No fim, as pessoas não se lembram do processo, mas sim de como foram tratadas ao longo do mesmo
Autor: Rodrigo F. Santos
Durante muitos anos, o atendimento ao cliente foi tratado como um mal necessário: um setor que consome recursos, apaga incêndios e existe apenas para resolver problemas. Mas empresas líderes já entenderam algo fundamental: atendimento não é custo, é ativo estratégico.
Quando bem estruturado, ele aumenta receita, fideliza clientes, reduz churn e fortalece a marca. O problema não está no atendimento em si, mas na forma como ele é pensado, medido e liderado.
1. O erro clássico: atendimento isolado da estratégia
Na maioria das empresas, o atendimento entra tarde na jornada do cliente, não participa das decisões estratégicas, é medido apenas por tempo médio e volume, recebe pouca autonomia e investimento. Isso o transforma, inevitavelmente, em um centro de custo.
Empresas que crescem de forma sustentável fazem o oposto: colocam o atendimento no centro da experiência e da estratégia.
2. Atendimento como gerador de valor, não apenas solução de problemas
Toda interação com o cliente é uma oportunidade de reforçar a confiança, identificar oportunidades de melhoria, antecipar necessidades e gerar novas vendas ou retenção. Um atendimento bem feito não termina a conversa, ele fortalece o relacionamento.
3. Dados do atendimento são inteligência de negócio
O atendimento é o setor que mais escuta o cliente — e, muitas vezes, o que menos é ouvido internamente.
Quando as empresas analisam motivos de contato, mapeiam dores recorrentes e compartilham insights com produto, marketing e operações, elas reduzem custos estruturais antes que eles aconteçam e criam soluções mais eficientes.
Atendimento não é só execução. É fonte de inteligência estratégica.
4. Pessoas bem preparadas entregam resultados melhores
Atendimento não se escala apenas com tecnologia — se escala com cultura. Atendimento excelente nasce de gente valorizada, não de script decorado.
5. Tecnologia como meio, não como fim
IA, automação e omnichannel são essenciais — mas só funcionam quando:
● Simplificam a vida do cliente
● Apoiam o atendente, não o substituem sem critério
● Estão integradas à jornada, não fragmentadas
Tecnologia mal aplicada barateia o atendimento, mas empobrece a experiência. Tecnologia bem aplicada escala valor.
O que não gera valor não pode ser tratado apenas como custo. No fim, as pessoas não lembram do processo. Lembram de como foram tratadas.
Transformar o atendimento em vantagem competitiva exige:
● Liderança comprometida
● Cultura centrada no cliente
● Uso inteligente de dados e tecnologia
● Valorização das pessoas
Quando isso acontece, o atendimento deixa de ser despesa operacional e passa a ser motor de crescimento, reputação e resultado.
Atendimento não custa caro. Caro é perder clientes por não saber escutá-los.
Rodrigo F. Santos é CEO do Grupo Mop.





















