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Soluções de armazenagem em prol dos centros urbanos

Thiago Cordeiro, sócio fundador e CEO da GoodStorage

CEO da GoodStorage expõe a trajetória de uma proposta de flexibilidade com a oferta de self storages e galpões logísticos

A dinâmica da economia permite que soluções surjam onde poderia haver problemas. É o caso da locação de espaços para armazenagem de mercadorias. Criada há oito anos, a GoodStorage nasceu com o desafio de disseminar, no Brasil, uma cultura já muito presente em solo americano, que é a de ofertar espaços para guardar móveis e objetos. Em plena fase dessa construção, entretanto, o comércio eletrônico sofisticou a logística e, a rapidez de entrega exige agora uma infraestrutura de armazenagem próxima às residências dos compradores. Trata-se da last mile, ou última milha da entrega, que abriu novos horizontes para a GoodStore, expandindo-se em 25 unidades, de self storages e galpões logísticos, na capital paulista. Descrevendo a trajetória de um movimento empreendedor que racionaliza o espaço urbano e vai se consolidando com relevância para ganhar escala, Thiago Cordeiro, sócio fundador e CEO da GoodStorage, participou, hoje (02), da 532ª edição da Série Lives – Entrevista ClienteSA.

Contando, de início, a trajetória que o levou a apostar nesse tipo de negócio, Thiago falou das suas atividades anteriores como empreendedor em uma startup do setor imobiliário durante cinco anos. Depois, como gestor de investimentos nas várias classes de ativo do segmento, incluindo fundos, shoppings, linhas residenciais, etc., tudo como um intrapreneur do BTG Pactual, no início da década passada. Até que, querendo voltar à iniciativa própria, estudou o segmento e percebeu o potencial ainda pouco explorado, à época, dos chamados guarda-móveis, agora sob nova conceituação de self storage. Tratava-se, segundo ele, de uma oportunidade de mercado muito mal explorada, sofrendo do preconceito de ser algo de uma cultura americanizada – residências com garagens tão abarrotadas que necessitavam de uma extensão para acomodar os pertences em excesso.

O executivo considerou a viabilidade de construir essa cultura de comportamento urbano nesse centro dinâmico por acreditar na pujança econômica, tecnológica e social da cidade de São Paulo – hoje, também, pela tendência pós-pandemia de as pessoas desejarem residir em espaços menores e terem mais flexibilidade para se mover e guardar suas coisas. “Esse era o pano de fundo do business plan da GoodStorage que passou por seis meses de maturação, até que, no final de 2013 conseguimos obter a primeira rodada de investimentos. O que foi fundamental para a primeira questão estratégica que era possuirmos a propriedade dos imóveis no negócio.” Assim, o aporte inicial de US$ 150 milhões foi crucial para um horizonte de três anos de crescimento. Porém, restava, ainda, vencer o desafio da edificação de uma cultura que gerasse mais mercado.

Nessa direção, depois de expor em detalhes a evolução do segmento imobiliário, que passou por vários estágios no país até ganhar o nível de resiliência e amplitude de oportunidades que tem hoje, o CEO analisou que o nicho dos self storages era um ativo imobiliário promissor e meio fora do radar dos empreendedores. E, na questão do hábito, se essa oferta funcionava em outras metrópoles com o mesmo tipo de gargalo para os moradores, bastaria apenas ser conhecida em São Paulo, algo não realizado pelos poucos players da época. Ou seja, contra a timidez da atividade, agir com mais ousadia e aspectos chamativos. “Depois de oito anos de existência, com 25 unidades em funcionamento, podemos afirmar com segurança que quebramos o paradigma demonstrando os aspectos funcionais dessa alternativa. Pesou, também, nessa jornada, a escolha de bairros nobres e estratégicos para a solução.” E descreveu os projetos de criar uma estratégia de brand awareness, ou formas de construir uma consciência da marca no público.

Instigado a falar das possibilidades e eventuais entraves para uma escalada sustentável de um negócio que requer altos investimentos – e pelo fato de quase 70% dos chamados galpões logísticos do país estarem concentrados apenas em São Paulo –, Thiago sustentou que a estratégia é ganhar relevância a partir da capital paulista e o quanto há de interesse em crescer, inclusive oferecendo perspectivas para o time de 120 profissionais que hoje tocam o empreendimento. “Segundo a associação brasileira do setor, há hoje, no país, cerca de 750 self storages, um número relativamente pequeno, mas espalhado por outras cidades brasileiras, mostrando que há mercado nacional sim.” Dessa forma, ao invés de pensar em escalar já para fora da capital paulista, a estratégia adotada tem sido ampliar para o mercado B2B, passando a funcionar como pontos logísticos para as necessidades do last mile surgidas com o crescimento do e-commerce.

Conforme salientou o executivo, nos Estados Unidos, 95% do mercado de self storages está destinado às pessoas físicas. Entretanto, já havia, mesmo antes da pandemia, a tendência de crescimento do comércio eletrônico e o potencial para essa necessidade logística de armazenagem das mercadorias mais próxima às residências dos consumidores, a chamada infraestrutura da última milha. O que se confirmava no Brasil, havendo já 70% das negociações com pessoas jurídicas para aluguel dos espaços. Dessa forma, já em 2018, a GoodStorage realizou os investimentos nos seus dois primeiros galpões logísticos. “A partir daí, adquirimos a consciência de que nosso negócio não visa atender às pessoas físicas ou jurídicas, mas as dores dos centros urbanos, que passam por profundas transformações.” Ele discorreu um pouco sobre essas mudanças que apontam para uma discussão não mais sobre a mobilidade de pessoas, mas sim das mercadorias. Isso sem que os espaços urbanos sejam agredidos pelo fluxo de grandes e poluidores caminhões, por exemplo, mas por meio de uma racionalidade logística sustentável. O executivo pôde ainda fazer reflexões sobre os diversos aspectos e as vantagens dessa criação de infraestrutura e logística que aumente a eficácia do e-commerce e o conforto dos consumidores no recebimento dos produtos.

O vídeo, na íntegra, está disponível em nosso canal no Youtube, o ClienteSA Play, junto com as outras 531 lives realizadas desde março de 2020. Aproveite para também se inscrever. A Série Lives – Entrevista ClienteSA terá sequência amanhã (03), recebendo Rogério Tessari, diretor executivo da Tiny by Olist, que falará da proposta de democratizar o e-commerce agregando valor; na quinta, será a vez de Eduardo Rocha, fundador e CEO da Klubi; e, encerrando a semana, o Sextou tratará do tema “Sustentabilidade: Uma resposta às novas demandas do consumidor”, tendo como convidados Giuliano Bittencourt, CEO da BeGreen, Victor Soares, cofundador e CEO da Metha Energia e Rodrigo Oliveira, fundador e CEO da Green Mining.

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