Uma abordagem digital para sobrevivência

Não basta investir em novas tecnologias, é preciso também desenvolver o mindset dos colaboradores

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Thammy Marcatto e Aldo Macri, ambos da KPMG
Thammy Marcatto e Aldo Macri, ambos da KPMG

Autores: Aldo Macri e Thammy Marcato

Atualmente, a agenda de transformação digital virou obrigatória para as empresas que querem ter sucesso e sustentabilidade nos negócios. Por isto, a sobrevivência das organizações passa também pelo entendimento do mundo através da volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade. Entretanto, não basta apenas fazer investimentos em novas tecnologias, já que estudos apontam que a maioria destas iniciativas falham pelo despreparo das próprias equipes de lidar com este novo contexto. Para endereçar este desafio, as empresas precisam desenvolver o mindset digital dos seus colaboradores.

Este mindset permitirá que os colaboradores consigam enxergar as novas oportunidades de negócio aplicando tecnologia como estratégia. Ou seja, capturar os benefícios gerados pelas novas tecnologias, sem desassociá-los das aplicações práticas de negócio. Um ótimo exemplo são os famosos chatbots. Se bem aplicados, são um ótimo formato para um atendimento mais eficaz e datificado, porém se mal aplicados, são detratores de experiência.

Dentro desse contexto, existem três aspectos primordiais para as organizações desenvolverem uma mentalidade digital que passam por mudar a forma de execução, de gestão e de ver o mundo. Com relação ao primeiro fator, historicamente, as empresas tratam projetos com foco na entrega de forma eficiente e dentro do prazo planejado. Desse modo, as atividades previstas são tratadas como estáticas, buscando-se eliminar possíveis falhas ou desvios que, consequentemente, eliminam aprendizados ou correções de rota. Em contrapartida, trazer o pensamento de produto para estas execuções abre espaço para uma adaptação constante, que busca pela relevância do que será entregue. Essa ação é muito mais relacionada à eficácia do que será criado e à capacidade de evoluir.

Sobre o segundo aspecto – a forma de gestão – quando falamos de transformação de negócios, estamos direcionando o tema para o ser humano. Dentro desse contexto, é necessário estabelecer um ambiente de segurança psicológica em que as pessoas possam se sentir livres para realizar questionamentos e estarem aptas para identificar novas formas de desempenhar algo inovador. Além disso, é necessário estimular um ambiente de transparência e franqueza, no qual cada indivíduo tem a capacidade de falar o que realmente pensa, criando um ambiente de confiança em toda a equipe.

O terceiro aspecto, e mais complexo, está relacionado com a necessidade de entender e trabalhar com os chamados vieses cognitivos. São diversos vieses, entretanto, endereçamos aqui os que têm maior impacto no mundo corporativo: heurística de disponibilidade que se refere à tendência de atrelar a ocorrência de um fato pela associação de casos que vêm rapidamente na mente; da confirmação, que é o pensamento que reforça a crença na verdade do que já se acredita, buscando confirmações nas preferências pessoais; da ancoragem, que corresponde às decisões com base no que se conhece de melhor, dificultando enxergar além do que está acontecendo; da retrospectiva que é tudo que é projetado para o futuro como algo que já se conhece; e por fim, do otimismo, que é majoração dos impactos positivos e redução dos riscos negativos, causando falsas avaliações de acontecimentos futuros.

É por meio desses fatores que as organizações precisam ter atenção para criar uma abordagem digital eficaz. Só assim elas irão sobreviver no mundo corporativo atual e futuro.

Aldo Macri é sócio-lider de clientes e mercados da região Sul pela KPMG no Brasil e Thammy Marcatto é sócia-diretora da KPMG.