de custos inteligentes e observar as lições do passado para garantir uma implementação bem-sucedida e a realização de benefícios.

A pesquisa, que ouviu mais de 200 líderes do setor bancário, mostrou os dois principais problemas que os bancos devem enfrentar após a crise sanitária. Para 21% deles, é a perda de receita, enquanto para 20% será o gerenciamento de custos. Além disso, como resultado desse processo, 61% deles afirmaram que a prioridade estratégica da redução de custos aumentou e 59% afirmaram ser a digitalização o fator de custo mais importante.

Segundo o sócio líder do setor financeiro da KPMG no Brasil, Cláudio Sertório, o ambiente atual exige que a maioria dos bancos transforme os modelos operacionais e mova as bases de custos para uma estrutura mais sustentável.

“No ambiente atual, os bancos em todo o mundo precisarão reduzir a relação custo/lucro de forma relevante, talvez 10 pontos percentuais ou mais. Eles precisam rever ou até reinventar o modelo operacional e aproveitar a agilidade, resiliência e transformação digital que mobilizaram as respostas iniciais à pandemia para garantir a otimização sustentável de custos. Aqueles que não se moverem com rapidez suficiente, provavelmente, serão incapazes de concorrer em preço, valor e entrega com os competidores mais enxutos e eficientes, perdendo participação no mercado”, analisa Sertório.

Questões de custos
Quando questionados se os bancos dobraram os esforços em gerenciamento de custos, 85% disseram que estão acelerando esse processo e 83% apontaram um redirecionamento de esforços de otimização de custos. Sobre as metas de redução de despesas, 61% alegaram que houve um aumento nas metas em até 10% e 19% aumentaram a meta em mais de 10%.

Já no que diz respeito às economias significativas, o relatório apontou que elas consideram um médio prazo com relação aos custos: 66% definiram uma meta de redução de custos de mais de 10% nos próximos três anos e 15% procurarão levar mais de 10% da base de custo para os próximos 12 meses. “Na esteira da pandemia da pandemia, a agenda de custos foi elevada a um novo patamar de importância e a maioria dos bancos está procurando intensificar e acelerar essa transformação de maneira significativa. Com a covid-19 destacando o imperativo de custos para os bancos, eles têm a missão de irem ainda mais longe e criar um novo plano para o futuro. No entanto, poucos conseguiram obter todos os benefícios dos esforços anteriores. Consequentemente, os níveis de custo permanecem teimosamente acima de onde deveriam estar. O sucesso depende de ter uma direção clara e consistente de cima para baixo e uma sólida cultura de custos”, analisou o sócio líder de serviços financeiros da KPMG na América do Sul, Ricardo Anhesini.

O link para acesso ao estudo “Novos imperativos de novos custos no setor bancário” (do original em inglês, New cost imperatives in banking) é https://assets.kpmg/content/dam/kpmg/xx/pdf/2021/04/new-cost-imperatives-in-banking.pdf