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NRF 24: as principais tendências tecnológicas para o varejo

Bruno Shigemura, gerente de marketing da Intel Brasil

Soluções de borda e uso de IA apresentadas aumentam eficiência de processos, controles de logística e estoque, e auxiliam na prevenção de roubos

Autor: Bruno Shigemura

A NRF Retail Big Show é uma das mais importantes feiras de varejo do mundo, e tive a oportunidade de participar da edição de 2024. Organizado pela National Retail Federation, o evento é uma das maiores vitrines para apresentar soluções para o varejo e ficar por dentro das novas tecnologias e tendências do setor.

Mesmo durante a pandemia, quando as prioridades de consumo e gastos mudaram muito, o varejo brasileiro se fortaleceu, ampliando principalmente o campo do varejo digital, com expansão dos e-commerces, evolução das logísticas de estoque e entrega própria – reduzindo a dependência dos correios e transportadoras terceirizadas. Sendo assim, a edição deste ano da NRF foi especialmente importante para o Brasil, que teve forte presença na feira com a segunda maior delegação do evento.

Com foco em demonstrações de experiências práticas, é notável como as novas tecnologias podem facilitar o dia a dia de diversas empresas do setor, e mais especificamente, como a Inteligência Artificial é a chave para desbloquear um novo potencial de crescimento, ainda pouco explorado.

Em sua maioria, os expositores da NRF’24 apresentaram soluções que ultrapassam a experiência com dispositivos, focando em evoluir a experiência do consumidor, agilizando processos e reduzindo custos.

IA otimizando processos

Após décadas criando chips cada vez menores e mais disruptivos, vimos que os mínimos detalhes podem ter impactos gigantescos, especialmente no varejo. A feira foi muito importante para estreitar relacionamentos e criar novas parcerias.

Naturalmente, tecnologias por si só são vazias se não forem aplicáveis, por isso as empresas precisam criar soluções para problemas reais. Durante o evento, foi possível ver visão computacional, Inteligência Artificial e computação de borda juntas, um dos exemplos foi a expansão de novas tecnologias que oferecem benefícios de ponta a ponta, da gestão do estabelecimento até o processo final de compra.

Pensando em controle de estoques inteligentes de restaurantes, as câmeras e sensores identificam ingredientes, acusando no sistema o fluxo médio de saída, e quando eles precisam ser repostos. Além de evitar que a loja fique sem ingredientes estratégicos, geralmente de produtos ou serviços mais buscados, o processo ainda permite antecipar quanto precisa ser reposto, evitando também compras excessivas que podem resultar em eventuais perdas.

Esse mesmo tipo de solução também pode ser aplicado para evitar furtos em drogarias ou lojas com alto volume de produtos expostos. Os sensores também conseguem mapear áreas de calor nos corredores e prateleiras, identificando as regiões que mais chamam a atenção dos consumidores – com isso, é possível criar estratégias de distribuição de produtos, ou mesmo definir quais áreas podem ser mais interessantes para posicionar marcas parceiras e precificar contratos de patrocínio por zonas mais ou menos buscadas.

IA na borda e em escala

Segundo estudo da Linx, apenas 16% do setor de varejo já utiliza Inteligência Artificial de alguma forma em suas operações. Muito desse cenário é reflexo de como essa tecnologia vinha avançando até o momento, com a maior parte dos produtos e soluções se baseando em serviços extremamente complexos, especializados e, acima de tudo, muito caros.

Até muito recentemente, falar em produtos auxiliados por IA com altíssimos volumes de dados gerados quase sempre implicava em soluções robustas de infraestrutura em nuvem, o que tornava pensar em soluções para o varejo ainda mais complicado. Nesse caso específico, o custo de operação envolve muitas questões, e o capital precisa girar rápido, restando pouca margem para investir quantias, geralmente na faixa dos milhões, para conseguir implantar uma infraestrutura remota de Big Data.

Por mais que seja de conhecimento geral que esse tipo de investimento traz retorno a longo prazo, o setor de comércio flutua rapidamente, e comprometer o caixa para adotar essa tecnologia pode, em alguns casos, implicar em fechar as portas antes de ter o retorno projetado. É necessário trazer um serviço completo e em escala para permitir que essas informações sejam processadas na borda, ou seja, dentro do próprio dispositivo ou mesmo localmente.

Ferramentas como o OpenVINO permitem retreinar grandes modelos de linguagem (LLM), para modelos reduzidos adaptados especificamente para a demanda de cada parceiro, rodando em desktops e notebooks. Isso reduz drasticamente o investimento na implantação de soluções inteligentes, e mesmo quando elas exigirem projetos mais robustos, o custo total de operação também será consideravelmente menor, oferecendo a escalabilidade que o dia a dia de vendas e do varejo requer.

A Inteligência Artificial é, possivelmente, a tecnologia com maior potencial de otimizar processos internos e melhorar a experiência do usuário. Com a missão de levar tecnologia a todos, as empresas devem garantir que a IA seja acessível também para o varejo, permitindo que ele acompanhe os avanços de outros setores da indústria sem que esse investimento comprometa a receita dos empreendimentos, principalmente os com orçamentos menores.

Bruno Shigemura é gerente de marketing da Intel Brasil.

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