Tecnologia, um santo remédio

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Autor: Alexandre Brito
Todos os dias, ao redor do mundo, profissionais de diferentes áreas trabalham para desenvolver tecnologias que tornem as tarefas cotidianas mais simples e inteligentes. Capazes de estender a todas as pessoas, em todos os cantos do planeta, comodidades que facilitem a vida. Os benefícios resultantes de tais esforços são amplamente conhecidos, mas às vezes alguns efeitos positivos menos óbvios desses avanços tecnológicos surgem aqui e ali. No Brasil, crédito mais caro, confiança do consumidor em baixa, desemprego em alta, inflação crescente (com a consequente redução do poder de compra dos salários) e aumento do comprometimento da renda das famílias produziram neste 2015 um ambiente inóspito para o comércio e os serviços. O consumidor compra menos. Empreendedores sentem no bolso hoje o que as pesquisas vão comprovar amanhã. Contabilizam perdas, antecipam dificuldades e perguntam-se quanto tempo mais esta fase difícil vai durar. 
Entretanto, embora vários indicadores reforcem o pessimismo e possam levar muita gente a desanimar diante da suposta falta de perspectivas. Outros apontam em direção contrária.  É preciso ficar atento a eles se quiser superar o imobilismo, sair na frente e ganhar dinheiro em tempos bicudos. Enquanto a mais recente pesquisa divulgada pelo IBGE mostra que as vendas caíram 3,5% em junho, na comparação com o mesmo mês do ano passado, um indicador que se baseia nas vendas registradas pela rede de pagamentos da MasterCard revela que o e-commerce cresceu no país nada menos do que 9,8% sobre junho do ano passado. Consolidando uma tendência observada desde outubro de 2014, quando a empresa passou a monitorar o desempenho do segmento. O percentual de alta de junho é o 9o de uma sequência de altas ininterruptas. 
Investir na comodidade e na conveniência do consumidor parece ser, portanto, mais do que uma necessidade, mas questão de sobrevivência. A simples decisão de passar a aceitar um meio eletrônico de pagamento como o cartão de crédito, por exemplo, amplia o tíquete médio no comércio. Gera mais receita, diminui riscos de fraudes e reduz despesas relacionadas ao gerenciamento de papel moeda ou cheques. Não é por outras razões que 92% de pequenos empreendedores que responderam à outra pesquisa conduzida pela MasterCard afirmaram que a tecnologia está contribuindo para que vendam mais – mesmo em tempos de crise! 
Para mim, o significado desses números é claro: apesar do cenário macroeconômico adverso, ainda há no Brasil um mercado exuberante para quem souber tirar proveito dele. Fruto do comportamento de um consumidor que está entre os mais conectados do mundo – lembremos que, de acordo com a edição 2014 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), mais da metade da população brasileira acima dos 10 anos de idade já está conectada à internet. Esse mercado exige que o empreendedor entenda mudanças que ocorrem alucinadamente à sua volta, antecipe-se a elas e ofereça-lhe respostas ágeis e criativas. Destacar-se nele faz crescer muito as oportunidades de sucesso. Por aqui como em qualquer outro lugar do mundo.
Observe-se a onipresença dos telefones móveis e note-se como vêm mudando a forma que os consumidores pagam. Um relatório recentemente divulgado pelo Banco Central americano, o Fed, revelou que, nos EUA, 39% dos usuários de telefone celular já usaram seu dispositivo para pagar contas em uma loja. Há um claro aumento da demanda por meios mais simples e seguros de fazer pagamentos com dispositivos móveis. É preciso saber tirar partido disso! Na hora de turbinar as vendas – e a regra vale especialmente para os pequenos e médios empreendedores -, vai mais longe quem escolhe parceiros de negócios capazes de desenvolver tecnologia que agregue inteligência ao relacionamento com os clientes. Quem vende chapéu na praia precisa oferecer ao rapaz que quer um boné novo a possibilidade de adquiri-lo. No exato momento em que precisa cobrir a cabeça para proteger-se do sol a pino. Com um celular, uma senha e alguns cliques, a compra está paga. É seguro, é rápido e é conveniente.
Pagamentos que dispensem papel moeda permitem ampliar as opções do consumidor e aproveitar impulsos de consumo, alavancando ainda mais as vendas. O empreendedor, porém, não deve contentar-se com essas facilidades. A qualidade de seu relacionamento com o consumidor de bens e serviços depende também de sua eficiência como gestor e sua capacidade de inovar. E tudo isso requer maior acesso a serviços de informação que lhe forneçam dados de transações submetidos a análise de peritos com capacidade para enriquecer e aprofundar suas percepções acerca do mercado em que atua, da região que cobre, do cliente que almeja. 
Sem uma melhora do ambiente econômico, não será fácil a retomada das vendas no varejo nos próximos meses. Se, no entanto, os empreendedores do Brasil firmarem parcerias capazes de contribuir para que otimizem seus negócios, encontrarão maneiras criativas de superar desafios. É a guerra da tecnologia contra o desalento. Que vençam os que souberem – e tiverem os meios de – ousar.
Alexandre Brito é vice-presidente de desenvolvimento de aceitação e negócios da MasterCard Brasil e Cone Sul

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